SOBRECARGA DOMESTICA
Teresinha Ferreira
07 de agosto de 2026 às 07:30 ▪ Atualizado há 5 horas
A responsabilidade de mulheres com filhos, familiares e o lar, historicamente maior sobre elas, acentua sua vulnerabilidade à violência de gênero. Esta avaliação é compartilhada por especialistas ouvidos pela Agência Brasil, enquanto a Lei Maria da Penha completa 20 anos nesta sexta-feira, 7 de agosto.
A sobrecarga do cuidado doméstico, somada a dependências financeira e emocional, cria espaço para abusos. Thamires da Silva Ribeiro, professora da Uerj, destaca a ligação entre políticas de cuidado e a luta contra a violência. Ela aponta que mulheres sobrecarregadas ficam restritas ao espaço doméstico e sem autonomia econômica, dificultando a saída de situações de violência.
Dados reforçam essa percepção: mulheres dedicam em média 21,3 horas semanais ao trabalho doméstico, quase o dobro dos homens, com 11,7 horas. A Política Nacional de Cuidados, instituída pela Lei 5.069/2024, busca uma divisão mais equitativa de responsabilidades.
Christine Silveira Abdalla, da ONG Associação Cuidadosa, considera a sobrecarga de cuidados uma forma de violência. Mulheres frequentemente deixam de estudar ou trabalhar devido à falta de rede de apoio, perdendo autonomia e oportunidades sociais.
Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, em 2025, o Brasil registrou 1.571 feminicídios, alta de 4%. Além disso, foram notificados 286,3 mil casos de agressão e 132 mil de descumprimento de medida protetiva.
A advogada Marilha Boldt menciona a dependência psicológica e financeira como barreiras para romper relações abusivas. Ela argumenta que essa dependência mantêm as mulheres presas a ciclos de violência.
Fonte: Agência Brasil