MINERAIS CRÍTICOS E TERRAS RARAS
Teresinha Ferreira
11 de julho de 2026 às 07:04 ▪ Atualizado há 1 hora
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu, nesta sexta-feira (10), ministros, representantes do setor mineral e especialistas no Palácio do Planalto, em Brasília, para discutir uma estratégia nacional voltada aos minerais críticos e às terras raras. O encontro colocou no centro do governo a exploração de recursos considerados essenciais para a indústria tecnológica, a transição energética e a disputa econômica entre as grandes potências mundiais.
A reunião contou com integrantes do núcleo do governo, entre eles o vice-presidente Geraldo Alckmin e ministros de áreas ligadas à economia, indústria, mineração e relações exteriores. Representantes do setor produtivo, do BNDES e especialistas também participaram das discussões sobre investimentos e agregação de valor à produção mineral brasileira.
Durante o encontro, Lula defendeu que o Brasil deixe de ocupar apenas o papel de fornecedor de matéria-prima e avance na produção de conhecimento, tecnologia e produtos industrializados ligados aos minerais estratégicos.
“Não queremos ser vendedores de minério. Queremos ser exportadores de conhecimento”, afirmou o presidente ao tratar do potencial brasileiro no setor. Lula também associou o aproveitamento desses recursos à busca por maior soberania financeira e tecnológica para o país.
Por que os minerais críticos são estratégicos?
Minerais críticos são matérias-primas consideradas fundamentais para setores econômicos e tecnológicos, mas que podem enfrentar riscos de abastecimento. Entre eles estão lítio, grafita, níquel e elementos conhecidos como terras raras.
Esses materiais são utilizados na fabricação de baterias, veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos, sistemas de telecomunicações e tecnologias de defesa.
As terras raras, por exemplo, têm aplicação em ímãs permanentes de alto desempenho e em diferentes tecnologias avançadas. A disputa pelo controle das cadeias de produção ganhou importância diante da forte posição da China no processamento e na indústria desses materiais.
Brasil quer agregar valor aos minérios
Um dos principais pontos discutidos pelo governo é a necessidade de criar uma cadeia industrial no próprio país. A estratégia é evitar que os minerais sejam extraídos e exportados em estado bruto, enquanto a transformação tecnológica e os produtos de maior valor agregado são desenvolvidos no exterior.
O governo avalia mecanismos para estimular pesquisa, processamento, refino e industrialização no Brasil. A discussão ocorre paralelamente à tramitação no Congresso do projeto que estabelece um marco para minerais críticos e estratégicos. A proposta aprovada pela Câmara foi remetida ao Senado em maio.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, defendeu urgência na aprovação da legislação para o setor. Entre os temas em debate estão instrumentos de política industrial e mecanismos de proteção considerados estratégicos pelo governo.
Terras raras entram na disputa entre Estados Unidos e China
A reunião ocorre em um cenário de crescente disputa internacional pelos minerais estratégicos. Estados Unidos e China buscam ampliar a segurança de suas cadeias de fornecimento, enquanto o Brasil ganha importância por seu potencial mineral.
Nos últimos meses, autoridades e instituições norte-americanas intensificaram discussões sobre investimentos em projetos brasileiros de minerais críticos. O tema também passou a ocupar espaço nas negociações econômicas e diplomáticas internacionais.
Para Lula, o Brasil precisa aproveitar a atual conjuntura para desenvolver capacidade tecnológica própria. O presidente citou o domínio chinês sobre o conhecimento e a cadeia industrial de terras raras ao defender uma estratégia brasileira de longo prazo.
Governo busca definir política nacional
A reunião no Planalto teve como objetivo alinhar posições dentro do governo e avançar na definição de uma política para o setor. Há discussões sobre o papel do Estado, os instrumentos de financiamento, a participação da iniciativa privada e a necessidade de ampliar a agregação de valor dentro do país.
O tema também integra o debate sobre o futuro da mineração brasileira. O Plano Nacional de Mineração 2050, apresentado pelo Ministério de Minas e Energia no início de julho, reconhece a relevância dos minerais críticos para o desenvolvimento nacional e para a transição energética.
A avaliação do governo é que o Brasil vive uma oportunidade histórica. Com reservas e potencial geológico relevantes, o desafio agora é transformar a riqueza mineral em inovação, indústria, empregos qualificados e desenvolvimento econômico, sem abrir mão da soberania sobre recursos considerados estratégicos.
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