Política

DECLARAÇÃO

Eduardo Bolsonaro guardou R$ 250 mil de “rachadinha” em cofre na Câmara, diz ex-aliado

Alexandre Junqueira, conhecido como “Carioca de Suzano”, diz que dinheiro seria fruto de suposto esquema de rachadinha; acusações foram negadas ou não comentadas por envolvidos

Da Redação

04 de agosto de 2026 às 14:53 ▪ Atualizado há 1 hora

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  • Alexandre Junqueira alega que Eduardo Bolsonaro mantinha um cofre com R$ 250 mil em seu gabinete na Câmara dos Deputados.
  • Dinheiro seria de "rachadinha", onde parte dos salários de servidores era devolvida.
  • O valor teria sido usado como entrada para um apartamento no Rio de Janeiro.
  • Junqueira, ex-aliado de Bolsonaro, deu entrevista detalhando essas acusações.
  • Conheceu Bolsonaro em 2017 e trabalhou como motorista em 2018.
  • Voltou a denunciar práticas de devolução de salários, mas caso foi arquivado em 2020 por falta de provas.
  • Eduardo Bolsonaro comprou imóveis com pagamentos em dinheiro vivo, levantando suspeitas.
  • Eduardo Bolsonaro e Gil Diniz não responderam ou negaram acusações sobre o cofre.
  • Eduardo reside atualmente nos EUA após perder mandato por faltas acumuladas.

Foto: Arquivo Pessoal Eduardo Bolsonaro e Alexandre Junqueira
Eduardo Bolsonaro e Alexandre Junqueira

O ex-aliado do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), Alexandre Junqueira, conhecido como “Carioca de Suzano”, afirmou que havia um cofre instalado no antigo gabinete do parlamentar na Câmara dos Deputados com cerca de R$ 250 mil em espécie. Segundo ele, o dinheiro teria origem em um suposto esquema de devolução de parte dos salários de servidores, prática conhecida como “rachadinha”.

As declarações foram dadas em entrevista à jornalista Juliana Dal Piva, do ICL Notícias. De acordo com Junqueira, o valor acumulado no cofre teria sido utilizado por Eduardo Bolsonaro como entrada para a compra de um apartamento no Rio de Janeiro.

A existência do suposto cofre já havia sido mencionada por Junqueira em outubro de 2025, durante a série documental em áudio “Quem matou a política?”, produzida pela Audible em parceria com a Rádio Escafandro e a Rádio Guarda-Chuva. Segundo ele, posteriormente decidiu apresentar novos detalhes sobre o caso.

Relato sobre suposto esquema no gabinete

Junqueira afirmou que conheceu Eduardo Bolsonaro em 2017, após contato pelas redes sociais, e passou a produzir conteúdos de apoio ao então deputado e à família Bolsonaro. Ele também relatou que atuou como motorista durante a campanha eleitoral de 2018.

Segundo o ex-aliado, após a eleição de Jair Bolsonaro à Presidência da República, Eduardo teria solicitado ao então deputado estadual Gil Diniz (PL) a nomeação dele para um cargo na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).

No relato apresentado ao ICL Notícias, Junqueira afirmou que participou de conversas relacionadas à organização do gabinete de Gil Diniz e que teria tomado conhecimento da existência do cofre.

“Duda [Eduardo Bolsonaro] tinha dois [funcionários] no gabinete que ganhavam cheio e devolviam a metade. E nós tínhamos um cofre no gabinete e pegávamos essa metade e colocava no cofre e juntou R$ 250 mil. Um belo dia, o Duda chegou lá, passou a mão nesses R$ 250 mil para dar de entrada no apartamento e chegou na campanha nós não tínhamos R$ 5 mil pra pagar uma nota de campanha”, afirmou.

Ainda segundo Junqueira, a administração dos valores ficaria sob responsabilidade de Eric de Castro Roma, assessor do gabinete e agente administrativo da Polícia Federal. Conforme a reportagem do ICL Notícias, ele não foi localizado para comentar as acusações.

Acusações envolvendo entrega de dinheiro

O ex-aliado também declarou que teria entregue dinheiro em espécie para Gil Diniz por determinação de Eduardo Bolsonaro.

“Eu tava com o Eduardo e no outro dia eu ia pegar o Gil e ele me deu o dinheiro na minha mão pra passar pro Gil e eu entreguei pro Gil. Eram R$ 3 mil. (…) O Gil foi exonerado, porém ele não deixou de receber salário. Ele continuou recebendo no rateio do gabinete”, relatou.

As declarações retomam denúncias feitas anteriormente por Junqueira contra aliados de Eduardo Bolsonaro. Em 2019, ele apresentou uma denúncia ao Ministério Público de São Paulo envolvendo suposta devolução de salários no gabinete de Gil Diniz.

O procedimento foi arquivado em 2020. Na decisão, o promotor Ricardo Manuel Castro apontou a existência de saques em espécie feitos por assessores próximos às datas de pagamento, mas afirmou que não havia elementos suficientes para comprovar que os valores eram destinados ao deputado estadual.

Compras de imóveis e pagamentos em dinheiro vivo

As novas declarações também voltaram a levantar questionamentos sobre compras de imóveis realizadas por Eduardo Bolsonaro.

Em 2020, reportagem publicada por Juliana Dal Piva e Chico Otavio, no jornal O Globo, apontou que o então deputado utilizou dinheiro em espécie na aquisição de dois apartamentos no Rio de Janeiro.

Um dos imóveis, localizado em Botafogo, teria sido comprado em 2016 por R$ 1 milhão, com registro de pagamento de R$ 100 mil em dinheiro vivo. Outro apartamento, em Copacabana, adquirido em 2011, teria registrado pagamento de R$ 50 mil em espécie.

Em 2022, Eduardo Bolsonaro afirmou que a compra do imóvel em Copacabana foi feita de forma regular e declarou que os valores eram compatíveis com sua remuneração.

Envolvidos se manifestam

O ICL Notícias informou que tentou contato com Eduardo Bolsonaro e Sonaira Fernandes, mas não recebeu resposta.

Gil Diniz afirmou desconhecer a existência de qualquer cofre no gabinete de Eduardo Bolsonaro. Segundo a reportagem, ele não respondeu aos questionamentos sobre o suposto recebimento de dinheiro em espécie durante a campanha eleitoral de 2018.

Eduardo Bolsonaro atualmente mora nos Estados Unidos. Seu mandato como deputado federal foi encerrado após decisão relacionada ao número de faltas acumuladas durante o período em que permaneceu no exterior.

Fonte: Revista Fórum