A cabeleireira brasileira Dira Thomasi, residente em Portugal, denunciou um grave episódio de violência policial contra seu filho, Murilo, um adolescente de 15 anos com autismo severo não-verbal. O caso ocorreu na última sexta-feira (20), em Leiria (a 150 km de Lisboa), após o jovem fugir da escola e entrar em uma residência por engano.
Segundo Dira, a sequência de erros começou na instituição de ensino. "Ele foi para a escola e de lá deixaram ele fugir. Ele andou muito e a escola não percebeu a falta dele", desabafou a mãe. Desorientado, Murilo entrou em um prédio e em uma residência que estava com a porta aberta. Um idoso de 80 anos, que estava no local, acionou a polícia por não entender a situação.
A família denuncia que a abordagem policial ignorou completamente a condição do jovem. Vídeos obtidos pela família mostram seis agentes imobilizando o adolescente. "Eles botam ele no chão, sobem em cima dele em seis. Botam o rosto dele contra o chão e algemam o menino. Ele é visivelmente autista. Foi pura maldade", narra Dira Thomasi.
Por não conseguir falar, Murilo reagiu ao pânico com gritos, sem compreender por que estava sendo contido e algemado. "Eram seis policiais. Nenhum conseguiu perceber que ele era autista? Ele precisava de acolhimento e recebeu violência", completou o irmão da vítima, Lorran Dorneles.
Um laudo médico enviado pela família ao portal confirma que Murilo sofreu traumas severos na face, na região cervical e no tornozelo direito, além de atestar o estado de choque e o diagnóstico de autismo severo.

A família confirmou que acionará a Justiça nesta segunda-feira (23).
A gente quer justiça. Vamos esperar o advogado fazer a queixa-crime e acionar o Ministério Público. Ele é um inocente, não sabe nem o que aconteceu, afirmou a mãe, que também pretende responsabilizar a escola pela fuga do filho.
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