DESASTRE AMBIENTAL

SEMAR não sabia da construção das bacias que romperam em parque solar no Sul do Piauí

Gerente de fiscalização da Semar, Renato Nogueira, confirmou não ter sido avisado pela Enel sobre o rompimento das bacias de contenção do parque solar em São Gonçalo do Gurgueia


Cascalho e galhos de árvores arrastados pela força das águas em São Gonçalo do Gurgueia

Cascalho e galhos de árvores arrastados pela força das águas em São Gonçalo do Gurgueia Foto: Piauihoje.com

Até quarta-feira (12), quando o Piauihoje.com publicou matéria sobre o rompimento de bacias de contenção do parque solar no município de São Gonçalo do Gurgueia, a Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEMAR) não tinha conhecimento do desastra. Os dirigentes da secretária nem mesmo sabiam da construção daqueles reservatórios.

De acordo com fontes oficiais, os representantes da Semar só souberam do caso quando a reportagem buscou informações sobre o assunto, apresentando fotos e vídeos da situação.

“Na verdade, a gente não estava sabendo, soube pelos vídeos que a assessora mostrou e nem sabia da construção daquelas barragens”, comentou o gerente de Fiscalização da SEMAR, Renato Nogueira.


Renato conta que em janeiro a SEMAR tomou conhecimento de que algo 'inusitado' estava ocorrendo em São Gonçalo, mas não sabia exatamente o quê. O mês passou e a pasta não pôde enviar nenhuma equipe ao município para verificar a ocorrência pela impossibilidade da liberação de recursos para realizar a fiscalização. “A gente só podia enviar após a reabertura do Sistema de Administração Financeira do Estado e a liberação de recursos para as secretarias", explica Nogueira.

Gerente de Fiscalização da SEMAR, Renato Nogueira

O gerente da Semar garante que na próxima semana ele e sua equipe irão ao local fazer um levantamento para identificar os impactos que o rompimento causou às comunidades do entorno da Serra da Santa Marta e ao meio ambiente. Deveria aproveitar a oportunidade para fiscalizar o próprio parque solar.

ENTENDA O CASO

O parque solar São Gonçalo do Gurguéia fica em cima da serra de Santa Marta. Com o rompimento das bacias, no dia 5 deste mês, as águas das chuvas desceram morro abaixo como muita lama e entulhos que atingiram as propriedades de pequenos agricultores, devastaram plantações, mataram animais e soterraram trecho do Rio Gurguéia.


O Parque Solar de São Gonçalo do Gurguéia é uma obra da Enel Green Power, licenciada pelo Governo do Piauí, por meio da Secretaria Estadual de Meio Ambiente. Pronto,  será capaz de gerar 1.200 GWh por ano, com seus mais de 1 milhão de módulos solares, e tem potencial para evitar a emissão de 600 mil toneladas de gás carbônico (CO2) na atmosfera. 

 “São Gonçalo é o maior parque solar em construção na América do Sul”, afirma o site da empresa. O investimento é de cerca de R$ 422 milhões, equivalente a aproximadamente 100 milhões de euros, na construção da nova seção de 133 MW.

PROIBIÇÃO

O secretário municipal de Meio Ambiente de São Gonçalo do Gurgueia está impedido pela Enel de entrar no recinto para fiscalizar. Segundo Edilberto Gonçalves Nobre, apenas o prefeito tem permissão para adentrar a obra.

A reportagem questionou se a SEMAR estava ciente desse ponto e se o mesmo poderia acontecer com a equipe técnica do Governo que será enviada ao município na próxima semana.

“A gente não sabia, não temos contato com a prefeitura. Se eles [Enel] quiserem barrar, eles podem, mas o Estado tem uma legislação que o respalda e lhe permite tomar as medidas administrativas cabíveis, toda ação tem uma reação, mas eles podem sim, nos barrar”, afirmou Renato Nogueira.

OUTRO LADO

Parque Solar São Gonçalo no Sul do Piauí

Em contato com a Enel por meio das redes sociais, a empresa garantiu que entrará em contato com a reportagem nesta quinta-feira (13) para apresentar esclarecimentos sobre o caso. Na quarta-feira (12), a reportagem também tentou contato através do número 0800 280 0120, disponível no Facebook da empresa, mas não obteve êxito.

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