Saúde

SANGUE RARO

Hemopi faz busca nacional por sangue extremamente raro para paciente internado em Teresina

Paciente internado na rede pública de Teresina precisa de transfusões recorrentes e tem anticorpos raros identificados em apenas um doador no Brasil

Da Redação

16 de setembro de 2026 às 09:31 ▪ Atualizado há 49 minutos

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  • Um paciente em Teresina foi identificado com uma rara condição sanguínea, apresentando anticorpos anti-Rh18 e anti-Rh19, necessitando de transfusões recorrentes.
  • Apenas um doador compatível havia sido encontrado no Brasil, o que levou à busca por novos doadores.
  • A investigação começou no Hemopi e envolveu análises detalhadas no Hemoce para confirmar a presença dos anticorpos.
  • Testes de compatibilidade foram feitos com quatro dos seis irmãos do paciente, mas nenhum era compatível.
  • A Coordenação-Geral de Sangue e Hemoderivados ajudou a localizar doadores em outros estados.
  • Duas bolsas de sangue foram enviadas de forma prioritária, uma do Hemoce e outra da Fundação Pró-Sangue de São Paulo; apenas uma era totalmente compatível.
  • A busca por doadores continua, pois o paciente precisa de transfusões frequentes.
  • O supervisor do Hemopi destacou a dificuldade de encontrar doadores compatíveis para condições sanguíneas raras e a importância da articulação entre hemocentros e a manutenção de um cadastro diversificado de doadores.

Reprodução Hemopi faz mobilização para encontrar sangue raro para paciente internado em Teresina
Hemopi faz mobilização para encontrar sangue raro para paciente internado em Teresina

Um paciente internado na rede pública de Teresina mobilizou uma rede de hemocentros de diferentes estados após ser identificado com uma condição sanguínea extremamente rara. Ele apresenta os anticorpos anti-Rh18 e anti-Rh19 e precisa de transfusões de sangue recorrentes.

A descoberta foi feita pelo Centro de Hematologia e Hemoterapia do Piauí (Hemopi) durante uma investigação especializada. Até então, apenas um doador compatível havia sido identificado no Brasil, o que levou o órgão a ampliar a busca por novas possibilidades de transfusão.

A investigação começou no Laboratório de Imuno-hematologia do Hemopi, onde foram realizados exames para identificar e caracterizar os anticorpos, além de testes de fenotipagem eritrocitária. Uma amostra do paciente foi encaminhada ao Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará (Hemoce) para uma análise de genotipagem.

O exame confirmou a presença dos anticorpos anti-Rh18 e anti-Rh19.

Irmãos também foram testados

Diante da dificuldade para encontrar sangue compatível, familiares do paciente também participaram da investigação. Dos seis irmãos, quatro tiveram amostras coletadas para testes de compatibilidade. Nenhum dos quatro apresentou compatibilidade sanguínea com o paciente.

O Hemopi então acionou a Coordenação-Geral de Sangue e Hemoderivados (CGSH), do Ministério da Saúde, para ampliar a procura por unidades raras em outros estados.

A mobilização resultou no envio de duas bolsas ao Piauí: uma disponibilizada pelo Hemoce e outra pela Fundação Pró-Sangue, de São Paulo. As unidades foram transportadas em caráter prioritário.

Após a chegada ao Hemopi, as bolsas passaram por novos testes antes da transfusão. Apenas uma delas apresentou compatibilidade total e foi utilizada no procedimento, que ocorreu sem intercorrências.

Busca por doadores continua

Apesar da transfusão já realizada, a procura por novos doadores compatíveis continua. Isso ocorre porque o paciente necessita de transfusões recorrentes e, portanto, novas bolsas poderão ser necessárias.

Pedro Afonso Sousa, supervisor do Laboratório de Imuno-hematologia do Hemopi, destacou a dificuldade de localizar sangue compatível em casos como esse.

“Estamos diante de uma condição imuno-hematológica extremamente rara, que torna a localização de um doador compatível um verdadeiro desafio. É, literalmente, buscar uma agulha no palheiro”, afirmou.

Segundo o supervisor, a articulação entre hemocentros e instituições especializadas é fundamental para ampliar as possibilidades de atendimento a pacientes com fenótipos e anticorpos sanguíneos raros.

O caso também reforça a importância de manter uma rede de investigação imuno-hematológica e um cadastro diversificado de doadores, segundo o Hemopi.

Fonte: Hemopi