Educação

Assassino de franceses é condenado a 59 anos de prisão no Rio de Janei

Piauí Hoje

Teresinha

31 de outubro de 2007 às 03:10


O 3º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro informou que Társio Wilson Ramirez, de 25 anos, acusado de matar franceses ligados à Organização Não-Governamental Terr\'Ativa, em Copacabana, na Zona Sul do Rio, em fevereiro de 2007, foi condenado a 59 anos de prisão.A sentença foi lida pelo juiz por volta das 23h50 de terça-feira (30).O julgamento de Társio Wilson Ramirez começou às 14h desta terça-feira e durou cerca de 10 horas. Cinco testemunhas foram ouvidas. Segundo o TJ-RJ, a defesa de Társio já entrou com recurso. Os outros dois acusados, Luiz Gonzaga Gonçalves de Oliveira e José Michel Gonçalves Cardoso, irão a júri popular no dia 13 de dezembro. Segundo a denúncia, os franceses Christian Pierre Doupes, 38 anos, sua mulher, Delphine Claudie Douyère, 36, e Jérôme Marie Marc Faure, 42, foram mortos a facadas por terem descoberto um desvio nas contas da instituição. O principal suspeito seria Társio, funcionário da ONG, que teria planejado o crime e depois contratado Luiz Gonzaga e José Michel Gonçalves para se livrar dos franceses. As vítimas foram mortas na sede da organização. No dia do crime, foi roubado um cofre contendo bens. Os réus tentaram também incendiar o apartamento, para ocultar o crime.Réu nega acusaçõesEm depoimento, Társio Wilson Ramirez negou as denúncias de que tinha matado os franceses e de que tinha dado um desfalque na ONG. Ele argumentou ter percebido que estava havendo desvio de dinheiro na instituição e que soube do fato por meio de uma discussão entre Delphine Claudie Douyère e Ana Carolina de Neves de Castro Rocha, presidente da ONG.Perguntado pelo juiz o que foi fazer na sede da ONG no dia 27 de fevereiro, o acusado disse ter ido pegar documentos e dinheiro no cofre, já que estava sendo pressionado por membros da ONG para que assumisse o desfalque e também por estar com o salário atrasado.Társio era coordenador de projetos sociais da Terr\'Ativa e auxiliava na administração, inclusive, na parte contábil. Segundo o Tribunal de Justiça, o acusado comentou que ficou surpreso e assustado com a atitude dos outros dois acusados, tendo ficado escondido debaixo de uma mesa e depois dentro do banheiro na ocasião dos crimes, que teriam sido cometidos inicialmente por Luiz Gonzaga, segundo Társio.Testemunhas contestam acusadoO acusado falou ainda que ajudou na criação da ONG em 1998, mas que trabalhou em outros locais depois disso, só voltando para lá em 2003. Esta versão foi desmentida pela presidente Ana Carolina, que disse que ele estava há cerca de dez anos na instituição, com cursos pagos pela ONG, sendo uma espécie de homem de confiança dos franceses realizando diversos pagamentos.Quanto aos crimes, Társio falou que não viu Jérôme Marie ser amarrado e nem José Michel sair da ONG. E que teria sido Luiz Gonzaga que jogou álcool no apartamento para incendiá-lo.Outra testemunha que não acreditou na versão do acusado de que eles queriam apenas "dar um susto" nos franceses foi o delegado Marcus Castro Nunes Maia. Em depoimento, ele confirmou ainda que ao chegar ao local do crime, encontrou no apartamento a carteira de identidade de Luiz Gonzaga, que foi preso no Hospital Souza Aguiar, porque teria ido até lá por causa de um ferimento na mão. Társio já havia sido detido no prédio onde aconteceram os fatos, e José Michel depois em outro local. AcusaçõesOs acusados estão sendo julgados por homicídio qualificado, por furto qualificado e por causar incêndio em edifício público ou destinado à obra de assistência social ou de cultura. Estão enquadrados também na Lei de crimes hediondos. O processo foi desmembrado porque as defesas dos réus não concordaram com os mesmos jurados, e sendo assim, não podem ser submetidos ao julgamento pelo mesmo conselho de sentença, já que a escolha do jurado é um direito de defesa. A acusação está sendo feita pelo promotor público Marcos Kac e a presidência do júri, pelo juiz Sidney Rosa da Silva.

Fonte: Globo



@production @if(request()->routeIs('site.home.index')) @endif @endproduction