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Advogada acusa aliado dos Bolsonaros de ordenar atentado e revela corrupção de Milei

Nadia Beller afirmou, em entrevista ao Clarín, que Fernando Cerimedo teria determinado o ataque para impedir que ela revelasse informações sobre corrupção e bastidores políticos

Da Redação

23 de agosto de 2026 às 12:20 ▪ Atualizado há 56 minutos

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  • Nadia Beller, advogada e ativista, afirmou que Fernando Cerimedo, um consultor digital argentino, ordenou um ataque contra ela.
  • Cerimedo seria aliado da família Bolsonaro e estrategista digital relacionado ao governo de Javier Milei.
  • Beller alegou ter sobrevivido ao atentado e rejeitou a alegação de que o ataque tivesse sido simulado.
  • A motivação estaria ligada a informações de corrupção que Beller possuía e a ameaças durante o relacionamento com Cerimedo.
  • Cerimedo está em prisão preventiva na Bolívia por 180 dias devido às investigações do caso.
  • Beller relatou agressões anteriores e uma gravidez durante o relacionamento com Cerimedo, aumentando os conflitos.
  • Ela também acusou Karina Milei, irmã do presidente argentino, de estar envolvida em esquemas de propina.
  • Beller alegou que Cerimedo tinha uma estrutura para criar perfis falsos e disseminar desinformação na América Latina.
  • As acusações estão sob investigação pelas autoridades e Cerimedo contestou publicamente a versão de Beller.

Reprodução Advogada e ativista Nadia Beller, consultor digital argentino Fernando Cerimedo abraçado com Flávio Bolsonaro
Advogada e ativista Nadia Beller, consultor digital argentino Fernando Cerimedo abraçado com Flávio Bolsonaro

A advogada e ativista Nadia Beller afirmou que o consultor digital argentino Fernando Cerimedo e aliado da família Bolsonaro teria ordenado o ataque a tiros contra ela para impedir que revelasse informações sobre supostos esquemas de corrupção e articulações políticas. A declaração foi dada durante entrevista ao jornal argentino Clarín, enquanto Beller estava internada em uma clínica de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia.

Beller sobreviveu ao atentado e mostrou durante a entrevista ferimentos provocados pelos disparos. Segundo seu relato, dois projéteis ficaram alojados em seu corpo sem atingir órgãos vitais. Ela também rejeitou a versão apresentada pela defesa de Cerimedo de que o ataque teria sido simulado.

Segundo a advogada, o atentado estaria relacionado a informações que ela teria sobre as atividades do consultor, além de ameaças anteriores de denunciar supostas agressões sofridas durante o relacionamento entre os dois.

Cerimedo é apontado como aliado da família Bolsonaro e já atuou como estrategista digital ligado ao governo do presidente argentino Javier Milei. Na Bolívia, ele foi colocado em prisão preventiva por 180 dias no contexto das investigações sobre o atentado.

Advogada relata ameaças anteriores

Beller afirmou que havia sofrido agressões antes do ataque. Segundo ela, Cerimedo teria a enforcado em junho e utilizado ameaças de suicídio para tentar impedir que o episódio fosse levado às autoridades.

A advogada também relatou que descobriu estar grávida durante o período em que mantinha relacionamento com o consultor. Conforme sua versão, a gravidez e a possibilidade de que ela denunciasse as agressões teriam aumentado os conflitos entre os dois.

Ainda de acordo com Beller, registros de conversas obtidos durante a investigação indicariam uma articulação para a contratação de pessoas responsáveis pelo ataque. Ela também citou mensagens trocadas após os disparos e uma suposta comunicação entre Cerimedo e Eric Correa, apresentado por ela como chefe de inteligência do consultor.

Denúncias envolvem Milei e estruturas digitais

Durante a entrevista, Beller também fez acusações envolvendo integrantes do governo de Javier Milei. Ela afirmou que Cerimedo dizia que Karina Milei, irmã do presidente e secretária-geral da Presidência, estaria envolvida em um suposto esquema de cobrança de propinas na Agência Nacional de Deficiência (Andis).

A advogada também relatou supostas movimentações financeiras milionárias atribuídas ao consultor. Segundo ela, Cerimedo teria faturamento mensal de aproximadamente US$ 800 mil em Buenos Aires, valores que seriam apresentados às autoridades como provenientes de doações.

Beller ainda afirmou que o consultor mantinha estruturas voltadas à produção de conteúdo político, criação de perfis falsos e disseminação de desinformação. Segundo ela, uma grande estrutura de robôs estaria localizada na Argentina e teria sido utilizada para influenciar debates políticos em diferentes países da América Latina.

As acusações apresentadas pela advogada ainda dependem de apuração pelas autoridades responsáveis pelo caso. Cerimedo, por meio de sua defesa, contestou a versão de Beller sobre o atentado.

Fonte: Brasil 247