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FALE COM A MINHA ADVOGADA

Direito de todos: entenda como funciona a advocacia dativa e quem pode usar o serviço

No podcast "Fale com a minha advogada", a advogada Amanda Lion explica como funciona o trabalho do profissional que defende quem não tem condições de pagar um escritório particular.

Redação

26 de maio de 2026 às 16:04 ▪ Atualizado há 2 semanas

Ver resumo
  • Muitas vezes, a falta de recursos impede as pessoas de buscar seus direitos por não poderem pagar advogados.
  • A advocacia dativa ajuda aqueles sem condições financeiras, fornecendo advogados nomeados pelo juiz.
  • Os advogados dativos são pagos pelo governo do estado, não pelo cliente atendido.
  • A primeira opção para quem precisa de assistência gratuita deve ser a Defensoria Pública.
  • Quando a Defensoria está sobrecarregada, um advogado dativo é designado.
  • Advogados dativos atuam com a mesma responsabilidade que em casos pagos diretamente.
  • A advocacia pro bono é diferente da dativa, limitada a cinco processos gratuitos por ano por advogado.
  • A lentidão da justiça brasileira é atribuída à falta de estrutura, não à escassez de advogados.
  • Advogados precisam ser persistentes para acelerar o andamento dos processos nos tribunais.

Advogada Amanda Lion esclareceu sobre advocacia dativa durante o bate-papo
Advogada Amanda Lion esclareceu sobre advocacia dativa durante o bate-papo

Muitas vezes, as pessoas deixam de correr atrás dos seus direitos por um motivo bem simples: falta de dinheiro para pagar as contas de um advogado. Na teoria, para resolver problemas na Justiça, todo cidadão precisa estar acompanhado por um defensor. É aí que entra a advocacia dativa, uma espécie de "mão na roda" para garantir que ninguém fique desamparado. 

Em entrevista à jornalista Malu Barreto no podcast Fale com a minha advogada, transmitido pelo Portal Piauí, a advogada Amanda Lion explicou de forma simples como funciona esse serviço, que serve como um reforço para ajudar a população que mais precisa.

A primeira opção de quem não tem condições financeiras deve ser sempre a Defensoria Pública. Porém, a quantidade de defensores concursados nem sempre dá conta do tamanho da demanda do estado. Quando a Defensoria não consegue atender, o juiz do caso nomeia um advogado particular cadastrado em uma lista da OAB para assumir a defesa daquela pessoa. Esse profissional é o chamado advogado dativo. 

Amanda Lion lembrou que os advogados entram nessa lista de forma voluntária para ajudar a comunidade, mas que, uma vez chamados, eles assumem a responsabilidade profissional e não podem abandonar o caso sem uma justificativa muito séria aceita pelo juiz.

"A advocacia dativa garante àquela pessoa que não tem um advogado ou poder econômico para pagar por um, o direito de se defender na Justiça", destacou 


Como funciona o atendimento, a recusa do caso e quem paga a conta?

Uma dúvida muito comum é se o cliente precisa pagar alguma coisa para o advogado dativo. A resposta é não. O cidadão atendido não gasta absolutamente nada. Quem faz o pagamento dos honorários (o salário pelo trabalho realizado) é o próprio Governo do Estado, por meio de uma ordem de pagamento assinada pelo juiz no final do processo.

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Amanda compartilhou que já trabalhou como dativa em duas ações de Família (envolvendo pensão alimentícia e guarda de filhos) no interior do Piauí e ressaltou que, mesmo sendo especialista na área trabalhista, o profissional que aceita o convite do Tribunal precisa estudar o caso com o mesmo carinho e dedicação que daria a um cliente particular de um grande escritório.

"Quando recebemos a carteira da OAB, fazemos um juramento. Não podemos trabalhar de qualquer jeito ou com desleixo só porque o cliente não está nos pagando diretamente. É o nosso nome e a nossa reputação que estão em jogo ali", pontuou a advogada.

Trabalhar de graça tem limite e a Justiça precisa andar mais rápido

Durante o bate-papo, Amanda Lion também explicou a diferença entre o advogado dativo e a advocacia pro bono (quando o profissional atende alguém de graça por vontade própria). Para evitar que a profissão seja desvalorizada, a OAB proíbe que os escritórios trabalhem de graça o tempo todo ou que aceitem trocas informais, como pagamentos em mercadorias ou favores. Existe um limite máximo de apenas cinco processos gratuitos por ano para cada advogado.

Ao final, a apresentadora Malu Barreto e a equipe do podcast questionaram o motivo de a Justiça brasileira ser tão demorada, já que o país tem uma quantidade enorme de advogados. Amanda esclareceu que a culpa da lentidão não é dos advogados, mas sim da falta de estrutura dos fóruns e tribunais, que sofrem com a falta de juízes e funcionários para dar conta de tantas ações. 

Segundo ela, hoje em dia o grande desafio de quem trabalha na área não é apenas dar entrada em um processo, mas sim ir até o balcão do juiz e insistir diariamente para que o caso seja lido e resolvido o quanto antes.

"O trabalho do advogado hoje é quase o de um persistente: temos que ficar em cima, conversando com o juiz, para fazer o processo andar", concluiu Amanda.

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