6 ANOS DA PANDEMIA
Luiz Brandão
11 de março de 2026 às 15:20
Há exatos seis anos, o Brasil entrava na pandemia da Covid-19. O que se seguiu não foi apenas uma crise sanitária, mas um massacre anunciado, conduzido por um chefe de Estado que reunia em si todos os piores defeitos que um ser humano pode ter: dissimulado, covarde, homofóbico, corrupto, racista, xenofóbico, mesquinho, malvado, estúpido, incompetente, mentiroso, agressivo, violento e desumano. Jair Bolsonaro não apenas falhou com os brasileiros; ele deliberadamente escolheu o caminho da morte.
Enquanto o mundo se unia em torno da ciência, o então presidente patrocinava aglomerações, atrasava a compra de vacinas e, segundo investigações, tentou lucrar com o sangue de 700 mil vítimas. Seus filhos, seguindo a mesma linha, amplificaram o discurso de ódio e negacionismo. O mais estarrecedor, porém, é que ainda existam pessoas que admiram e veneram um ser como esse .
O Holocausto Brasileiro: 700 mil mortes que poderiam ter sido evitadas
A pandemia da Covid-19 foi a maior oportunidade que Bolsonaro teve de mostrar humanidade, civilidade, compaixão e empatia com os brasileiros. Mas ele fez exatamente o contrário. Enquanto países ao redor do mundo fechavam acordos com laboratórios e protegiam suas populações, o governo brasileiro jogava contra as medidas indicadas pelos cientistas.

Para se ter dimensão do desastre, o Brasil representa pouco mais de 2,7% da população mundial, mas respondeu por cerca de 10% de todas as mortes por Covid-19 no planeta – uma taxa desproporcional que envergonha a nação e mancha sua história para sempre. Países mais populosos, como China e Índia, tiveram desempenho infinitamente superior no enfrentamento da pandemia, comprovando que a tragédia brasileira não foi obra do acaso, mas de decisões criminosas .

O episódio mais sórdido da gestão Bolsonaro na pandemia envolve a negociação das vacinas. Relatos de que auxiliares e gente do governo teria cobrado propina de 1 dólar por cada dose da vacina indiana Covaxin caíram como uma bomba entre as famílias das vítimas. A denúncia, revelada pela CPI da Covid e amplamente noticiada pela imprensa, expôs um esquema criminoso que visava enriquecer auxiliares do presidente às custas da vida dos brasileiros.
O ministro da Saúde à época, general Eduardo Pazuello, o presidente e os filhos dele atuaram ativamente contra as medidas sanitárias, patrocinando caminhadas e carreatas que contrariavam as recomendações da ciência. A hipocrisia era total: enquanto estimulavam aglomerações, Bolsonaro e seus familiares já estavam vacinados secretamente, protegidos enquanto empurravam o povo brasileiro para o abate.
"Se a vacina tivesse sido comprada no tempo certo, logo que a farmacêutica Pfizer ofereceu ao governo brasileiro, pelo menos 350 mil mortes teriam sido evitadas", afirmam especialistas ouvidos à época. O atraso criminoso na aquisição dos imunizantes condenou à morte centenas de milhares de brasileiros que aguardavam desesperadamente por proteção.
Quando as vacinas finalmente começaram a chegar, o desgoverno continuou: lotes da Janssen chegaram com prazo de validade curto, e a distribuição foi caótica, com cidades inteiras paralisando a imunização por falta de doses enquanto o governo negociava porcamente com laboratórios.
O colapso de Manaus: quando a Venezuela precisou socorrer o Brasil
A ação desastrosa de Bolsonaro na pandemia atingiu seu ponto mais trágico em Manaus. Enquanto gente do governo negociava propinas e atrasava vacinas, hospitais da capital amazonense ficaram sem oxigênio. Pacientes morriam asfixiados à beira dos leitos, em cenas que chocaram o mundo e foram comparadas a campos de refugiados em guerras civis.
O caos foi de tal monta que o governo da Venezuela, país vizinho com histórico de tensões diplomáticas, precisou enviar caminhões de oxigênio para socorrer os brasileiros vítimas do descaso do próprio governo. A imagem de caminhões venezuelanos cruzando a fronteira para salvar vidas brasileiras enquanto gente do governo negociava propinas ficará para sempre como símbolo da vergonha nacional .
Sou testemunha; quase morri por causa da negligência
Eu fui vítima da Covid. Em abril de 2021 eu fui internado por 12 dias, em estado delicado, no Hospital Unimed Primavera, em Teresina. Quase morri, estive entre a vida e a morte. Minha família quase toda foi atingida pela doença. Perdi amigos, parentes e colegas de trabalho. Tudo porque Bolsonaro não comprou a vacina no tempo certo, como foi oferecido pela Pfizer. Tive Covid dois meses antes da vacina chegar para a população. Se tivessem comprado no tempo certo, eu não teria corrido risco de morte nem ido parar na UTI. Vários amigos, colegas de trabalho e parentes não teriam morrido e deixado suas famílias órfãs.
O meu relato é apenas um entre centenas de milhares de lares brasileiros. Cada uma das mais de 700 mil mortes tem um nome, um rosto, uma família destruída. E todas elas têm algo em comum: a morte poderia ter sido evitada se o governo tivesse agido com responsabilidade.

Analisar a conduta de Jair Bolsonaro durante a pandemia é também fazer um retrato psicológico de um ser humano desprezível. Dissimulado, porque escondia suas reais intenções atrás de discursos falsamente patrióticos. Covarde, porque se vacinou escondido enquanto mandava o povo se aglomerar. Homofóbico, racista e xenofóbico, porque sempre alimentou o ódio contra minorias. Corrupto, porque tentou lucrar com a compra de vacinas. Mesquinho, porque usou a dor alheia para benefício político. Malvado, porque parecia sentir prazer no sofrimento dos adversários. Estúpido e incompetente, porque ignorou a ciência e as evidências. Mentiroso, porque enganou a nação sistematicamente. Agressivo e violento, porque sempre preferiu a truculência ao diálogo. Desumano, porque nunca demonstrou empatia pelas vítimas .
O mais perturbador é que seus filhos seguem a mesma linha. Flávio, Carlos e Eduardo Bolsonaro reproduzem o mesmo discurso de ódio, o mesmo negacionismo, a mesma falta de escrúpulos. A família construiu um verdadeiro clã político baseado na antidemocracia e no desprezo pela vida alheia.

Todos os cientistas experientes, médicos e estudiosos da saúde são unânimes em afirmar que o governo brasileiro foi, no mínimo, negligente durante a pandemia da Covid. Mas a palavra correta é outra: criminoso.
A CPI da Covid, instalada no Senado, concluiu que Bolsonaro cometeu crimes de responsabilidade, charlatanismo, prevaricação e contra a humanidade. O relatório final pediu o indiciamento do ex-presidente por genocídio, mas até hoje a justiça brasileira caminha a passos lentos, e a impunidade ameaça prevalecer .
Enquanto isso, seis anos se passaram. As feridas estão longe de cicatrizar. As famílias seguem órfãs. E o país ainda convive com a herança maldita do negacionismon. Mesma com boa cobertura vacinal contra a Covid-19, novos surtos ameaçam reaparecer, alimentados pelo descaso que Bolsonaro incentivou institucionalizou. Por causa dele milhões de pessoas deixaram de se vacinar e continuam morrendo por ação do vírus da COVID-19.
A pergunta que fica é: como um povo pode admirar e venerar um ser como esse? Como explicar que milhões de brasileiros ainda vejam em Bolsonaro um líder, depois de tudo o que ele fez? A resposta talvez esteja no mesmo poço de dissimulação, ignorância e maldade que ele próprio representa.
O Brasil não esquece. As 700 mil velas acesas em memória das vítimas da Covid são a prova de que, apesar de tudo, a memória resiste. E ela jamais perdoará Jair Bolsonaro.

Fonte: Dados oficiais do MS/Portais/OMS/Internet
Luiz Brandão é jornalista formado pela Universidade Federal do Piauí. Está na profissão há 40 anos. Já trabalhou em rádios, TVs e jornais. Foi repórter das rádios Difusora, Poty e das TVs Timon, Antares e Meio Norte. Também foi repórter dos jornais O Dia, Jornal da Manhã, O Estado, Diário do Povo e Correio do Piauí. Foi editor chefe dos jornais Correio do Piauí, O Estado e Diário do Povo. Também foi colunista do Jornal Meio Norte. Atualmente é diretor de jornalismo e colunista do portal www.piauihoje.com.
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