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Para deixar de ser o país do Futuro


Esplanada dos ministerios

Esplanada dos ministerios Foto: Marcello Casal Jr/ Agência Brasil

A pergunta que não quer calar e continua a ecoar nas cabeças dos brasileiros pensantes é “por que o Brasil teima em não dar certo?”

Não é de hoje que o nosso torrão é visto por todos como o país do futuro. Mas o futuro veio e foi embora de braços dados com os tigres asiáticos, que perdemos de vista e nem falamos mais deles: Taiwan, Coréia e outros.

Veio então um futuro novinho e pensamos “agora vai!” E foi mesmo, só que nos braços de outros países, como o Chile, Cingapura e México.

Depois de tantas decepções, elegemos um presidente-operário. Foi quando os menos favorecidos resolveram transgredir as regras impostas pela grande mídia e pelos institutos de pesquisa, que sempre orientam e determinam quem será o eleito e, por conseguinte, em quem o povo deve votar. O resultado encheu o país de esperança. Era o futuro finalmente chegando para o brasileiro. Passaram-se os primeiros quatro anos e a sociedade resolveu apostar mais quatro. Afinal era preciso arrumar e organizar a esculhambação deixada pelo “príncipe sociólogo”.

No primeiro mandato presenciamos uma significativa melhora nas condições econômicas do País. Dissemos “fora FMI”, porém, sem rupturas. Pagamos tudo e passamos a acumular reservas internacionais como nunca fizemos antes. Entretanto, na calada da noite, o futuro parecia estar escapando novamente, desta vez nos braços da China e da Índia.

Afinal, o que nos falta para agarrar de vez esse escorregadio futuro que sempre nos escapa quando armamos o bote?

Simples: falta sentimento de Nação. Aparentemente simples, pois se construímos um país continental, por que ainda não conseguimos formar, dentro deste gigante, um sentimento de Nação, assim, com letra maiúscula?

A explicação é complexa e decorre de um empecilho vital, de uma dicotomia histórico-sociológica. Vejamos:

Ao contrário da nossa acanhada, cabisbaixa e silenciosa elite intelectual, possuímos uma robusta e agressiva elite econômico-social. Porém, ela está divorciada dos interesses nacionais, com um estranho complexo de subalternidade em relação às potências do Norte e com um grande déficit ético-político. Como um parasita que habita e explora o hospedeiro, essa elite está sempre pronta para pular do barco, está sempre com um pé aqui dentro do país e outro lá fora, diferente do que acontece com as elites econômicas daqueles países que já deram o salto e também com as elites dos países desenvolvidos.

Então, para que o País possa dar certo, para que o tão esperado futuro chegue às nossas mãos, precisamos nos conscientizar de que mudanças profundas deverão ocorrer visando a alterar as velhas estruturas política e social. Para transformar este grande país numa grande nação, teremos que transmutar a atual elite-econômica-social-parasitária numa intelectualidade-burguesa-nacionalista dotada de vontade política transformadora. Somente então será possível a mediação de um consenso de inclusão, onde todas as classes se sintam parte do conjunto de brasileiros. Isso permitirá a construção de um forte e crescente mercado interno capaz de alavancar o necessário desenvolvimento. Somente então daremos o primeiro passo para construirmos uma sociedade com forte identidade cultural em substituição à insipiente e fragmentada sociedade atual.

A Nação Brasileira será então o nosso bem maior, o barco em que todos remarão na mesma direção, independentemente das diferenças entre categorias econômicas e sociais que existem e sempre existirão, como em todas as sociedades avançadas. Essa Nação será motivo do orgulho de todos e caminhará naturalmente em direção à conquista do tal futuro prometido.

Valmir Barbosa

Economista e Professor

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