DOAÇÃO DE SANGUE
Alinny Maria
14 de agosto de 2026 às 13:45 ▪ Atualizado há 40 minutos
O Ministério da Saúde atualizou os critérios para doação de sangue no Brasil e trouxe mudanças que podem ampliar o número de pessoas aptas a doar. As novas regras estão previstas na Portaria GM/MS nº 11.685, publicada em 2 de julho de 2026, e entram em vigor no dia 30 de setembro.
Até a entrada em vigor da nova regulamentação, os hemocentros continuam seguindo os critérios atualmente vigentes. No Piauí, o Hemopi já iniciou o processo de capacitação das equipes para adequar a triagem às novas normas.
Segundo o supervisor médico da Triagem Clínica do Hemopi, Antônio Ribeiro, a atualização foi recebida de forma positiva pelo serviço por possibilitar a inclusão de novos doadores.
“Essa nova atualização do Ministério da Saúde facilita com que a gente tenha mais doadores e permite que a gente aumente o número de captações de bolsas de sangue”, explicou.
O médico afirma que as equipes da capital e do interior estão passando por treinamento para que os novos critérios sejam aplicados corretamente a partir do fim de setembro.
Tatuagens terão prazo de espera reduzido
Uma das principais mudanças envolve pessoas que fizeram tatuagens. O período de inaptidão, que anteriormente podia chegar a meses, passa a ser de quatro meses quando não for possível comprovar a segurança do local onde o procedimento foi realizado.
Quando a tatuagem for feita em estabelecimento regularizado e com condições sanitárias adequadas, o período pode ser reduzido para sete dias, conforme avaliação durante a triagem.
A regra também alcança procedimentos como micropigmentação de sobrancelhas, tatuagem definitiva e alguns procedimentos estéticos, entre eles botox, microagulhamento e preenchimentos.
“O que chama mais atenção são os critérios da tatuagem. Agora, o Ministério da Saúde reduziu esse tempo para sete dias, desde que seja constatada a segurança do local”, explicou Antônio Ribeiro.
Piercings
As regras para quem possui piercing também foram modificadas. Nos casos de piercing localizado na cavidade oral ou em regiões genitais, a pessoa não poderá doar enquanto estiver utilizando o acessório. Depois da retirada, será necessário aguardar quatro meses.
Para piercings em outras partes do corpo, a avaliação levará em consideração as condições em que o procedimento foi realizado.
Endoscopia e colonoscopia
O período de espera para quem realizou endoscopia ou colonoscopia também diminuiu. O prazo passa de seis para quatro meses após o procedimento.
Pessoas com histórico de câncer
Outra mudança considerada significativa pelo Hemopi envolve pessoas que já tiveram câncer. Com a nova regulamentação, pacientes que passaram por tratamento oncológico poderão ser avaliados para doação após cinco anos do término do tratamento, desde que estejam em remissão completa, sem doença ativa ou recidiva.
A regra não se aplica a alguns tipos de câncer. Pessoas que tiveram melanoma, linfoma ou leucemia continuam com impedimento definitivo para a doação.
“Com a mudança, ampliou para quem tem um passado neoplásico, mas continua proibido quem teve melanoma, linfoma ou leucemia. Aos demais pacientes, eles podem fazer uma doação desde que passados cinco anos do término do tratamento”, afirmou o médico.
Pessoas acima de 70 anos
A idade também deixa de ser um impedimento automático. Pessoas com 70 anos ou mais poderão ser avaliadas individualmente para verificar se estão aptas a doar.
De acordo com Antônio Ribeiro, a mudança acompanha o envelhecimento da população e permite que pessoas mais velhas sejam analisadas conforme suas condições clínicas.
Uso das chamadas “canetas emagrecedoras”
Os medicamentos agonistas do receptor de GLP-1, conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”, também passam a ter critérios específicos.
Quem iniciou o tratamento ou mudou a dose deverá aguardar 14 dias antes de realizar a doação. A pessoa também precisa estar utilizando a mesma dose durante esse período.
Caso tenha ocorrido compartilhamento de agulhas, o período de inaptidão passa a ser de quatro meses. A condição de saúde do candidato e a indicação do medicamento também serão consideradas durante a triagem.
Cirurgia bariátrica
A nova portaria também amplia a possibilidade de doação para pessoas que passaram por cirurgia bariátrica. Independentemente da técnica utilizada, a pessoa poderá ser avaliada para doar seis meses após o procedimento, considerando sua evolução clínica.
Antes, havia diferenças entre as técnicas cirúrgicas e algumas delas poderiam resultar em impedimento definitivo.
“Com essa mudança do Ministério da Saúde, passa a ser autorizada a cirurgia bariátrica para todos aqueles que fizeram qualquer subtipo da técnica, após seis meses da cirurgia”, explicou Antônio.
Outras mudanças
A regulamentação também atualiza os critérios para diferentes condições de saúde e tratamentos.
Entre as mudanças estão:
Triagem continua sendo individual
Apesar da flexibilização de diversos critérios, a doação não será automaticamente autorizada apenas porque o candidato se enquadra em uma das novas regras.
Todos os voluntários continuam passando por entrevista, avaliação clínica e exames laboratoriais antes da coleta. A equipe do hemocentro é responsável por analisar as condições específicas de cada candidato.
“Mesmo com a atualização das regras, todos os candidatos continuarão passando por uma avaliação individual. É durante a triagem que a equipe verifica as condições de saúde e as situações específicas de cada pessoa”, destacou Antônio Ribeiro.
O médico também chama atenção para os critérios relacionados à hemoglobina, que foram atualizados pela nova portaria e fazem parte da avaliação inicial dos candidatos.
Quando as novas regras começam a valer?
A Portaria GM/MS nº 11.685 entra em vigor em 30 de setembro de 2026. Até 29 de setembro, os hemocentros continuam adotando os critérios atualmente vigentes.
No Piauí, o Hemopi utiliza o período de transição para capacitar as equipes e preparar os profissionais que atuam na triagem e coleta de sangue.
A expectativa é que a atualização facilite o acesso de novos candidatos à doação, sem alterar o princípio fundamental do processo: garantir a segurança tanto do doador quanto de quem receberá o sangue.
Ouça a entrevista com o Dr. Antônio Ribeiro:
HEMOPI Antônio Ribeiro.mp3.mpeg
Fonte: Hemopi
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