Saúde

DIAGNÓSTICOS MAIS ACESSÍVEIS

Brasil desenvolve acelerador de prótons para que pode revolucionar tratamento do câncer

Equipamento nacional promete ampliar acesso a diagnósticos precisos e terapias avançadas, reduzindo custos e dependência de importações

Da Redação

Segunda - 26/01/2026 às 15:00



Foto: Com a produção nacional de radiofármacos, será possível ampliar o número de exames pelo SUS e reduzir a espera dos pacientes.
Com a produção nacional de radiofármacos, será possível ampliar o número de exames pelo SUS e reduzir a espera dos pacientes.

No Brasil, que registra 704 mil novos casos de câncer por ano segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), um avanço tecnológico desenvolvido em Campinas (SP) traz nova esperança. Trata-se de um acelerador de prótons, equipamento que permitirá produzir no país a matéria-prima para exames e tratamentos de câncer, tornando os diagnósticos mais acessíveis e as terapias mais precisas.

O projeto é conduzido pelo Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Atualmente, o Brasil depende majoritariamente da importação de radiofármacos, gerando custos altos e risco de desabastecimento. Como substâncias como flúor-18 têm meia-vida de poucas horas, muitas vezes não chegam a tempo a hospitais distantes. Com a produção nacional, será possível ampliar o número de exames pelo SUS e reduzir a espera dos pacientes.

Segundo James Citadini, diretor adjunto de Tecnologia do CNPEM, o equipamento nacional será mais acessível que os modelos importados. "Essa iniciativa fortalece a autonomia e o domínio de uma tecnologia estratégica para o País", destaca. O projeto recebeu aprovação do Ministério da Saúde e conta com um investimento de aproximadamente R$ 27 milhões do Programa de Desenvolvimento e Inovação Local, além de R$ 15 milhões de contrapartida do CNPEM, com prazo de execução de dois anos.

O domínio da tecnologia também abre caminho para a expansão da terapia com feixe de prótons, tratamento de ponta que concentra a radiação no tumor, poupando tecidos saudáveis. "É extremamente relevante para casos de câncer infantil e tumores próximos a regiões sensíveis, como o nervo óptico", explica Citadini. Embora o CNPEM não vá atender pacientes ou produzir em escala industrial, ele desenvolve as bases tecnológicas para que hospitais e empresas brasileiras possam oferecer esses tratamentos futuramente.

O primeiro protótipo, em testes, deve gerar feixes de prótons com energia de até 10 megaelétron-volts (MeV), suficiente para produzir uma variedade significativa de radioisótopos médicos. A iniciativa dá continuidade à expertise do CNPEM, responsável pelo Sirius, o maior equipamento de pesquisa do país. "Não existe uma formação acadêmica tradicional em engenharia de aceleradores. Essa é uma competência rara que o Brasil desenvolveu e que precisa de novos desafios para ser mantida", complementa Citadini.

Projeto também fortalece cadeias de inovação e atrai profissionais qualificados

Para Felipe Bellucci, coordenador-geral de Tecnologias Habilitadoras do MCTI, esse projeto coloca o Brasil em trajetória de autonomia. "O MCTI coordena instrumentos essenciais para que tecnologias estratégicas, como o acelerador de prótons, avancem da pesquisa para aplicações que beneficiam diretamente a população e o SUS", afirmou. O projeto também fortalece cadeias de inovação e atrai profissionais qualificados, em um movimento sustentado por políticas como a Lei do Bem, que em 2024 impulsionou mais de R$ 40 bilhões em projetos de pesquisa e desenvolvimento.

Diferente dos aceleradores de elétrons, como o Sirius, que são usados para pesquisa de materiais, o acelerador de prótons acelera partículas muito mais pesadas, exigindo controle sofisticado para aplicações médicas de precisão. O CNPEM articula parcerias com instituições como a Unicamp e centros internacionais, incluindo o CERN, na Europa, para o desenvolvimento da tecnologia.

Fonte: Ministério da Ciência e Tecnologia

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