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VICIADO EM APOSTAS

Brasileiro vai para guerra da Ucrânia para se livrar do vício em bets; perdeu R$ 340 mil

Morador do litoral de São Paulo afirma que decidiu se alistar no Exército ucraniano para fugir do vício em apostas on-line após perder mais de R$ 340 mil

Natalia Costa

09 de julho de 2026 às 13:22 ▪ Atualizado há 1 hora

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  • Thiago Morais da Silva Moita, morador de Iguape-SP, perdeu mais de R$ 340 mil em apostas on-line.
  • Diagnóstico de ludopatia levou Thiago a buscar mudança de vida, alistando-se na Legião Internacional de Defesa da Ucrânia.
  • Antes de se alistar, Thiago tentou controlar o vício pedindo que seu pai confiscasse seu celular.
  • Na Ucrânia, passou a integrar o Exército em meio ao conflito com a Rússia e compartilha sua rotina nas redes sociais.
  • Relata viver em constante risco devido aos bombardeios, mas já foi transferido de uma base que depois foi atacada.
  • Integra um batalhão com 13 brasileiros e considera retornar ao Brasil em breve para decidir sobre seu futuro militar.
  • Alerta sobre as dificuldades e riscos de se alistar na Legião Internacional.

- Thiago Moita alistou-se no Exército Ucraniano para combater o vício/Foto: Redes Sociais Redes Sociais
- Thiago Moita alistou-se no Exército Ucraniano para combater o vício/Foto: Redes Sociais

Após perder mais de R$ 340 mil em apostas on-line, o brasileiro Thiago Morais da Silva Moita, de 35 anos, decidiu mudar completamente de vida. Morador de Iguape, no litoral de São Paulo, ele se alistou na Legião Internacional de Defesa da Ucrânia e passou a integrar o Exército ucraniano em meio à guerra contra a Rússia.

Em entrevista ao g1, Thiago contou que a mudança foi motivada pela tentativa de escapar do vício em jogos de azar, conhecido como ludopatia.

"Eu estava me destruindo. Pensei: 'Eu preciso sair daqui, preciso mudar'. O meu pai me falou: 'Você já apostou tudo que você tem, agora vai apostar a sua vida?'. Eu precisava sair daquele ambiente para mudar o meu raciocínio, sair daquela prisão mental", relatou.

Perdas milionárias

Thiago afirmou que perdeu praticamente todo o patrimônio acumulado enquanto trabalhava como vendedor de eletrônicos e motorista de aplicativo. Em um único dia, segundo ele, chegou a perder mais de R$ 75 mil em apostas.

Após procurar ajuda profissional, recebeu o diagnóstico de sinais de ludopatia, transtorno reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), caracterizado pelo vício em jogos de azar.

Mesmo tentando controlar o problema, contou que chegou a pedir ao próprio pai que confiscasse seu celular para impedir que continuasse apostando.

"Cheguei a mandar meu pai confiscar o meu telefone para não jogar."

Nova vida na Ucrânia

Em março deste ano, Thiago embarcou para a Ucrânia e se alistou na Legião Internacional de Defesa. Nas redes sociais, compartilha a rotina da guerra por meio do perfil "BadBoynaUcrania", apelido pelo qual é conhecido entre os colegas de batalhão.

Desde a chegada ao país europeu, passou por treinamentos intensivos de aproximadamente 12 horas por dia, aprendendo técnicas de combate, manuseio de armamentos e explosivos.

Embora afirme que não participa diretamente de ataques contra tropas russas, ele relata viver sob risco constante devido aos bombardeios.

"Era um pesadelo. Menos de uma semana depois que cheguei lá, caiu um míssil na minha casa. Passou um caça e jogou três bombas lá."

Posteriormente, Thiago foi transferido para outra base militar. Pouco tempo depois, o local onde estava anteriormente foi atingido por um ataque.

"Se eu não tivesse sido transferido a tempo, estaria morto agora."

Planos para o futuro

Atualmente, Thiago integra um batalhão formado por outros 13 brasileiros. Segundo ele, pretende retornar ao Brasil entre novembro e dezembro, período em que decidirá se encerra sua participação na Legião Internacional ou se permanecerá no Exército ucraniano pelos próximos anos.

Apesar de receber salário como militar, ele faz um alerta para quem cogita seguir o mesmo caminho.

"As pessoas têm que ficar sabendo que você tem que ficar aqui no mínimo seis meses. Três colegas meus fugiram [foram desertores]. E eles eram os melhores."


Fonte: G1 Globo/Revista Fórum