Política

ELEIÇÕES 2026

Compilado de pesquisas mostra que Rafael Fonteles caminha para reeleição no 1º turno

Levantamentos dos últimos três meses indicam vantagem confortável do governador petista. Mas campanha exige estratégia clara e cautela

Por Luiz Brandão

19 de agosto de 2026 às 15:14 ▪ Atualizado há 52 minutos

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  • Rafael Fonteles (PT) lidera as pesquisas para o governo do Piauí com mais de 50% dos votos válidos, apontando vitória no primeiro turno.
  • As pesquisas foram realizadas entre maio e agosto de 2026 por diversos institutos.
  • Apenas o Instituto Veritá mostrou um empate técnico entre Fonteles e Joel Rodrigues (PP).
  • Outros institutos, como AtlasIntel e Real Time Big Data, mostram vantagem significativa para Fonteles.
  • A credibilidade das pesquisas é questionada pelas metodologias variadas, mas a tendência geral favorece Fonteles.
  • Fonteles é o atual governador e disputa reeleição em um cenário aparentemente favorável.
  • A oposição não apresentou força suficiente ou união para reverter essa vantagem.
  • A margem de indecisos ainda permite alterações nos resultados, mas a vantagem atual de Fonteles é difícil de ser superada.
  • A possibilidade de grandes mudanças nos percentuais nas próximas semanas é considerada improvável.
  • O cenário sugere que Fonteles pode garantir a vitória no primeiro turno nas eleições de 2026.

Fotomontagem Piauí Hoje Rafael Fonteles e Joel Rodrigues disputam o Palácio de Karnak
Rafael Fonteles e Joel Rodrigues disputam o Palácio de Karnak

A 45 das eleições de 2026, o governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), lidera com folga todas as pesquisas de intenção de voto para o Palácio de Karnak realizadas entre maio e agosto. A grande maioria dos levantamentos aponta o petista com percentuais acima dos 50% dos votos válidos, o que, na prática, o coloca como franco favorito para vencer o pleito no primeiro turno. A exceção notável vem do Instituto Veritá, que, em pesquisa de julho, registrou um empate técnico entre Fonteles e o principal adversário, Joel Rodrigues (PP).

Dos 12 levantamentos compilados pelo portal Piauí Hoje com ajuda de IA (Inteligência Artificial), realizados por sete institutos diferentes, no período de 13 de maio a 13 de agosto de 2026, Rafael Fonteles aparece muito à frente do seu principal adversário em 11 deles. A vantagem do governador varia de apenas 0,4 ponto percentual (na pesquisa Veritá de julho) até mais de 50 pontos (no Data AZ de maio/junho).

Os institutos que mais se repetiram no período foram a AtlasIntel (três pesquisas: maio, junho e julho), a Amostragem (duas: junho e julho) e o Vetor/Vetor3 (duas: junho e julho-agosto). Outros institutos que contribuíram com levantamentos únicos ou esporádicos foram Real Time Big Data, Veritá, Data AZ, GP1 e Datamax.

Análise por institutos

Para que não teste dúvidas sobre os números, vamos analisar os aspectos mais importantes do trabalho e da matedologia de cada instituto avaliado neste compilado de dados.

AtlasIntel 

Vamos começar pelacAtlasIntel, que apresenta uma consistência de resultados acima de 60%. As pesquisas AtlasIntel contratadas pelo jornal Meio Norte e registrada no TSE mantiveran uma linha estável em seus três levantamentos. Rafael aparece com 63,4% em maio, 63,5% em junho e 64,2% em julho. Joel Rodrigues oscilou entre 21,7% e 24,7%. A margem de erro de 3 pontos percentuais para mais ou para menos.1002174945.jpgEm todas as pesquisas o instituto ouviu 1.200 pessoas, seguindo um tamanho de amostra que segue os padrões aceitáveis para pesquisas eleitorais. A consistência temporal sugere metodologia robusta, embora a ausência de oscilações significativas levante a questão de quão sensível o instrumento é a movimentações de curto prazo.

Real Time Big Data

O Real Time Big Data não deixa dúvidas e mostra vitória expressa de Rafael Fonteles logo no 1º turno. Com a maior amostragem do período (1.600 entrevistados entre 11 e 13 de julho e margem de erro de apenas ±2 pontos percentuais) o instituto apontou Fonteles com 64% e Joel Rodrigues com 23%. A pesquisa foi registrada no TSE como PI-06473/2026 e também simulou segundo turno, onde Fonteles venceria por 65% a 25%. A metodologia por formulário eletrônico, no entanto, é criticada por alguns especialistas por potencial viés de acesso digital, embora a amostra ampla compense parcialmente essa limitação.1002174951.jpgAmostragem 

Considerado o instituto de maior credibilidade em pesquisas eleitorais no Piauí, o Amostragem foi o que mostrou os maiores percentuais favoráveis ao governador: 73,02% em junho e 72,41% em julho, ambos com amostras de 1.137 entrevistados e margem de mais ou menos 2,85 pontos. A ausência de indecisos inflaciona artificialmente os percentuais brutos e exige leitura cautelosa: quando convertidos para votos válidos, os números ainda são altos, mas a metodologia de tratamento de respostas "não sabe" merece transparência adicional.1002174949.jpgVeritá 

O único levantamento discrepante é a pesquisa do Instituto Veritá, realizada entre 7 e 11 de julho com 1.200 entrevistados. Ele é o único levantamento do período que não coloca Fonteles na zona de vitória no primeiro turno. Os números apontaram 38,9% para Fonteles e 38,5% para Joel Rodrigues, uma diferença de apenas 0,4 ponto, dentro da margem de erro de 3 pontos percentuais para mais ou para menos., configurando empate técnico.1002174947.jpgA discrepância em relação aos demais institutos é gritante. Enquanto AtlasIntel, Real Time Big Data e Amostragem apontavam vantagens de 40 a 54 pontos percentuais, o Veritá mostrava empate. Em simulação de segundo turno, inclusive, o Veritá dava vantagem a Joel Rodrigues (43,7% a 39,4%), o oposto de todos os outros levantamentos.

Analistas eleitorais consultados pelo Piauí Hoje apontam que o Veritá tem histórico de resultados mais voláteis em comparação com institutos como Datafolha e Ipec, embora nenhum instituto seja infalível. A divergência pode refletir diferenças na coleta de dados (presencial vs. telefônica vs. online), no roteiro de perguntas ou na ponderação da amostra. 1002174950.jpgVetor/Vetor3

As duas pesquisa Vetor (junho) e a Vetor3 (julho-agosto) apresentaram resultados intermediários: 55,12% e 56,53% para Fonteles, respectivamente, contra 24,83% e 26,5% para Joel. O ponto de atenção nos dois levantamentos está nos indecisos: 15,7% na primeira e 13,81% na segunda. Se esses eleitores migrarem majoritariamente para o adversário, a vantagem de Fonteles poderia reduzir-se, embora ainda permaneça confortável.

Data AZ e GP1

A pesquisa do Data AZ (maio/junho) apontou a maior vantagem de todo o período para Rafael contra Joel: 63,17% a 12,25%, mas com 22,5% de indecisos, a maior taxa entre os institutos. Já o levantamento do GP1 (agosto), com 1.200 entrevistados, registrou 50,6% para Fonteles e 16,3% para Joel, com 30% de indecisos. Esses percentuais elevados de indecisos sugerem que parcela significativa do eleitorado ainda não consolidou escolha, o que é natural a mais de seis semanas da eleição, mas que também pode indicar que a disputa ainda tem espaço para movimentação.1002174948.jpgDatamax

A pesquisa do Datamax (julho/agosto), por sua vez, apontou 75,69% dos votos válidos para Rafael Fonteles, o maior percentual do período quando considerados apenas votos válidos. A metodologia de exclusão de brancos, nulos e indecisos eleva artificialmente os números, exigindo comparação criteriosa com pesquisas que apresentam totais brutos.1002174957.jpgA possibilidade de reeleição no 1º turno

Para vencer no primeiro turno, um candidato precisa de mais de 50% e mais um dos votos válidos, quando são excluídos pela Justiça Eleitoral o total de votos brancos, nulos e abstenções.

Considerando as pesquisas que já apresentam projeção de votos válidos ou percentuais brutos acima de 50%, Rafael Fonteles estaria eleito no 1º turno para pelo menos 9 dos 12 levantamentos compilados. Os institutos Amostragem (ambas), AtlasIntel (todas), Real Time Big Data, Data AZ, Datamax e Vetor3 apontam percentuais compatíveis com vitória sem segundo turno.

A pesquisa GP1 de agosto, com 50,6% brutos, também sugere vitória do petista no 1º turno quando convertida para votos válidos, o que ocorreria naturalmente pela redistribuição dos indecisos proporcionalmente ou pela exclusão de brancos e nulos. As pesquisas do Vetor de junho (55,12%) e a do Vetor3 de julho-agosto (56,53%) também indicam vitória do governador no 1º turno.

A única pesquisa que não aponta Fonteles acima de 50% é a Veritá de julho (38,9%), que, além de não indicar vitória no primeiro turno, coloca o governador tecnicamente empatado com Joel Rodrigues.1002174958.jpgO que os números realmente dizem?

1. Consistência majoritária

A regra básica da análise de pesquisas eleitorais é: um levantamento isolado não deve sobrepor uma tendência consolidada. Com exceção do Veritá, todos os institutos — de perfis e metodologias distintos — convergem para a mesma direção: vantagem expressiva de Rafael Fonteles. A divergência do Veritá, embora mereça atenção, não é suficiente para descaracterizar o cenário dominante. O mais provável é que o Veritá esteja captando uma parcela específica do eleitorado ou utilizando abordagem metodológica que produz resultados sistematicamente diferentes.

2. O efeito da reeleição do governo

Rafael Fonteles governa o Piauí desde 2023 e disputa a reeleição com o aparato das realizações do governo. Pesquisas de aprovação de governo (não contempladas neste compilado, mas frequentemente correlacionadas) tendem a favorecer candidatos à reeleição quando a gestão não enfrenta crises agudas. A vantagem de 40 a 50 pontos em múltiplos institutos sugere que o eleitor piauiense reconhece a gestão Fonteles como positiva ou, pelo menos, não vê motivos para mudança.

3. A fraqueza da oposição

Joel Rodrigues, ex-prefeito de Floriano e presidente estadual do PP, é o nome mais bem colocado na oposição, mas oscila entre 12% e 26% nas pesquisas — nunca ameaçando a liderança de Fonteles de forma consistente. A dispersão dos votos de oposição entre candidatos de PL, Novo, PSOL, PSDB e outros partidos menores (que somam, no máximo, 3% a 4% individualmente) impede a construção de uma frente alternativa viável. O desistência de Toni Rodrigues (PL) em julho e de Mainha (Podemos) na mesma época reforçou a concentração em torno de Joel, mas sem alterar a correlação de forças.

4. Metodologias

As pesquisas compiladas utilizam três abordagens principais: Presencial, telefônica e  mista e on-line por formulário. A metodologia não detalhada dificulta a avaliação. A falta de padronização na apresentação de resultados, alguns com votos válidos, outros com totais brutos, alguns sem indecisos, exige que o eleitor comparem os dados com cautela. No entanto, a média dos levantamentos mais recentes e tamanho das amostras, coloca Rafael Fonteles na casa dos 58% a 62% dos votos válidos, bem acima do limiar de 50%, que indica possibilidade vitória no primeiro turno.

5 - O fator tempo

Falta pouco mais de seis semanas para o dia 4 de outubro. Em eleições brasileiras, a reta final costuma ser volátil: debates na TV, inserções de rádio e TV, denúncias de última hora e mobilização de bases podem alterar percentuais. No entanto, uma vantagem de 30 a 40 pontos percentuais, consolidada em múltiplos institutos ao longo de três meses, é historicamente difícil de ser revertida em tão pouco tempo. A menos que ocorra um evento político de grande magnitude, a reeleição de Fonteles no primeiro turno é o cenário mais provável.

O cenário é vitória no primeiro turno

O compilado das pesquisas eleitorais para o governo do Piauí entre maio e agosto de 2026 desenha um cenário de domínio expressivo de Rafael Fonteles (PT) sobre a oposição. Com exceção do Instituto Veritá, todos os levantamentos apontam o governador com percentuais compatíveis com vitória no primeiro turno — alguns de forma avassaladora.

Uma análise mais profunda recomenda cautela com o resultado atípico da pesquisa do Veritá, que merece atenção mas não deve ser isoladamente determinante para a leitura do cenário. A consistência temporal da AtlasIntel, a amostragem robusta do Real Time Big Data e os percentuais elevados da Amostragem e Datamax convergem para a mesma conclusão: Rafael Fonteles caminha para ser reeleito governador do Piauí no primeiro turno das eleições de 2026.

Resta ao eleitor, aos analistas e aos próprios candidatos monitorar a reta final. Mas, pelo que dizem os números hoje, a disputa pelo Palácio de Karnak está muito próxima de ser definida em 4 de outubro.

Fonte: Pesquisa divulgadas