Política

ELEIÇÃO PRESIDENCIAL

Pesquisa Quaest: 46% têm mais medo da volta dos Bolsonaro do que de Lula

Levantamento mostra aumento da preocupação com o retorno da família Bolsonaro, enquanto temor em relação a um novo mandato de Lula diminuiu

Natalia Costa

15 de julho de 2026 às 14:00 ▪ Atualizado há 1 hora

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  • A pesquisa Genial/Quaest revela que 46% dos brasileiros têm mais medo de um novo governo da família Bolsonaro do que da continuidade de Lula, que preocupa 38%.
  • 8% veem perigo em ambas as possibilidades, enquanto 4% não têm medo de nenhuma, e outros 4% não responderam ou estão indecisos.
  • A diferença de medo entre os dois cenários é de oito pontos percentuais, a maior registrada até agora.
  • O temor em relação ao retorno de Bolsonaro aumentou desde março, enquanto a preocupação com Lula caiu.
  • Entre independentes, 38% temem a volta de Bolsonaro e 36% temem novo governo Lula.
  • Eleitores identificados como lulistas têm receio maior de Bolsonaro, enquanto bolsonaristas temem mais Lula.
  • A polarização política continua no Brasil, com Lula liderando intenções de voto em cenários de primeiro e segundo turno contra Flávio Bolsonaro.
  • A aprovação de Lula melhorou, mas 51% dos entrevistados não apoiam um novo mandato enquanto 45% apoiam.
  • A avaliação geral do governo está dividida, com resultados empatados técnica e estatisticamente.

Agência Senado Flávio Bolsonaro: interesse da família fala mais alto
Flávio Bolsonaro: interesse da família fala mais alto

O retorno da família Bolsonaro ao poder é o cenário político que mais preocupa os brasileiros, segundo a pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (15). O levantamento mostra que 46% dos entrevistados afirmam ter mais medo de um novo governo liderado pelo clã Bolsonaro, enquanto 38% dizem temer mais a continuidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Outros 8% dos entrevistados responderam que têm medo das duas possibilidades, 4% afirmaram não temer nenhum dos cenários e 4% disseram não saber ou preferiram não responder.

Os dados indicam que a diferença entre os dois grupos chegou a oito pontos percentuais, a maior registrada nas pesquisas recentes realizadas pelo instituto.

Diferença aumentou em julho

Na pesquisa divulgada em junho, 44% apontavam o retorno da família Bolsonaro como o cenário mais preocupante, enquanto 40% demonstravam maior receio de um novo governo Lula. Em julho, a preocupação com o retorno do grupo político aumentou dois pontos percentuais, ao passo que o temor em relação ao presidente caiu dois pontos.

A distância entre os dois indicadores vem crescendo desde março. Naquele mês, o levantamento mostrava um cenário praticamente equilibrado: 43% diziam temer mais a volta dos Bolsonaro e 42% manifestavam maior preocupação com um novo mandato de Lula.

Nos meses seguintes, o índice relacionado ao retorno do bolsonarismo permaneceu em 43% em abril, subiu para 44% em maio e junho e alcançou 46% na pesquisa mais recente. Já o percentual dos que temem outro governo Lula caiu de 42%, em março, para 38% em julho.

Independentes aparecem divididos

O levantamento também analisou as respostas conforme o posicionamento político dos entrevistados. Entre os eleitores que se identificam como independentes, 38% afirmaram ter mais medo da volta da família Bolsonaro, enquanto 36% disseram temer mais um novo governo Lula.

Segundo a Quaest, esse grupo representa 33% da amostra, sendo o maior segmento entre as categorias de posicionamento político consideradas na pesquisa.

Entre os eleitores que se declaram lulistas, a ampla maioria aponta o retorno da família Bolsonaro como o cenário mais preocupante. Já entre os bolsonaristas ocorre o inverso: a maior parte afirma temer mais a continuidade de Lula na Presidência.

Polarização segue predominando

Os resultados reforçam a polarização que continua marcando o cenário político brasileiro. Mesmo sem o ex-presidente Jair Bolsonaro figurar diretamente nas simulações eleitorais, sua família permanece como principal referência do campo político de oposição ao governo federal.

Na pesquisa estimulada para o primeiro turno da eleição presidencial, Lula aparece com 40% das intenções de voto, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) registra 28%, uma diferença de 12 pontos percentuais.

Em um eventual segundo turno, Lula alcança 45%, contra 37% de Flávio Bolsonaro. Outros 14% afirmam que votariam em branco, anulariam o voto ou não compareceriam às urnas, enquanto 4% permanecem indecisos.

Lula melhora aprovação, mas maioria não quer novo mandato

Apesar da melhora nos índices de aprovação do governo, a pesquisa mostra que a maioria dos entrevistados ainda não apoia a permanência de Lula na Presidência por mais quatro anos. Questionados se o presidente merece um novo mandato, 51% responderam que não, enquanto 45% disseram que sim. Outros 4% não souberam ou não responderam.

Na avaliação do governo, 48% aprovam a gestão de Lula e 47% desaprovam. A margem de erro é de dois pontos percentuais, configurando um cenário de empate técnico. Já a avaliação geral da administração federal mostra que 36% classificam o governo como positivo, 36% como negativo e 26% como regular.

A pesquisa Genial/Quaest ouviu 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais, entre os dias 10 e 13 de julho de 2026. O levantamento tem margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O estudo foi registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-07181/2026.

Fonte: Brasil 247