DIA DO ECONOMISTA

Economista traça cenário econômico do Piauí durante a pandemia do novo coronavírus

O Conselheiro do Corecon-PI diz que o Piauí se saiu bem apesar dos prejuízos


Economista Fernando Galvão, membro do CORECON/PI

Economista Fernando Galvão, membro do CORECON/PI Foto: Arquivo pessoal

Nesta quinta-feira, 13 de agosto, comemora-se o Dia do Economista e o portal Piauíhoje.com conversou com o membro do Conselho Regional de Economia do Piauí (Corecon-PI), Fernando Galvão, sobre o momento atual e pós-pandêmico do novo coronavírus no Piauí e no Brasil.

Antes de tudo, é importante destacar o papel do economista neste momento em que o profissional é responsável por contribuir para melhorar os aspectos sociais, políticos e culturais através de projeções que direcionam as ações e órgãos governamentais.

"Nesse momento, atuando em qualquer lugar do mundo, o papel do economista é entender o que está acontecendo no presente para que a partir desse atendimento, as pessoas, as empresas e os governos, possam realinhar seus objetivos, suas metas, suas estratégias e ações de forma que a gente consiga viabilizar a construção de futuros desejáveis para a sociedade. A participação do economista neste processo é muito estratégica porque a gente lida com a utilização de recursos e esses recursos precisam ter uma aplicação otimizada para que eles rendam o máximo possível", diz Fernando Galvão.

O economista também comentou sobre as medidas adotadas pelas autoridades no Piauí para o combate do novo coronavírus e lembrou que o novo coronavírus começa na saúde pública e contamina também a atividade econômica.

"O coronavírus reage a eventos e não obedece a uma questão de tempo. Se tornar rígidas as medidas de distanciamento social, você consegue reduzir a velocidade de transmissão do vírus. Se esse distanciamento social se flexibiliza, se as atividades forem retomadas sem planejamento, a capacidade de transmissão do vírus pode perder o controle e pressionar o sistema de saúde. Não tem como ter um plano de retomada muito rápido a medida que as contaminações vão gerando. Os estudos e as pesquisas precisam de mais tempo para ir maturando e ao mesmo tempo a gente tome decisões de maior qualidade e com melhor resultado possível, pois essas decisões precisam de dados, de informações. Aqui no Piauí foi feito o que foi possível. Existem empresários que estão descontentes com a demora na abertura da economia, mas acredito que o plano de retomada da economia do Piauí foi feito no tempo possível e com o propósito de aliviar a sobrecarga no sistema de saúde", avalia.

Retomada das atividades econômicas em Teresina

Com a necessidade de isolamento social, diversas empresas tiveram que ver seu faturamento despencar e algumas não sobreviveram à pandemia. Por outro lado, muitos segmentos registraram crescimento acelerado. O aumento de pedidos por delivery por exemplo, fez com que algumas empresas sobressaíssem durante a pandemia. Fernando Galvão destaca alguns setores nunca tiveram crises e se expandiram durante a pandemia como os serviços de consulta por telemedicina, a educação à distância, serviços de cobertura de internet, planos de saúde, entre outros.

"Têm outros setores que tiveram um crescimento grande durante o coronavírus, mas que vão se estabilizar com um tempo. São os setores de material de limpeza, material cirúrgico, EPIs. Já os setores como vestuário, eletrodomésticos, prestação de serviço de beleza, são serviços que foram fortemente afetados, mas irão se recuperar rápido. Já os setores que mais vão demorar a se recuperar são os da cadeia ligada ao turismo, toda rede de hotelaria, agências de viagem, eventos, festas. Será uma recuperação heterogênea", garante Fernando.

Sobre a recuperação da economia piauiense pós-pandemia do novo coronavírus, conselheiro do Corecon-PI, listou alguns fatores que contribuem com o aquecimento econômico e que são fundamentais para o Estado se manter durante esse período de agravamento.

"No Piauí, cerca de 80% da economia está no setor de Serviços. O mercado de consumo piauiense depende muito do Governo Estadual, Governo Municipal e Governo Federal. Se as finanças públicas não foram abaladas de forma a comprometer o funcionalismo público, o nosso mercado de consumo vai se manter num certo patamar. Além disso, as famílias carentes que recebiam o Bolsa Família agora estão recebendo um valor bem acima, que é o auxílio emergencial. Autônomos também tiveram acesso a esse auxílio, os desempregados tiveram acesso ao FGTS e tudo isso ajuda a amortecer o impacto da crise no Piauí", pontua.

O economista também chama a atenção para outro fator fundamental para a recuperação da economia estadual. "O IBGE afirma que em 2020 nós vamos ter uma safra recorde e com isso os grandes produtores do agronegócios vão conseguir exportar a um dólar mais alto e melhorar o seu faturamento. Esses fatores vão ajudar o estado do Piauí a passar razoavelmente bem pelo coronavírus".

Por fim, Fernando Galvão ressalta que a partir do momento em que o auxílio emergencial deixar de injetar na economia, isso poderá gerar um baque grande no comércio que está reabrindo. "É preciso coordenação, tempos e medidas para garantir que o Piauí se saia bem na recuperação econômica. Depende bastante de uma sincronicidade de ações do Governo Federal, Estadual, Prefeituras, empresas e pessoas. Nos não temos uma liderança nacional que consiga fazer essa coordenação. Mas assim, durante a pandemia, o Piauí conseguiu, relativamente, se sair bem apesar dos prejuízos. Não experimentamos o pior cenário possível, nem na economia e nem na saúde pública. Estamos realmente dependendo agora do comportamento das pessoas e das medidas econômicas nesse pós-pandemia que vai ditar o nosso ritmo e recuperação econômica", conclui o economista. 

LIVE

Em comemoração ao Dia do Economista, o Conselho Regional de Economia do Piauí (Corecon-PI) promove hoje e amanhã (13 e 14) duas lives às 19h no perfil do Instagram @coreconpi. Na live de hoje cujo o tema é "O papel da Mulher Economista em Tempos de Pandemia e a Valorização da Profissão do Economista", participam das discussões a vice-presidente do Cofecon, Denise Kassama, e a vice-presidente do Corecon-PI, Teresinha de Jesus.

Já nesta sexta-feira, no mesmo horário, o debate será sobre "Os impactos financeiros da pandemia no turismo, em especial no litoral piauiense", terá participação da coordenadora do curso de ciências econômicas da UFPI, professora Vera Lúcia, e do conselheiro do Corecon-PI, Fernando Galvão.

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