ESTUPRO DE VULNERÁVEL
Da Redação
11 de julho de 2026 às 08:30 ▪ Atualizado há 1 hora
O ex-diretor-adjunto de uma creche municipal de Timon (MA), Alberto Luiz Freitas Monção, de 49 anos, investigado por estupro de vulnerável contra 11 crianças de 2 a 3 anos, mantinha um caderno com os nomes das vítimas e informações sobre o nível de suporte de autismo de cada uma delas. A informação foi divulgada nessa sexta-feira (10) pela Polícia Civil, após a nova prisão do investigado em Teresina.
De acordo com o delegado regional de Timon, Cláudio Mendes, o material foi encontrado durante buscas realizadas na casa do suspeito no mês passado e reforça a tese de que as vítimas eram escolhidas de forma intencional. Segundo o delegado, quase todas as crianças da listas são autistas não verbais.
Segundo a investigação, o caderno continha anotações sobre o nível de autismo das crianças atendidas pela creche, informação que, para a polícia, demonstra uma suposta estratégia do investigado para selecionar vítimas que teriam maior dificuldade de relatar os abusos.
"Ele escolhia as crianças que tinham autismo e que não falavam, justamente para cometer o crime e garantir a impunidade", disse Cláudio Mendes.
Alberto Luiz foi preso pela primeira vez em maio deste ano, após pais de alunos denunciarem abusos sexuais contra crianças matriculadas na creche onde ele trabalhava como diretor-adjunto.
As investigações apontam que o servidor utilizava o cargo para retirar as crianças da sala de aula sob o pretexto de oferecer atividades de reforço escolar.
Conforme a Polícia Civil, imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que ele conduzia as vítimas até um depósito localizado próximo à diretoria da unidade. O investigado repetia o mesmo procedimento em todos os casos.
Nova prisão após descumprimento de medidas
Embora tenha sido preso em maio, Alberto Luiz foi colocado em liberdade no mês seguinte após a Justiça entender que houve excesso de prazo para a conclusão do inquérito e para o oferecimento da denúncia pelo Ministério Público. Na ocasião, ele passou a cumprir medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica.
Conforme a polícia, porém, o investigado passou a descumprir as determinações judiciais ao desligar o equipamento de monitoramento e realizar deslocamentos não autorizados, inclusive para Teresina.
Além disso, novas denúncias de supostas vítimas foram apresentadas durante o período em que ele esteve solto, levando o Ministério Público a pedir novamente sua prisão preventiva.
Alberto Luiz desligou a tornozeleira nas proximidades da Rodoviária de Timon, induzindo os policiais a acreditar que ele teria saído do estado, Depois que ele rompeu a tornozeleira e teve a prisão decretada. Diante da repercussão na imprensa, o suspeito voltou a carregar a bateria da tornozeleira depois de três dias, sendo localizado.