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TRANSPORTE PÚBLICO

"Risco de greve dos ônibus é iminente", diz presidente do Sintetro

Motoristas cobram reajuste salarial e melhorias enquanto passageiros enfrentam longas esperas e precariedade nos ônibus

Por Natalia Costa

Quinta - 16/04/2026 às 11:17



Foto: Shawan Lourenço/Piauí Hoje Passageiros enfrentam longas esperas e ônibus lotados em meio à crise do transporte público em Teresina.
Passageiros enfrentam longas esperas e ônibus lotados em meio à crise do transporte público em Teresina.

"Com certeza há essa previsão de greve, de paralisação. Nós temos uma reunião marcada para o dia 24 desse mês, não sabemos o que vai ser decidido lá, vamos trazer a proposta para o trabalhador. A gente está lutando inclusive para aumentar o salário, benefícios, e até agora não há nenhum interesse da prefeitura em participar dessa negociação", afirmou Antônio Cardoso, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Piauí (Sintetro) em entrevista ao Portal Piauí Hoje nesta quarta-feira (15).

Antônio Cardoso, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Piauí (Sintetro) | Foto: Shawan Lourenço/Piauí Hoje

Há quase 10 anos, o transporte público de Teresina enfrenta a pior crise de sua história. Os problemas começaram em 2017 quando o lucro das empresas diminuiu e teve uma redução na quantidade de passageiros. Agora, a crise pode aumentar com a possibilidade de uma nova greve. O prefeito Silvio Mendes prometeu solucionar o problema, aumentando a frota de veículos, no entanto, até agora nada foi feito.

Até 2019, o sistema contava com cerca de 400 ônibus em circulação. Atualmente a média é de aproximadamente 247 veículos no horário de pico, mas, na prática, a frota nunca chegou a operar com os 247 ônibus, segundo o presidente do Sintetro, Antônio Cardoso.

O prefeito assumiu a prefeitura com o intuito de resolver o problema e não é isso que a gente tem visto. O SETUT alega uma coisa, o prefeito alega outra e quem é o responsável para resolver esse problema é o SETUT junto com a prefeitura. O transporte está colapsado e não temos renovação de frota há praticamente oito anos.

Até 2019, o sistema contava com cerca de 400 ônibus em circulação | Foto: Shawan Lourenço/Piauí Hoje

A maior decadência do transporte público da capital aconteceu na gestão do ex-prefeito Dr. Pessoa (MDB), quando os repasses foram suspensos com a justificativa de que o acordo era apenas da gestão anterior. Sem os repasses, ocorreram atrasos nos salários e cortes de benefícios como plano de saúde e vale alimentação dos motoristas e cobradores.

Diante da situação, os trabalhadores realizaram 11 paralisações e duas greves em 2021. Na época, o assunto foi o mais comentado do Twitter no Brasil.

"Hoje o pessoal tem um salário, tem um ticket e tem uma parte do plano de saúde pago pelas empresas, mas nós ficamos sem reajuste de salário, para você ter uma ideia, por mais de três anos, então a gente teve essa perda e nunca se recuperou, mas o trabalhador de qualquer forma, hoje ele recebe seu salário em dias, seus benefícios em dias, salvo uma empresa ou outra que paga com atraso, mas a gente está lutando inclusive para aumentar o salário agora", afirmou o presidente.

População espera até 2h por um ônibus

Enquanto os gestores viram as costas para a solução da crise no transporte público da capital, a população que depende do serviço para ir ao trabalho, à universidade, a consultas e outras atividades segue sendo prejudicada. É o caso da estudante de psicologia Renaira Araújo, moradora do bairro Monte Verde, na Zona Norte de Teresina.

Estudante de psicologia Renaira Araújo | Foto: Shawan Lourenço/Piauí Hoje

Como eu pego dois ônibus, um para Piçarra, que é pra mim ir pro hospital onde eu trabalho, e um pra vir para Praça do Fripisa. Já chegou o dia de eu passar mais de duas horas na parada esperando e não passou. Aí eu tive que ir pra outra parada de noite, correndo o risco de ser assaltada, pra ir pegar outro ônibus.

O problema não é isolado. A estudante de arquitetura Julia Ozório, moradora do bairro Beira Rio, na Zona Sudeste, aguardava há 40 minutos na parada localizada na Praça do Fripisa, no Centro de Teresina.

"Hoje mesmo eu passei um sufoco muito grande quando eu estava me deslocando para a faculdade, porque eu já faço um caminho um longo para a parada de ônibus. E aí o ônibus não estava muito bom, a estrutura, e eu estava morrendo calor dentro do ônibus", contou.

Estudante de arquitetura Julia Ozório |Foto: Shawan Lourenço/Piauí Hoje 

O desejo das duas estudantes é que exista uma quantidade suficiente de ônibus e que o tempo de espera seja reduzido para, no máximo, 20 minutos, evitando atrasos no trabalho e na escola devido ao transporte público.

"E espero que tenha mais ônibus que venham com ar-condicionado, que esperem as outras pessoas, não deixam as outras pessoas do lado de fora, melhore os assentos, a questão de segurança, e também a cordilha de quando a gente vai puxar, porque às vezes não tem, aí o motorista passa da parada, e que eles têm mais responsabilidade com o passageiro", disse Renaira Araújo.

Já a estudante Júlia Ozório afirmou que sente “um pouco de descaso com a população. Tem muitos ônibus que não estão com uma boa estrutura, e isso acaba nos prejudicando. Até em relação também à demora, à pouca frota de ônibus que tem, então é realmente um descaso para a gente como sociedade, como população.”

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