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Limma destaca reconhecimento de território de quebradeiras pelo Incra no Piauí

Medida inédita no Brasil beneficia 123 famílias de quebradeiras de coco em São João do Arraial

Da Redação

02 de setembro de 2026 às 12:12 ▪ Atualizado há 1 hora

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  • O Território Tradicional Quebradeiras de Coco Santa Rosa no Piauí foi reconhecido pelo Incra para inclusão no Programa Nacional de Reforma Agrária.
  • O reconhecimento oficial beneficia 123 famílias que dependem do extrativismo do babaçu.
  • A portaria nº 2.149, de 20 de agosto de 2026, formalizou o reconhecimento.
  • Isso permite acesso a políticas de crédito, assistência técnica e apoio à produção.
  • Representa uma mudança na atuação do Incra que antes focava em assentamentos e territórios quilombolas.
  • A mobilização das quebradeiras de coco foi crucial para essa conquista.
  • O parlamentar Francisco Limma destacou a importância da luta das mulheres do território.
  • Em fevereiro de 2025, Santa Rosa recebeu a titulação coletiva do território.
  • O reconhecimento também é importante para preservação dos babaçuais e práticas tradicionais.
  • A iniciativa abre precedente para reconhecimento de outros territórios tradicionais no Brasil.

Reprodução Território Tradicional Quebradeiras de Coco Santa Rosa reúne 123 famílias
Território Tradicional Quebradeiras de Coco Santa Rosa reúne 123 famílias

O Território Tradicional Quebradeiras de Coco Santa Rosa, localizado em São João do Arraial, no Norte do Piauí, tornou-se o primeiro território tradicional do Brasil reconhecido pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para fins de inclusão no Programa Nacional de Reforma Agrária (PNRA). A medida beneficia 123 famílias, que vivem e trabalham em uma área de 1.162 hectares e têm o extrativismo do babaçu como uma das principais fontes de renda.

O reconhecimento foi oficializado por meio da Portaria nº 2.149, de 20 de agosto de 2026. O documento também autorizou o início da análise das unidades familiares para identificar quais poderão integrar a Relação de Beneficiários do Programa Nacional de Reforma Agrária.

O deputado estadual Francisco Limma (PT), que acompanha há anos as reivindicações das quebradeiras de coco, destacou a importância da decisão para as famílias do território.

“Com o reconhecimento, abre-se a possibilidade de essas famílias acessarem políticas destinadas aos beneficiários da reforma agrária, como crédito, assistência técnica e apoio à produção. É uma conquista que dá mais força a uma luta construída há muitos anos”, afirmou.

Reconhecimento representa mudança no Incra

A decisão também representa uma mudança na forma de atuação do Incra em relação aos povos e comunidades tradicionais. Segundo o perito federal territorial da Coordenação-Geral de Regularização Fundiária de Territórios de Povos e Comunidades Tradicionais do Incra, Paulo Gustavo, o reconhecimento representa uma quebra de paradigma dentro do órgão.

A atuação do Incra nessa área estava concentrada principalmente em projetos de assentamento e territórios quilombolas. Com a criação de uma estrutura específica para atender outros povos e comunidades tradicionais, o órgão amplia a possibilidade de reconhecimento e atendimento de grupos que ainda não possuem procedimentos próprios para identificação e delimitação de seus territórios.

A medida abre caminho para que comunidades com formas tradicionais de ocupação e uso da terra possam ser contempladas por políticas públicas relacionadas à reforma agrária, respeitando as características de cada território.

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Encontro com as quebradeiras de coco de Santa Rosa | Foto: reprodução

Quebradeiras lutam pela preservação do território

Para Francisco Limma, a conquista é resultado principalmente da mobilização das próprias quebradeiras de coco de Santa Rosa, que há anos reivindicam o reconhecimento e a garantia de direitos sobre o território.

“Essa vitória é fruto da luta e da resistência de mulheres que nunca abriram mão do direito de viver, trabalhar e preservar esse território”, disse.

Natural de São João do Arraial, o parlamentar tem entre as principais pautas de sua atuação a agricultura familiar, o extrativismo do babaçu e a defesa dos direitos dos povos e comunidades tradicionais.

A comunidade Santa Rosa já havia conquistado outro avanço importante em fevereiro de 2025, quando recebeu a titulação coletiva do território. Segundo o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), Santa Rosa é o segundo território coletivo de quebradeiras de coco regularizado no Brasil.

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 Quebradeira de coco | Foto: reprodução

Babaçu é fonte de renda e preservação

Além da importância econômica para as famílias, a atividade das quebradeiras de coco está diretamente relacionada à preservação dos babaçuais. O trabalho extrativista envolve conhecimentos tradicionais transmitidos entre gerações e aproveitamento de diferentes partes do fruto.

A relação das famílias com o território vai além da geração de renda. O modo de vida das quebradeiras está associado à conservação dos babaçuais e à manutenção de práticas tradicionais de manejo e aproveitamento dos recursos naturais.

Com o reconhecimento pelo Incra, as 123 famílias do Território Tradicional Quebradeiras de Coco Santa Rosa passam a ter a possibilidade de acessar políticas públicas destinadas aos beneficiários da reforma agrária, dependendo da análise individual das unidades familiares.

A iniciativa também estabelece um precedente para outras comunidades tradicionais do país que buscam o reconhecimento de seus territórios e o acesso a políticas públicas voltadas à permanência das famílias no campo e à valorização de seus modos tradicionais de vida e produção.