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VÍDEO: Mãe vai ao Salipi cobrar palestrante por pensão alimentícia atrasada há 12 anos

A mãe, Amanda Pitta, relatou ao Piauí Hoje que existe um acordo judicial desde 2014, mas o ex-companheiro não cumpriu

Da Redação

10 de junho de 2026 às 10:00 ▪ Atualizado há 2 horas


Mãe vai à palestra no Salipi para cobrar pagamento de pensão alimentícia a palestrante
Mãe vai à palestra no Salipi para cobrar pagamento de pensão alimentícia a palestrante

Uma palestra realizada durante o Salão do Livro do Piauí (Salipi), em Teresina, terminou de forma inesperada no domingo (7) quando uma mãe decidiu cobrar publicamente o pagamento da pensão alimentícia da filha. A mãe, trabalhadora autônoma Amanda Pitta questionou o pai, palestrante Igor Drey  sobre uma dívida que, segundo ela, se arrasta há mais de uma década.

Ao Portal Piauí Hoje, Amanda afirmou que nunca imaginou que teria coragem de ter uma atitude como essa em público para cobrar o pagamento da pensão alimentícia. Segundo ela, a decisão foi motivada pelo acúmulo de dificuldades enfrentadas ao longo dos anos e pela sensação de abandono diante dos problemas vividos pela filha.

Amanda explicou como ocorreu a cobrança durante o Salipi. Ela disse que aguardou o término da apresentação antes de se manifestar. Segundo a mãe, o palestrante informou ao público que não abriria espaço para perguntas, momento em que decidiu se pronunciar.

“Ele terminou de falar e disse que não  iria abrir para perguntas. Aí eu falei assim: mas eu tenho uma pergunta, por que você me bloqueia, sendo que eu tenho uma filha menor de idade com você e preciso acertar as coisas dela. E aí continuei”, relatou.

Igor Drey não declarou nada, apenas desceu do palco e saiu. O episódio chamou a atenção de participantes e repercutiu nas redes sociais.

A autônoma relatou que, no início de 2025, passou por um período de crise emocional, chegando a ter dificuldades para realizar atividades básicas do dia a dia enquanto cuidava de duas filhas menores de idade. Ela disse que, mesmo diante dessa situação, não conseguiu contar com o apoio do pai de sua filha ou dividir responsabilidades.

"Chegou uma época em que eu não conseguia nem me levantar da cama. Eu tinha duas meninas menores dentro de casa e não tinha sequer a possibilidade de pedir para ele ficar alguns dias com a filha até que as coisas se organizassem", relatou.

Amanda explicou  que existe um acordo judicial firmado desde 2014 para o pagamento da pensão, mas que os repasses teriam sido feitos de forma irregular e, em muitos períodos, não ocorreram.

Segundo ela, em determinado momento o pai da garota optou por matricular a filha em uma escola particular em vez de realizar os depósitos diretamente. No entanto, os pagamentos da instituição também teriam sido interrompidos, gerando cobranças e situações constrangedoras para a estudante.

“Minha filha ficava muito envergonhada com as cobranças na escola”, relatou.

Amanda conta que enfrentava uma rotina difícil na época, dividindo os cuidados com três filhas, uma mãe em tratamento contra o câncer e uma irmã autista. Com a morte da mãe, em 2016, e a interrupção dos pagamentos da escola particular, a filha precisou ser transferida para uma escola pública.

Em 2019, a mãe voltou a acionar a Justiça para cobrar o cumprimento do acordo. De acordo com ela, em 2024 o pai chegou a ser preso por dívida alimentícia, mas, após um novo acordo, os pagamentos continuaram sem regularidade.

Segundo Amanda, sua primeira intervenção durante a palestra no Salipi foi questionar por que havia sido bloqueada pelo pai da adolescente, já que, na avaliação dela, a existência de uma filha menor de idade exige diálogo entre os responsáveis para tratar de assuntos relacionados ao bem-estar da jovem. Após o questionamento, ela passou a relatar publicamente o histórico de descumprimento da pensão alimentícia.

Além das dificuldades financeiras, Amanda afirma que a filha enfrenta um quadro de depressão há três anos. Segundo ela, a adolescente já precisou faltar à escola diversas vezes apenas neste ano por causa do problema de saúde.

“Eu sequer consigo entrar em contato com ele para falar sobre a situação da nossa filha porque fui bloqueada”, afirmou.

A mãe também relata indignação após receber recentemente uma ação em que o pai pede a revisão do valor da pensão alegando insuficiência financeira.

A revolta, segundo Amanda, aumentou ao descobrir que ele participaria como palestrante do Salipi. Ela afirma que estava no evento para assistir a uma atividade literária quando soube da presença dele na programação.

“Como esse cara ocupa esses espaços? Eu não consegui me formar até hoje. Aquilo me consumiu”, desabafou.

Até o momento, não houve manifestação pública do palestrante sobre as declarações feitas por Amanda. O espaço segue aberto para posicionamento da outra parte.





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