ELEIÇÕES 2026
Por Luiz Brandão
19 de agosto de 2026 às 15:14 ▪ Atualizado há 52 minutos
A 45 das eleições de 2026, o governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), lidera com folga todas as pesquisas de intenção de voto para o Palácio de Karnak realizadas entre maio e agosto. A grande maioria dos levantamentos aponta o petista com percentuais acima dos 50% dos votos válidos, o que, na prática, o coloca como franco favorito para vencer o pleito no primeiro turno. A exceção notável vem do Instituto Veritá, que, em pesquisa de julho, registrou um empate técnico entre Fonteles e o principal adversário, Joel Rodrigues (PP).
Dos 12 levantamentos compilados pelo portal Piauí Hoje com ajuda de IA (Inteligência Artificial), realizados por sete institutos diferentes, no período de 13 de maio a 13 de agosto de 2026, Rafael Fonteles aparece muito à frente do seu principal adversário em 11 deles. A vantagem do governador varia de apenas 0,4 ponto percentual (na pesquisa Veritá de julho) até mais de 50 pontos (no Data AZ de maio/junho).
Os institutos que mais se repetiram no período foram a AtlasIntel (três pesquisas: maio, junho e julho), a Amostragem (duas: junho e julho) e o Vetor/Vetor3 (duas: junho e julho-agosto). Outros institutos que contribuíram com levantamentos únicos ou esporádicos foram Real Time Big Data, Veritá, Data AZ, GP1 e Datamax.
Análise por institutos
Para que não teste dúvidas sobre os números, vamos analisar os aspectos mais importantes do trabalho e da matedologia de cada instituto avaliado neste compilado de dados.
AtlasIntel
Vamos começar pelacAtlasIntel, que apresenta uma consistência de resultados acima de 60%. As pesquisas AtlasIntel contratadas pelo jornal Meio Norte e registrada no TSE mantiveran uma linha estável em seus três levantamentos. Rafael aparece com 63,4% em maio, 63,5% em junho e 64,2% em julho. Joel Rodrigues oscilou entre 21,7% e 24,7%. A margem de erro de 3 pontos percentuais para mais ou para menos.
Em todas as pesquisas o instituto ouviu 1.200 pessoas, seguindo um tamanho de amostra que segue os padrões aceitáveis para pesquisas eleitorais. A consistência temporal sugere metodologia robusta, embora a ausência de oscilações significativas levante a questão de quão sensível o instrumento é a movimentações de curto prazo.
Real Time Big Data
O Real Time Big Data não deixa dúvidas e mostra vitória expressa de Rafael Fonteles logo no 1º turno. Com a maior amostragem do período (1.600 entrevistados entre 11 e 13 de julho e margem de erro de apenas ±2 pontos percentuais) o instituto apontou Fonteles com 64% e Joel Rodrigues com 23%. A pesquisa foi registrada no TSE como PI-06473/2026 e também simulou segundo turno, onde Fonteles venceria por 65% a 25%. A metodologia por formulário eletrônico, no entanto, é criticada por alguns especialistas por potencial viés de acesso digital, embora a amostra ampla compense parcialmente essa limitação.
Amostragem
Considerado o instituto de maior credibilidade em pesquisas eleitorais no Piauí, o Amostragem foi o que mostrou os maiores percentuais favoráveis ao governador: 73,02% em junho e 72,41% em julho, ambos com amostras de 1.137 entrevistados e margem de mais ou menos 2,85 pontos. A ausência de indecisos inflaciona artificialmente os percentuais brutos e exige leitura cautelosa: quando convertidos para votos válidos, os números ainda são altos, mas a metodologia de tratamento de respostas "não sabe" merece transparência adicional.
Veritá
O único levantamento discrepante é a pesquisa do Instituto Veritá, realizada entre 7 e 11 de julho com 1.200 entrevistados. Ele é o único levantamento do período que não coloca Fonteles na zona de vitória no primeiro turno. Os números apontaram 38,9% para Fonteles e 38,5% para Joel Rodrigues, uma diferença de apenas 0,4 ponto, dentro da margem de erro de 3 pontos percentuais para mais ou para menos., configurando empate técnico.
A discrepância em relação aos demais institutos é gritante. Enquanto AtlasIntel, Real Time Big Data e Amostragem apontavam vantagens de 40 a 54 pontos percentuais, o Veritá mostrava empate. Em simulação de segundo turno, inclusive, o Veritá dava vantagem a Joel Rodrigues (43,7% a 39,4%), o oposto de todos os outros levantamentos.
Analistas eleitorais consultados pelo Piauí Hoje apontam que o Veritá tem histórico de resultados mais voláteis em comparação com institutos como Datafolha e Ipec, embora nenhum instituto seja infalível. A divergência pode refletir diferenças na coleta de dados (presencial vs. telefônica vs. online), no roteiro de perguntas ou na ponderação da amostra.
Vetor/Vetor3
As duas pesquisa Vetor (junho) e a Vetor3 (julho-agosto) apresentaram resultados intermediários: 55,12% e 56,53% para Fonteles, respectivamente, contra 24,83% e 26,5% para Joel. O ponto de atenção nos dois levantamentos está nos indecisos: 15,7% na primeira e 13,81% na segunda. Se esses eleitores migrarem majoritariamente para o adversário, a vantagem de Fonteles poderia reduzir-se, embora ainda permaneça confortável.
Data AZ e GP1
A pesquisa do Data AZ (maio/junho) apontou a maior vantagem de todo o período para Rafael contra Joel: 63,17% a 12,25%, mas com 22,5% de indecisos, a maior taxa entre os institutos. Já o levantamento do GP1 (agosto), com 1.200 entrevistados, registrou 50,6% para Fonteles e 16,3% para Joel, com 30% de indecisos. Esses percentuais elevados de indecisos sugerem que parcela significativa do eleitorado ainda não consolidou escolha, o que é natural a mais de seis semanas da eleição, mas que também pode indicar que a disputa ainda tem espaço para movimentação.
Datamax
A pesquisa do Datamax (julho/agosto), por sua vez, apontou 75,69% dos votos válidos para Rafael Fonteles, o maior percentual do período quando considerados apenas votos válidos. A metodologia de exclusão de brancos, nulos e indecisos eleva artificialmente os números, exigindo comparação criteriosa com pesquisas que apresentam totais brutos.
A possibilidade de reeleição no 1º turno
Para vencer no primeiro turno, um candidato precisa de mais de 50% e mais um dos votos válidos, quando são excluídos pela Justiça Eleitoral o total de votos brancos, nulos e abstenções.
Considerando as pesquisas que já apresentam projeção de votos válidos ou percentuais brutos acima de 50%, Rafael Fonteles estaria eleito no 1º turno para pelo menos 9 dos 12 levantamentos compilados. Os institutos Amostragem (ambas), AtlasIntel (todas), Real Time Big Data, Data AZ, Datamax e Vetor3 apontam percentuais compatíveis com vitória sem segundo turno.
A pesquisa GP1 de agosto, com 50,6% brutos, também sugere vitória do petista no 1º turno quando convertida para votos válidos, o que ocorreria naturalmente pela redistribuição dos indecisos proporcionalmente ou pela exclusão de brancos e nulos. As pesquisas do Vetor de junho (55,12%) e a do Vetor3 de julho-agosto (56,53%) também indicam vitória do governador no 1º turno.
A única pesquisa que não aponta Fonteles acima de 50% é a Veritá de julho (38,9%), que, além de não indicar vitória no primeiro turno, coloca o governador tecnicamente empatado com Joel Rodrigues.
O que os números realmente dizem?
1. Consistência majoritária
A regra básica da análise de pesquisas eleitorais é: um levantamento isolado não deve sobrepor uma tendência consolidada. Com exceção do Veritá, todos os institutos — de perfis e metodologias distintos — convergem para a mesma direção: vantagem expressiva de Rafael Fonteles. A divergência do Veritá, embora mereça atenção, não é suficiente para descaracterizar o cenário dominante. O mais provável é que o Veritá esteja captando uma parcela específica do eleitorado ou utilizando abordagem metodológica que produz resultados sistematicamente diferentes.
2. O efeito da reeleição do governo
Rafael Fonteles governa o Piauí desde 2023 e disputa a reeleição com o aparato das realizações do governo. Pesquisas de aprovação de governo (não contempladas neste compilado, mas frequentemente correlacionadas) tendem a favorecer candidatos à reeleição quando a gestão não enfrenta crises agudas. A vantagem de 40 a 50 pontos em múltiplos institutos sugere que o eleitor piauiense reconhece a gestão Fonteles como positiva ou, pelo menos, não vê motivos para mudança.
3. A fraqueza da oposição
Joel Rodrigues, ex-prefeito de Floriano e presidente estadual do PP, é o nome mais bem colocado na oposição, mas oscila entre 12% e 26% nas pesquisas — nunca ameaçando a liderança de Fonteles de forma consistente. A dispersão dos votos de oposição entre candidatos de PL, Novo, PSOL, PSDB e outros partidos menores (que somam, no máximo, 3% a 4% individualmente) impede a construção de uma frente alternativa viável. O desistência de Toni Rodrigues (PL) em julho e de Mainha (Podemos) na mesma época reforçou a concentração em torno de Joel, mas sem alterar a correlação de forças.
4. Metodologias
As pesquisas compiladas utilizam três abordagens principais: Presencial, telefônica e mista e on-line por formulário. A metodologia não detalhada dificulta a avaliação. A falta de padronização na apresentação de resultados, alguns com votos válidos, outros com totais brutos, alguns sem indecisos, exige que o eleitor comparem os dados com cautela. No entanto, a média dos levantamentos mais recentes e tamanho das amostras, coloca Rafael Fonteles na casa dos 58% a 62% dos votos válidos, bem acima do limiar de 50%, que indica possibilidade vitória no primeiro turno.
5 - O fator tempo
Falta pouco mais de seis semanas para o dia 4 de outubro. Em eleições brasileiras, a reta final costuma ser volátil: debates na TV, inserções de rádio e TV, denúncias de última hora e mobilização de bases podem alterar percentuais. No entanto, uma vantagem de 30 a 40 pontos percentuais, consolidada em múltiplos institutos ao longo de três meses, é historicamente difícil de ser revertida em tão pouco tempo. A menos que ocorra um evento político de grande magnitude, a reeleição de Fonteles no primeiro turno é o cenário mais provável.
O cenário é vitória no primeiro turno
O compilado das pesquisas eleitorais para o governo do Piauí entre maio e agosto de 2026 desenha um cenário de domínio expressivo de Rafael Fonteles (PT) sobre a oposição. Com exceção do Instituto Veritá, todos os levantamentos apontam o governador com percentuais compatíveis com vitória no primeiro turno — alguns de forma avassaladora.
Uma análise mais profunda recomenda cautela com o resultado atípico da pesquisa do Veritá, que merece atenção mas não deve ser isoladamente determinante para a leitura do cenário. A consistência temporal da AtlasIntel, a amostragem robusta do Real Time Big Data e os percentuais elevados da Amostragem e Datamax convergem para a mesma conclusão: Rafael Fonteles caminha para ser reeleito governador do Piauí no primeiro turno das eleições de 2026.
Resta ao eleitor, aos analistas e aos próprios candidatos monitorar a reta final. Mas, pelo que dizem os números hoje, a disputa pelo Palácio de Karnak está muito próxima de ser definida em 4 de outubro.
Fonte: Pesquisa divulgadas
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