Brasil

OPERAÇÃO POLICIAL

Ministro diz que empresa ligada a filme de Bolsonaro recebeu dinheiro do crime organizado

Dario Durigan afirmou que a Entre Investimentos recebeu recursos do Banco Master e de grupos criminosos

Da Redação

24 de setembro de 2026 às 14:54 ▪ Atualizado há 50 minutos

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  • Dario Durigan, Ministro da Fazenda, declarou que a Entre Investimentos recebeu recursos do Banco Master e do crime organizado.
  • A afirmação foi feita durante a Operação Carbono Oculto, que investiga ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis.
  • A Entre Investimentos está ligada ao financiamento do filme "Dark Horse" sobre Jair Bolsonaro.
  • Recursos foram usados para ocultar patrimônio, lavar dinheiro e realizar pagamentos ilícitos.
  • Operação Carbono Oculto é conduzida pelo Gaeco, Receita Federal e outros órgãos.
  • A investigação visa desmantelar uma estrutura financeira suspeita que inclui a compra da distribuidora de combustíveis Terrana.
  • Antonio Carlos Freixo Júnior, proprietário da Entre Investimentos, e outros executivos estão sendo investigados.
  • Investigações incluem a análise de recursos destinados ao filme "Dark Horse", que teriam ultrapassado US$ 12 milhões.
  • Há suspeitas de que os fundos misturavam dinheiro de diferentes origens, incluindo atividades criminosas.
  • A operação busca esclarecer a origem dos recursos e sua movimentação financeira.

Foto: Diogo Zacarias/MF Ministro da Fazenda, Dario Durigan
Ministro da Fazenda, Dario Durigan

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira (24) que a Entre Investimentos, empresa ligada ao financiamento do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), recebeu recursos provenientes do Banco Master e do crime organizado. A declaração ocorreu durante as repercussões da nova fase da Operação Carbono Oculto, que investiga uma estrutura financeira suspeita de ocultar patrimônio e lavar dinheiro no setor de combustíveis.

Segundo Durigan, a empresa fazia parte de uma estrutura financeira que reunia recursos de diferentes origens. O ministro afirmou que os investigadores identificaram movimentações que teriam sido utilizadas para ocultar patrimônio, lavar dinheiro e realizar pagamentos ilícitos.

“Nós estamos falando de uma administradora, de um grupo empresarial, que é o Grupo Entre, que recebia dinheiro tanto do [Banco] Master quanto do crime organizado e dentro de um mesmo bolso. E esse recurso foi utilizado para ocultar patrimônio, para lavar dinheiro, para corromper”, afirmou Durigan.

Investigação mira estrutura financeira

A terceira fase da Operação Carbono Oculto foi deflagrada nesta quinta-feira (24) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, em conjunto com a Receita Federal e outros órgãos.

A investigação, denominada Operação Crédito Oculto, identificou indícios de uma estrutura financeira e societária utilizada para ocultar o patrimônio e a origem de recursos empregados na aquisição da distribuidora de combustíveis Terrana. Segundo a Receita Federal, fundos de investimento e empresas teriam sido utilizados para dificultar a identificação dos verdadeiros beneficiários dos ativos.

Entre os alvos da operação está Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, proprietário da Entre Investimentos e delator no caso envolvendo o Banco Master. Também são investigados executivos ligados ao mercado financeiro, incluindo Humberto Arthur Tupinambá Neto, ex-executivo do Banco Genial.

Relação com o filme Dark Horse

A Entre Investimentos aparece nas investigações por causa de sua relação com operações financeiras que também teriam envolvido recursos destinados ao filme Dark Horse, produção sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.

De acordo com informações divulgadas sobre a delação de Freixo Júnior, o empresário afirmou ter realizado repasses para um fundo nos Estados Unidos que teria participado do financiamento da produção. Os valores, segundo os relatos divulgados, ultrapassaram US$ 12 milhões.

A investigação busca esclarecer a origem dos recursos e o caminho percorrido pelo dinheiro antes de chegar às operações relacionadas ao filme. A existência de recursos provenientes de atividades criminosas no financiamento da produção é uma hipótese investigada, e não uma conclusão definitiva da apuração.

Ministro fala em recursos de diferentes origens

Durante a declaração, Durigan também afirmou que a investigação aponta para a utilização de estruturas financeiras capazes de misturar recursos de diferentes origens.

“Tudo indica que o recurso que dá liquidez para essas operações ["Dark Horse"] vem de uma mesma entidade, vem de um mesmo bolso. Aí é muito complicado você identificar o que que é cada coisa. Se tem dinheiro do PCC, se tem dinheiro de usina do crime organizado, de distribuidora de combustível do crime organizado no mesmo bolso, no mesmo fundo”, declarou.

O ministro afirmou ainda que será necessário identificar a origem e o destino dos recursos movimentados por esses fundos para verificar quais operações foram financiadas com dinheiro de diferentes fontes.

A operação desta quinta-feira representa um novo desdobramento das investigações sobre a atuação de grupos criminosos no setor de combustíveis e suas conexões com estruturas do mercado financeiro. Segundo a Receita Federal, a apuração continua para identificar os responsáveis pela ocultação patrimonial e pela movimentação dos recursos.