A guerra envolvendo o Irã se ampliou nas últimas semanas e passou a envolver diversos países do Oriente Médio. Diferentemente de confrontos recentes, como a guerra entre Irã e Israel em 2025 ou o conflito entre Israel e o grupo Hamas, a atual escalada militar ultrapassou as fronteiras dos países diretamente envolvidos.
Os combates entraram na terceira semana e começaram em 28 de fevereiro, após bombardeios conjuntos dos Estados Unidos e de Israel contra o território iraniano. O ataque resultou na morte do líder supremo do país, Ali Khamenei. Entre os alvos atingidos também estava uma escola com estudantes.
Após a ofensiva, o Irã lançou ataques retaliatórios não apenas contra Israel, mas também contra embaixadas, bases militares americanas na região e até edifícios civis que supostamente abrigariam funcionários dos Estados Unidos.
Ao mesmo tempo, o grupo Hezbollah intensificou os confrontos com Israel, o que acabou envolvendo o Líbano no conflito. A escalada militar atingiu inclusive a capital do país, Beirute.
Países diretamente envolvidos
Irã
O Irã vinha sendo pressionado internacionalmente e havia retomado negociações com os Estados Unidos para um acordo que limitasse seu programa nuclear. Mesmo com as tratativas em andamento, o país foi alvo de ataques conjuntos de Washington e Tel Aviv em 28 de fevereiro, episódio que desencadeou a guerra.
Desde então, o território iraniano sofre bombardeios contra estruturas militares, políticas e também econômicas, como refinarias de petróleo.
Em resposta, Teerã lançou ataques retaliatórios e fechou o Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes para o transporte global de petróleo. A ação inclui ataques a navios que tentam deixar o Golfo Pérsico.
Estados Unidos
Os Estados Unidos são o principal ator externo no conflito. O país mobilizou grande aparato militar na região, incluindo caças e frotas navais que passaram a operar sob o comando do Comando Central dos Estados Unidos.
Washington mantém bases militares em diversos países da região. O Bahrein abriga a sede da Quinta Frota da Marinha americana, enquanto a maior base aérea dos EUA no Oriente Médio, Al Udeid, está localizada no Catar.
O Irã considera países que hospedam instalações militares americanas como possíveis alvos de ataques, inclusive aqueles que tentam manter neutralidade, como Catar e Omã.
Israel
Tel Aviv e Teerã são rivais históricos desde a Revolução Iraniana de 1979, que instaurou o regime dos aiatolás no Irã.
Durante o conflito atual, Israel tem realizado ataques constantes contra território iraniano e também enfrenta bombardeios vindos do Irã, inclusive com o uso de mísseis de fragmentação.
Com o início da guerra, o Hezbollah voltou a atacar Israel a partir do território libanês, abrindo mais uma frente de combate.
Líbano
Após o fim da última guerra entre Israel e Hezbollah em 2024, um cessar-fogo havia sido estabelecido. Ainda assim, Israel continuava realizando bombardeios pontuais para impedir o rearmamento do grupo.
Com a retomada das ofensivas do Hezbollah, aliado do Irã, o Líbano voltou a ser palco de intensos combates. Regiões como o sul do país, o Vale do Bekaa e a capital Beirute passaram a sofrer bombardeios frequentes.
Autoridades libanesas afirmam que mais de 700 pessoas morreram no país em decorrência de ataques israelenses.
Outros países atingidos pelo conflito
Emirados Árabes Unidos
Os Emirados Árabes Unidos, aliados estratégicos dos Estados Unidos, se tornaram alvos de drones iranianos. Autoridades estimam que mais de 800 ataques tenham sido realizados nas primeiras semanas de guerra.
Entre os alvos atingidos estão estruturas civis, como o hotel Palm Jumeirah e o arranha-céu Burj Khalifa, em Dubai.
Catar
O Catar mantém relações relativamente mais próximas com o Irã, mas também abriga a maior base aérea americana na região. A instalação foi alvo de ataques iranianos.
Após danos em duas instalações, o país suspendeu temporariamente parte da produção de gás natural. Dois caças iranianos foram abatidos pela Força Aérea do Catar.
Bahrein
Outro aliado dos Estados Unidos, o Bahrein também sofreu ataques com drones iranianos. Entre os alvos estão a sede da Quinta Frota americana, instalações energéticas e prédios civis.
Omã
Omã costuma manter postura diplomática neutra e atuava como mediador nas negociações nucleares entre Estados Unidos e Irã. Apesar disso, bases americanas instaladas no país foram atingidas por drones.
Arábia Saudita
A Arábia Saudita também entrou na rota dos ataques iranianos. Além da embaixada americana, a refinaria de Ras Tanura — uma das maiores do mundo — foi alvo de bombardeios.
Jordânia
A Jordânia mantém relações próximas com potências ocidentais. Embora seu espaço aéreo seja frequentemente cruzado por mísseis direcionados a Israel, poucos ataques foram registrados diretamente contra o país.
Iraque
O Iraque tem sido um dos territórios mais atingidos, principalmente por abrigar várias bases militares americanas desde a Guerra do Iraque de 2003.
Além da capital Bagdá, regiões próximas a Erbil, no norte do país, também registraram ataques. Um avião de reabastecimento americano caiu no espaço aéreo iraquiano durante uma operação.
Chipre e Azerbaijão
A ilha de Chipre registrou ataques de drones contra uma base militar britânica. A autoria não foi confirmada, mas há suspeitas de envolvimento do Hezbollah.
Já no Azerbaijão, drones iranianos atingiram um aeroporto e áreas civis, levando autoridades locais a considerar possíveis medidas de retaliação.
Países com participação indireta
Outras nações também tiveram envolvimento indireto no conflito, como Sri Lanka, Turquia, Reino Unido e França, que reforçaram posições militares ou permitiram o uso de bases estratégicas na região.
Fonte: G1 Globo
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