Política

ESCÂNDALO

Vice-prefeita paga Mãe de Santo com dinheiro público para separar casal e ficar com homem

Ministério Público de São Paulo acusa gestora de usar recursos da Saúde para financiar um “casamento espiritual” com servidor municipal

Natalia Costa

18 de junho de 2026 às 21:58 ▪ Atualizado há 1 hora


- Juliana Maria Teixeira da Costa/Foto: Redes Sociais
- Juliana Maria Teixeira da Costa/Foto: Redes Sociais

A vice-prefeita de Ribeira, município localizado no interior de São Paulo, Juliana Maria Teixeira da Costa, de 42 anos, foi denunciada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) por associação criminosa e peculato. Segundo a acusação, ela teria utilizado recursos públicos destinados à área da saúde para custear um ritual espiritual com finalidade amorosa.

De acordo com a Promotoria, R$ 41,2 mil do Fundo Municipal de Saúde teriam sido desviados para financiar um suposto “casamento espiritual” com o coordenador municipal de Saúde, Lauro Olegário da Silva Filho. O objetivo do ritual seria afastá-lo da esposa para possibilitar um relacionamento entre os dois.

Além da vice-prefeita, também foram denunciados Lauro e o empresário William Felipe da Silva, proprietário de uma empresa que mantinha contratos com a Prefeitura de Ribeira. O MP sustenta que os três teriam atuado em conjunto para favorecer a contratação da empresa por meio de irregularidades em processos licitatórios.

Nota fiscal teria sido usada para justificar pagamento

Conforme a denúncia, a transferência dos recursos ocorreu por intermédio da empresa contratada pelo município. Os investigadores apontam que uma nota fiscal supostamente irregular foi emitida para justificar um pagamento relacionado a serviços médicos que, segundo o Ministério Público, não teriam sido prestados.

A Promotoria afirma que o valor foi liberado poucos minutos após a emissão do documento e posteriormente encaminhado a uma terceira pessoa sem ligação com a rede municipal de saúde.

“Mentora Samantha” confirmou contratação, diz MP

As suspeitas ganharam força após a divulgação de mensagens e comprovantes apresentados por um vereador do município. O material indicaria um repasse de R$ 41,2 mil para uma mulher conhecida como “Mentora Samantha”.

Segundo o Ministério Público, ela confirmou ter sido contratada por Juliana para realizar um ritual espiritual destinado a aproximar a vice-prefeita do coordenador de Saúde.

Ao defender a denúncia, o órgão destacou que os recursos do Fundo Municipal de Saúde possuem destinação exclusiva para ações e serviços da área da saúde, não podendo ser utilizados para finalidades particulares.

Justiça determina medidas cautelares

Atendendo a um pedido do Ministério Público, a Justiça da Comarca de Apiaí determinou a suspensão dos contratos entre a Prefeitura de Ribeira e a empresa W.F. Da Silva Treinamentos Ltda.

Também foram solicitadas medidas cautelares contra os investigados, incluindo restrições de acesso a órgãos públicos municipais e proibição de contato com testemunhas e servidores ligados à investigação.

O MP ainda requereu o afastamento de Juliana dos cargos de vice-prefeita e secretária municipal de Saúde, além da retirada de Lauro das funções exercidas na administração pública.

Defesa se manifesta

O advogado Yuri Amaral Nazareth, responsável pela defesa do empresário William Felipe da Silva, afirmou que seu cliente está colaborando com as investigações e compareceu espontaneamente ao Ministério Público.

“Quanto às alegações de desvio de recursos, é crucial enfatizar que William está comprometido em esclarecer essa situação completamente. A ausência de documentação mencionada pode ser atribuída a dificuldades circunstanciais, mas não necessariamente a intenções maliciosas”, declarou.

Até a última atualização do caso, a Prefeitura de Ribeira, Juliana Maria Teixeira da Costa, Lauro Olegário da Silva Filho e a chamada "Mentora Samantha" não haviam se pronunciado sobre as acusações.

Além das denúncias por associação criminosa e peculato, os investigados também respondem a acusações relacionadas a supostas fraudes em licitações. O Ministério Público pede ainda o ressarcimento de R$ 41,2 mil aos cofres públicos.

Fonte: Revista Fórum



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