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RISCO ANUNCIADO

Governo Lula vê risco de ação militar dos Estados Unidos no Brasil

Governo brasileiro admite risco de os Estados Unidos usarem força militar no Brasil

Natalia Costa

06 de julho de 2026 às 11:06 ▪ Atualizado há 31 minutos

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  • O chanceler Mauro Vieira assinou um documento do Itamaraty sobre o risco de ações dos EUA no Brasil após classificarem grupos brasileiros como terroristas.
  • A medida americana pode justificar ações extraterritoriais contra instituições brasileiras, inclusive no uso de força militar.
  • Não houve comunicação formal dos EUA ao Brasil sobre essa decisão.
  • A classificação é vista como um ato unilateral de Washington e não requer manifestação formal do Brasil.
  • O Itamaraty expressa oposição ao procedimento americano.
  • A classificação pode ter impactos econômicos e afetar a soberania nacional.
  • Há riscos de medidas administrativas e judiciais dos EUA afetarem indivíduos e organizações no Brasil.
  • O Itamaraty vê um perigo na legislação contraterrorismo dos EUA, que tem aplicação discricionária com implicações amplas.

Donald Trump - Foto: Reuters
Donald Trump - Foto: Reuters

O chanceler Mauro Vieira assinou uma resposta do Itamaraty à Câmara dos Deputados em que o governo brasileiro admite risco de os Estados Unidos usarem força militar no Brasil após classificarem o Comando Vermelho e o PCC como organizações terroristas.

No documento, Vieira afirma que a medida norte-americana pode abrir caminho para ações fora do território dos EUA contra instituições brasileiras. “A referida classificação unilateral poderia ser invocada como justificativa para ações extraterritoriais sobre instituições brasileiras, em particular no âmbito financeiro, migratório e penal. Há, ademais, o risco de uso da força militar dos EUA contra o território nacional”, diz o chanceler.

O ministro das Relações Exteriores também registra que o governo dos Estados Unidos não comunicou formalmente o Brasil sobre a decisão. Para o Itamaraty, a classificação das facções como organizações terroristas constitui um ato unilateral de Washington.

Vieira afirma que esse tipo de designação não exige manifestação formal do governo brasileiro, justamente por decorrer de um procedimento interno dos EUA. Ainda assim, o chanceler diz que o Brasil tem manifestado oposição à medida.

Donald Trump que o imperialismo americano dando as cartas na América Latina e atenta contra a soberania do Brasil 
Impactos econômicos e riscos à soberania

Na resposta enviada à Câmara, o Itamaraty aponta que a classificação pode ter “impactos relevantes tanto no plano econômico quanto no da soberania nacional”. O documento relaciona esses efeitos a possíveis medidas administrativas e judiciais aplicadas por autoridades norte-americanas.

Vieira afirma que essas medidas podem atingir pessoas, empresas ou organizações brasileiras, inclusive sem vínculos diretos com os Estados Unidos. O chanceler menciona ainda a possibilidade de consequências para casos em que a ligação com os grupos designados seja “indireta ou meramente involuntária”.

O Itamaraty também vê risco na amplitude da legislação de contraterrorismo dos EUA. Segundo Vieira, a aplicação dessas normas pode ocorrer com “amplo grau de discricionariedade”, com possíveis implicações para cidadãos brasileiros nos planos financeiro, migratório e penal.

Ao tratar da posição brasileira, o chanceler escreveu: “O processo estadunidense de designação de facções criminosas como organizações terroristas é ato unilateral que, portanto, não requer manifestação formal do governo brasileiro. Ainda assim, o governo brasileiro tem externado sua oposição a essa medida”.

Fonte: Diario do Centro do Mundo (DCM)



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