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SAÚDE E PESQUISA

Estudo indica aumento no risco de câncer de placenta após cesárea

Pesquisa da UFRJ mostra que cesarianas elevam em 45% o risco de neoplasia trofoblástica gestacional

Teresinha Ferreira

26 de julho de 2026 às 09:20 ▪ Atualizado há 1 hora

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  • Pessoas que fizeram cesariana têm 45% mais risco de desenvolver neoplasia trofoblástica gestacional.
  • A doença, conhecida como mola gestacional, pode evoluir para câncer em até 20% dos casos.
  • No Brasil, há cerca de 2,9 mil registros anuais dessa neoplasia.
  • O estudo brasileiro incluiu dados de 2.904 pacientes entre 2002 e 2022.
  • 26,5% das mulheres com cesárea anterior desenvolveram câncer, comparado a 20,8% sem o histórico.
  • A cicatriz da cesárea pode facilitar a invasão da mola no útero.
  • Reduzir a taxa de cesarianas no Brasil poderia evitar cerca de 177 casos de câncer por ano.
  • Mulheres com histórico de cesáreas precisam de vigilância, mas o tratamento padrão não muda.

Agência Brasil Estudo conduzido por pesquisadores da Maternidade Escola da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Estudo conduzido por pesquisadores da Maternidade Escola da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Pessoas que passaram por cesariana têm 45% mais risco de desenvolver neoplasia trofoblástica gestacional, um tipo raro de câncer que se origina em células da placenta e cresce no útero. A conclusão é de um estudo conduzido por pesquisadores da Maternidade Escola da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A doença trofoblástica, conhecida como mola gestacional, ocorre devido a uma fertilização anômala entre óvulos e espermatozoides, criando uma estrutura placentária anômala, com ou sem feto. Em até 20% dos casos, células da mola podem evoluir para o câncer de placenta.

No Brasil, a incidência da doença é de um caso a cada 200 a 400 gestantes, somando cerca de 2,9 mil registros de neoplasia por ano. Já se sabia que o risco é maior em molas completas, em pacientes com mais de 40 anos, níveis elevados do hormônio HCG ou histórico de molas e cistos.

A pesquisa brasileira se inspira em um estudo sul-coreano e se destaca por sua abrangência, contando com dados de 2.904 pacientes, examinados entre 2002 e 2022, de centros na UFRJ e na Universidade de Harvard. Constatou-se que 26,5% das mulheres com cesárea anterior desenvolveram câncer, contra 20,8% sem esse histórico.

A hipótese é que a cicatriz da cesariana desregula o sistema imunológico e facilita a invasão da mola no útero. "A cicatriz é uma área frágil, uma 'porta de entrada' para a mola", esclarece Gabriela Paiva, líder do estudo.

Antônio Braga, coordenador do ambulatório na Maternidade Escola da UFRJ, destaca a importância da pesquisa no Brasil, que apresenta uma taxa de cesarianas de 55%, contra os 15% recomendados pela OMS. Reduzir a taxa para 35% poderia evitar aproximadamente 177 casos de câncer anualmente.

Por fim, o estudo recomenda vigilância para mulheres com histórico de cesáreas que desenvolvem a neoplasia, sem mudanças no tratamento. A abordagem convencional envolve aspiração, quimioterapia e monitoramento do hormônio HCG.

Fonte: Agência Brasil