Piauí Hoje Pet

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Maternidade multiespécie reacende discussão sobre o papel dos pets nas famílias

Debate reúne argumentos sobre afeto, responsabilidade e os limites da comparação com a maternidade humana

Sérgio Dias

08 de maio de 2026 às 15:10 ▪ Atualizado há 1 hora

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  • Em maio de 2026, as redes sociais reacenderam o debate sobre mães de pets em relação ao Dia das Mães.
  • O tema reflete a crescente importância de cães e gatos nas famílias brasileiras.
  • Defensores veem a relação com pets como uma forma de maternidade, envolvendo cuidado e vínculo emocional.
  • O conceito de famílias multiespécie ganhou destaque, integrando animais na rotina familiar.
  • Estudos apontam que interações com pets liberam ocitocina, fortalecendo o argumento de conexão emocional.
  • Críticos ressaltam as diferenças fundamentais entre maternidade humana e o cuidado com animais.
  • Preocupações foram levantadas sobre a humanização excessiva dos pets.
  • O mercado pet se adaptou, oferecendo produtos temáticos para "mães de pet" durante o Dia das Mães.
  • A discussão nas redes sociais variou entre celebração e crítica, abordando vínculos afetivos sem hierarquização.
  • O debate reflete mudanças no conceito de família e no convívio com animais, indicando transformações sociais.

Maternidade multiespécie reacende discussão sobre o papel dos pets nas famílias
Maternidade multiespécie reacende discussão sobre o papel dos pets nas famílias

O mês de maio voltou a transformar as redes sociais em palco de uma discussão que se repete a cada Dia das Mães: afinal, mãe de pet é mãe? Em 2026, o debate ganhou força em plataformas digitais, campanhas publicitárias e conversas familiares, refletindo mudanças no modo como cães e gatos passaram a ocupar espaço dentro das casas brasileiras. O tema mobilizou tutores, mães de filhos humanos, especialistas e marcas comerciais em torno de uma questão que mistura afeto, identidade e transformação social.


De um lado, estão pessoas que consideram os animais integrantes da família e defendem que o cuidado diário com cães e gatos estabelece uma relação comparável à maternidade. Do outro, vozes argumentam que a experiência de gerar e criar filhos humanos envolve aspectos biológicos, emocionais e sociais que não podem ser equiparados ao vínculo com animais. A discussão, embora recorrente, ganhou novos contornos em 2026 diante do crescimento das chamadas famílias multiespécies.

O conceito de família multiespécie tem sido utilizado para definir núcleos familiares em que os animais ocupam papel afetivo central. Em muitos casos, cães e gatos participam da rotina doméstica com responsabilidades compartilhadas entre os moradores, presença em viagens, registros fotográficos, comemorações e até decisões financeiras. Esse movimento ampliou o uso de expressões como “mãe de pet” e “pai de pet”, especialmente entre casais sem filhos humanos.

Os defensores do termo argumentam que maternidade também envolve dedicação, rotina de cuidados, responsabilidade emocional e construção de vínculo. Entre os exemplos mais citados estão acompanhamento veterinário, administração de medicamentos, adaptações na rotina da casa e reorganização da vida pessoal em função do animal. Para esse grupo, a relação afetiva estabelecida com os pets justifica a identificação com a experiência materna.

A ciência também aparece no debate. Estudos sobre comportamento animal e interação entre humanos e pets apontam que o contato visual e físico entre tutores e cães pode estimular a liberação de ocitocina, substância relacionada ao vínculo afetivo e frequentemente associada à relação entre mães e filhos humanos. Esses dados têm sido utilizados como argumento para reforçar a existência de conexões emocionais profundas entre pessoas e animais.


No campo contrário, críticas se concentram na comparação direta entre experiências consideradas distintas. Mulheres que defendem essa posição afirmam que a maternidade humana envolve gravidez, parto, recuperação física, carga mental e desafios sociais específicos. Para elas, usar o mesmo termo para definir relações diferentes pode minimizar aspectos relacionados à criação de filhos humanos.Outro ponto recorrente envolve a chamada humanização excessiva dos animais. Especialistas alertam que tratar cães e gatos exatamente como crianças pode gerar práticas incompatíveis com as necessidades biológicas de cada espécie. O debate, nesse aspecto, extrapola a linguagem utilizada nas redes sociais e passa a discutir limites no convívio entre humanos e pets.

Enquanto a divergência permanece, o mercado acompanha a transformação cultural. Em 2026, empresas ampliaram campanhas voltadas às mães de pet, com produtos temáticos, ensaios fotográficos, eventos e ações comerciais específicas para o período do Dia das Mães. A estratégia reflete um setor pet em expansão e um público consumidor que busca reconhecimento simbólico para a relação construída com os animais.

Nas redes sociais, o tom da discussão alternou entre celebração, ironia e crítica. Publicações defendendo a legitimidade do termo dividiram espaço com manifestações contrárias à comparação. Ainda assim, um ponto passou a aparecer com maior frequência nas conversas: a ideia de que diferentes formas de vínculo afetivo podem coexistir sem necessidade de hierarquização.

Mais do que uma disputa terminológica, o debate sobre “mãe de pet” expõe mudanças no conceito contemporâneo de família. Em um cenário de transformações sociais, redução do número de filhos por casal e crescimento do convívio doméstico com animais, cães e gatos passaram a ocupar espaços antes restritos às relações humanas. O resultado é uma discussão que vai além das redes sociais e ajuda a explicar como afeto, cuidado e pertencimento vêm sendo redefinidos dentro das casas brasileiras.

*** Texto escrito por colaborador externo. As opiniões nele contidas não refletem, necessariamente, a opinião do veículo.

Fonte: Sérgio Dias

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Natural de Pernambuco, é jornalista em São Paulo, editor dos jornais Alpha Autos e BLEH!, do blog Alpha Lazer e da fanpage @CoisaVelha - que tem mais de um milhão de seguidores no Facebook e Instagram. É Top4 dos “+Admirados Jornalistas da Imprensa Automotiva 2023”, na votação promovida pelo Jornalistas&Cia Imprensa Automotiva.



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