DIA DO ESTUDANTE
Alinny Maria
11 de agosto de 2026 às 19:00 ▪ Atualizado há 45 minutos
Entre simulados, provas, aulas e revisões, Aike de Jesus, de 17 anos, vive uma rotina que exige disciplina e muitas renúncias. Aluno do 3º ano do ensino médio no CETI Governador Dirceu Mendes Arcoverde, no bairro Morada do Sol, na zona Leste de Teresina, ele dedica 14 horas por dia aos estudos e tem como principal objetivo conquistar uma vaga no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA).
Desde 2024, a escola mantém uma turma preparatória voltada especificamente para vestibulares como o ITA e IME (Instituto Militar de Engenharia). É nesse ambiente que Aike concentra boa parte da sua preparação. Depois de construir a base teórica nos dois primeiros anos do ensino médio, ele utiliza o terceiro ano para revisar conteúdos, preencher lacunas e, principalmente, resolver simulados e questões de provas anteriores.
“Minha rotina escolar é bastante intensa, fico na escola das 7h às 19h. Ao chegar em casa, dedico mais duas ou três horas aos estudos, o que resulta em uma carga horária diária bruta de aproximadamente 14 horas”, relata.
A preparação, porém, vai muito além da quantidade de horas diante dos livros. Para Aike, um dos principais desafios está justamente em lidar com a pressão de um processo seletivo conhecido pelo alto nível de dificuldade.
“O principal desafio deste processo não é apenas o nível de complexidade das questões, que exige um aprofundamento técnico rigoroso, mas também o controle emocional. A pressão e a responsabilidade inerentes a esse tipo de exame demandam um esforço psicológico considerável por parte dos estudantes”, afirma.
Aprovação no IME mudou a forma como ele enxerga o próprio potencial
Antes de concentrar os esforços no ITA, Aike já havia experimentado uma conquista que modificou sua relação com os grandes vestibulares. Ainda no ensino médio, aos 16 anos, ele foi aprovado no vestibular do Instituto Militar de Engenharia (IME), onde havia realizado a prova como treineiro.
A aprovação trouxe alegria e alívio, mas também serviu como uma espécie de confirmação de que objetivos que antes pareciam distantes poderiam, de fato, estar ao seu alcance.
“Embora eu soubesse que havia realizado uma boa prova e dado o meu melhor, o resultado foi surpreendente. Não ter ingressado imediatamente não me frustrou, pois o meu objetivo principal sempre foi o ITA, que permanece sendo o meu foco central este ano”, conta.
Mais do que uma aprovação, o resultado alterou a percepção que o estudante tinha sobre si mesmo.
“Essa conquista alterou significativamente a percepção que tenho sobre o meu próprio potencial. Antes, devido à dificuldade extrema dos certames, eu enfrentava uma barreira psicológica, acreditando que a aprovação estava fora da minha realidade. A notícia da aprovação me conferiu a confiança necessária para persistir e seguir em frente com mais determinação”, relata.

Aike também acumula premiações em olimpíadas de conhecimento, especialmente nas áreas de Química, Física e Matemática, resultados que fazem parte de uma trajetória construída desde os primeiros anos da formação escolar.
Escola e professores têm papel central na preparação
Para o estudante, a escola tem sido uma das principais bases para enfrentar a preparação. A existência de uma turma direcionada aos vestibulares específicos permite que as aulas e os materiais sejam adaptados às exigências dessas provas.
“São aulas diferentes, materiais voltados especificamente para quem é de vestibular. Isso me proporciona uma liberdade maior para poder estudar com mais fôlego, sabendo que vou ter a melhor preparação possível, com professores que entendem mais do que ninguém”, explica.
Entre os professores que destaca estão Herbert Aquino, professor de Física e coordenador do projeto, e Max Paiva, professor de Matemática e também coordenador da turma. Para Aike, o apoio dos educadores é parte de uma preparação que começa muito antes do terceiro ano.
“Querendo ou não, uma preparação vem desde a base. Então hoje eu posso dizer que dois professores que vêm me ajudar muito são justamente os coordenadores do nosso projeto”, afirma.
Renúncias fazem parte da rotina
Aos 17 anos, manter uma rotina tão intensa significa abrir mão de parte da convivência social e familiar. Aike reconhece que os estudos ocupam uma parcela significativa do seu dia, mas afirma que conta com a compreensão das pessoas próximas.
“Meus colegas também entendem a minha rotina. Tanto eles quanto a minha família. É uma coisa que é conversada e justamente porque são um tempo que os estudos vão exigir mais de mim, essa compreensão é muito importante da parte deles”, conta.
O apoio familiar, segundo ele, tem um significado ainda maior. Aike vive com os pais e a irmã mais nova, de 11 anos, no bairro Cristo Rei, zona Sul de Teresina, e vê na dedicação aos estudos uma forma de retribuir todo o investimento e incentivo que recebeu dentro de casa. O pai trabalha como bancário e a mãe cuida do lar.
“Eu sou grato pelo apoio que tenho deles, por todo o apoio emocional, todo o apoio financeiro, tudo aquilo que eles me proporcionam. E, ao mesmo tempo, eles também são gratos por eu estar abdicando e realmente me esforçando a cada dia mais para conquistar os objetivos”, diz.
Mesmo com uma rotina exigente, o estudante procura preservar momentos que considera importantes para o equilíbrio. Nas horas de descanso, gosta de tocar violão, acompanhar partidas de futebol e passar tempo com os familiares.
“Acredito que o equilíbrio é fundamental; portanto, busco conciliar os estudos com momentos de lazer necessários para a manutenção da saúde mental”, afirma.
Um sonho que vai além da aprovação
No centro de toda essa dedicação está um objetivo definido: cursar Engenharia de Computação no ITA.
Para Aike, chegar à instituição representa aproveitar uma oportunidade construída ao longo de anos de estudo, mas também honrar os esforços dos pais, que sempre incentivaram a educação dentro de casa.
“Meu maior sonho é poder realmente agarrar essa oportunidade que estou tendo hoje, me formar em Engenharia de Computação, que é o curso que almejo no ITA, e aproveitar todas essas oportunidades o máximo possível. Justamente para poder honrar os esforços que os meus pais vêm fazendo por mim desde muito antes”, afirma.
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