O Vaticano confirmou a morte do padre maronita Pierre El Raii, pároco da vila de Qlayaa, no sul do Líbano, após um bombardeio ocorrido na tarde de segunda-feira (9). O sacerdote foi atingido enquanto tentava socorrer moradores feridos em um ataque israelense anterior.
De acordo com informações divulgadas pelo portal oficial do Vaticano, um primeiro bombardeio atingiu uma residência próxima à paróquia, deixando um morador ferido. Ao saber do ocorrido, o padre correu ao local acompanhado por jovens da comunidade para prestar ajuda. Durante o resgate, um segundo ataque atingiu novamente a casa. O sacerdote ficou gravemente ferido e chegou a ser levado para um hospital da região, mas não resistiu. Ele morreu pouco antes de dar entrada na unidade de saúde, afirmou o padre Toufic Bou Merhi, franciscano da Custódia da Terra Santa e pároco dos latinos no sul do Líbano.
O padre Pierre correu com dezenas de outros jovens para ajudar o paroquiano: foi quando houve outro ataque, outro bombardeio sobre a mesma casa. O pároco ficou ferido. Ele foi levado para um hospital local, mas morreu. Ele faleceu quase na porta do hospital. Ele tinha apenas cinquenta anos.
Pierre El Raii era considerado uma das principais lideranças religiosas da comunidade cristã de Qlayaa, no sul do Líbano. A região vive sob tensão constante devido aos confrontos na área de fronteira entre o país e Israel. O padre Toufic, também ligado à comunidade local, relatou que a morte do sacerdote aprofundou o clima de medo entre os moradores, que agora enfrentam o dilema entre permanecer na região ou abandonar suas casas.
As pessoas estão chorando pela tragédia e, ao mesmo tempo, estão com muito medo. Até então, as pessoas se recusavam a deixar suas casas nos povados cristãos, mas, nesta situação, tudo mudou. Deixar a casa significa ir morar nas ruas ou tentar alugar outra casa, mas as pessoas não têm condições para isso, especialmente considerando a já grave situação econômica do país. A casa de outro sacerdote também foi atingida diretamente: as pessoas resistiram, mas agora, com a morte do padre Pierre, não sei por quanto tempo conseguirão aguentar.
Desespero da população
Segundo o padre Toufic Bou Merhi, a escalada do conflito também provocou uma crise humanitária crescente. Ele relata que apenas no convento franciscano da cidade de Tiro cerca de 200 pessoas deslocadas — todas muçulmanas — foram acolhidas pela comunidade religiosa, diante da falta de locais seguros para abrigo.
O religioso afirma ainda que o número de deslocados no país já alcança grandes proporções. De acordo com ele, cerca de 500 mil pessoas foram obrigadas a deixar suas casas somente em Beirute, enquanto quase 300 mil fugiram do sul do Líbano, espalhando-se por áreas consideradas relativamente mais seguras, embora, segundo o padre, já não exista segurança em nenhuma parte do território. Ele acrescenta que milhares de moradores também abandonaram a região do Vale do Bekaa.
Na avaliação do franciscano, muitas dessas pessoas sabem exatamente o que estão deixando para trás — suas casas, propriedades e a própria história —, mas não têm destino certo. Ele descreve uma situação em que há famílias dormindo em carros ou nas ruas, enquanto as comunidades religiosas e instituições locais tentam lidar com a chegada de um número de deslocados equivalente a quase um quarto da população do país, algo para o qual, segundo ele, ninguém estava preparado.
Apesar do cenário, Bou Merhi afirma que a comunidade religiosa insiste em manter a esperança e encoraja os fiéis a não perderem a confiança em Deus diante da crise. Segundo ele, o apelo que ecoa no Líbano é pelo fim da violência e das guerras, destacando que o uso de armas não produz paz, mas sim mais mortes e ressentimento, e que a população deseja apenas viver com dignidade.
Reação do Vaticano
Em nota divulgada pela Sala de Imprensa da Santa Sé, o papa Leão XIV manifestou “profunda tristeza” pelas vítimas dos bombardeios recentes no Oriente Médio e mencionou nominalmente o sacerdote entre aqueles que morreram enquanto prestavam socorro.
Segundo o comunicado, o pontífice lamentou a morte de “muitos inocentes, incluindo crianças, e daqueles que lhes prestavam auxílio”, como o padre morto no ataque em Qlayaa.
A morte do sacerdote ocorre em meio à intensificação das hostilidades israelenses no sul do Líbano, região que tem sido alvo de ataques frequentes nas últimas semanas e onde milhares de moradores foram deslocados por causa da escalada do conflito.
Líderes religiosos e organizações católicas internacionais também condenaram o episódio e pediram o fim das hostilidades na região.
Fonte: Vatican News
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