O período de carnaval acende um sinal de alerta para a proteção de crianças e adolescentes. Além dos riscos nas grandes aglomerações, autoridades chamam a atenção para a exposição nas redes sociais e para o aumento de situações de vulnerabilidade durante a festa. Segundo a organização ChildFund no Brasil, esse é um período em que há crescimento de violações de direitos. Dados do Disque 100, canal do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, registraram mais de 26 mil denúncias de violações ou crimes contra crianças e adolescentes durante o carnaval de 2024, um aumento de 38% em relação ao ano anterior.

Em Teresina, o delegado Hugo de Alcântara, da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), reforça a preocupação com o excesso de exposição nas redes sociais. Segundo ele, o carnaval é uma festa culturalmente marcada por maior liberdade e, muitas vezes, por conteúdos mais provocativos, o que pode favorecer comportamentos de adultização precoce.

“Atualmente, as redes sociais trazem uma série de novos riscos às crianças e aos adolescentes, principalmente com a divulgação de imagens em contextos que podem chamar a atenção de indivíduos mal-intencionados. No carnaval, essa atenção precisa ser reforçada”, afirma o delegado. Ele orienta que os pais mantenham controle mais rigoroso sobre o que os filhos publicam e com quem interagem no ambiente digital.
Delegado Hugo de Alcântara orienta que pais controlem mais o que os filhos publicam na redes sociais
O conselheiro tutelar de Teresina Ivan Cabral também destaca a importância da presença constante de pais ou responsáveis durante a folia. “Nada de deixar criança desacompanhada em bloco ou sozinha em casa para sair para curtir. É fundamental que estejam sempre com um adulto responsável”, orienta.
Segundo ele, é recomendável evitar que crianças permaneçam no meio de grandes blocos, onde há consumo de bebidas alcoólicas e grande movimentação de pessoas. Cabral lembra ainda que a venda e o fornecimento de bebida alcoólica a menores de 18 anos configuram crime, conforme previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente.
Conselheiro tutelar Ivan Cabral orienta que as crianças estejam sempre com um adulto responsável
O presidente da fundação ChildFund Maurício Cunha, destacou que parte significativa das ocorrências registradas no Carnaval está relacionada à violência sexual, exploração e desaparecimento em meio a grandes aglomerações. Ele também alertou para os riscos no ambiente digital. Pesquisa da fundação com mais de 8 mil adolescentes apontou que 54% já sofreram algum tipo de violência sexual online. A recomendação é que famílias evitem postar fotos e vídeos de crianças nas redes sociais, especialmente com localização ativada, e reforcem o uso de ferramentas de segurança e controle parental.
O Estatuto da Criança e do Adolescente estabelece que é dever da família, da sociedade e do poder público assegurar, com prioridade absoluta, os direitos de crianças e adolescentes. As autoridades reforçam que qualquer suspeita de violação, como trabalho infantil, exploração sexual, abandono ou desaparecimento, deve ser denunciada imediatamente.
Maioria das ocorrências no Carnaval está relacionada à violência sexual, exploração e desaparecimento
As denúncias podem ser feitas pelo Disque 100, que funciona 24 horas por dia, ou acionando a Polícia Militar, a Polícia Civil, a Guarda Municipal ou o Conselho Tutelar. A orientação é que, na dúvida, a denúncia seja realizada. A proteção da infância, destacam especialistas, depende de vigilância constante e ação rápida diante de qualquer sinal de risco.
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