Política

DISPUTA INTERNA

Perfis bolsonaristas relatam oferta de R$ 100 para atacar rivais dentro do PL

Conversas e publicações no X apontam suposto financiamento de ataques virtuais contra apoiadores de alas opostas do partido

Por Redação

03 de novembro de 2026 às 16:04 ▪ Atualizado há 1 hora


Reprodução Família Bolsonaro foge de barco
Família Bolsonaro foge de barco

Perfis bolsonaristas afirmaram ter recebido propostas de pagamento para atacar adversários políticos nas redes sociais, inclusive apoiadores de alas diferentes do próprio Partido Liberal (PL). Segundo apuração da Folha de S.Paulo, conversas e mensagens compartilhadas na plataforma X indicam que integrantes da legenda teriam financiado ações coordenadas para enfraquecer grupos rivais dentro do partido. Uma das ofertas mencionadas pelos participantes seria de R$ 100 por perfil atacado.

Os relatos foram apresentados em publicações e transmissões ao vivo na rede social. Um dos principais episódios ocorreu durante a live Space Arena, organizada pelo apoiador bolsonarista Rafael Cavalcanti, em 25 de agosto. Na transmissão, os participantes discutiram a existência de uma lista com 50 perfis que estariam na mira de alas adversárias do PL.

Ao todo, 58 pessoas participaram da conversa, que ficou disponível publicamente no perfil do organizador até a desativação da conta, registrada depois de 21 de outubro.

Lista teria 50 perfis e pagamento por ataques

Durante a transmissão, um dos participantes questionou a existência de uma relação de usuários que receberiam ataques coordenados mediante pagamento.

“Chegou para mim que chegou uma lista para você com 50 nomes, te oferecendo dinheiro pra você cancelar essa pessoa. Cancelar, bloquear e não dar voz. É verdade isso?”, perguntou.

Outro usuário confirmou que havia uma lista, mas afirmou que não aceitou participar da estratégia remunerada. Questionado sobre o valor oferecido, confirmou o pagamento de R$ 100 por nome e declarou: “Não me vendi”.

Na mesma conversa, o participante afirmou que já havia recebido dinheiro para fazer campanhas políticas fora das redes sociais durante a pré-campanha eleitoral, em favor de nomes do PL.

“Eu ia fazer umas campanhas aqui no Twitter, tinha alguns pré-candidatos (…) do PL tinha alguns nomes. Enfim, não vou citar esses nomes, não sou bobo, que são figuras carimbadas”, relatou.

“Não estou apoiando pré-candidatos aqui no Twitter [antigo nome do X], mas fora do Twitter estou apoiando pré-candidatos, estou recebendo dinheiro fora do Twitter”, acrescentou.

As orientações mencionadas nas conversas incluíam bloquear perfis, silenciar usuários e utilizar bots para ampliar os ataques contra adversários internos.

Eduardo Bolsonaro é citado nos relatos

Em publicações feitas depois da transmissão, outros usuários também relataram ter recebido instruções para participar de ataques coordenados. Em um dos casos, Eduardo Bolsonaro teria sido apontado como responsável por orientações contra apoiadores do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).

A disputa envolve diferentes grupos do bolsonarismo. Eduardo Bolsonaro criticou publicamente Nikolas Ferreira por considerar insuficiente seu engajamento na pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro. O deputado mineiro e seus aliados, por outro lado, defenderam que sua atuação deveria se concentrar no desgaste do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e na mobilização de pautas conservadoras.

Um dos usuários que afirmou estar entre os nomes da lista questionou se os ataques estariam sendo financiados com recursos partidários. Em uma publicação, também cobrou explicações do PL e de Flávio Bolsonaro.

Procurados, envolvidos não confirmaram denúncias

A Folha de S.Paulo informou que procurou Eduardo Bolsonaro por mensagem enviada ao número pessoal do ex-deputado e também por meio de seu aliado Paulo Figueiredo. Em resposta, Figueiredo afirmou que Eduardo disse desconhecer o episódio.

A assessoria do PL e a campanha de Flávio Bolsonaro também foram procuradas por WhatsApp e e-mail, mas não responderam. Rafael Cavalcanti, responsável pela transmissão Space Arena, não foi localizado pela reportagem.

Segundo a Folha, os perfis envolvidos foram identificados como contas reais, ativas desde pelo menos 2021, e não como robôs de publicações automatizadas. A apuração também identificou relatos de disputas internas que teriam como objetivo enfraquecer grupos rivais dentro da direita.

Fonte: ICL notícias



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