Política

SEGUNDO TURNO

Lula lidera entre eleitores que não votaram no 1º turno, diz pesquisa Palver

Pesquisa mostra disputa acirrada a 10 dias do segundo turno e aponta vantagem do petista entre eleitores que não votaram na primeira etapa

Da Redação

15 de outubro de 2026 às 08:28

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  • A disputa pela Presidência segue acirrada com Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) empatados tecnicamente nas intenções de voto.
  • A pesquisa mostra Flávio com 50% das intenções e Lula com 49%, sendo que a margem de erro é de 2,3 pontos percentuais.
  • Rejeição é similar: 50% não votariam em Lula e 48% não votariam em Flávio sob hipótese alguma.
  • Lula lidera entre eleitores que não votaram no primeiro turno, com 59% das intenções nesse grupo.
  • Entre eleitores de candidatos eliminados, Augusto Cury apoia mais Lula, enquanto Caiado favorece Flávio.
  • A defesa da democracia é a principal razão dada por eleitores de Lula, enquanto rejeição ao PT é um motivador para eleitores de Flávio.
  • Lula tem mais apoio no Nordeste, enquanto Flávio tem vantagem no Sul, Centro-Oeste e entre evangélicos.
  • Economia é uma questão central, com custo de vida sendo a principal preocupação; 51% desaprovam o governo Lula.
  • A maioria manteve o voto ao longo da campanha, com pouca influência direta de debates e propagandas.
  • Pesquisa foi realizada com 5 mil pessoas, usando uma amostra online não probabilística e está registrada no TSE.

Ricardo Stuckert/PR e Andressa Anholete/Agência Senado Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL)
Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL)

A disputa pela Presidência da República segue acirrada a 10 dias do segundo turno das eleições de 2026. Pesquisa Palver, realizada entre os dias 10 e 13 de outubro, mostra o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 50% das intenções de voto, contra 49% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A diferença de um ponto percentual configura empate técnico, considerando a margem de erro máxima de 2,3 pontos percentuais.

O levantamento indica uma disputa apertada entre os dois candidatos na reta final da campanha. Além das intenções de voto, a pesquisa investigou a rejeição aos presidenciáveis, a preferência de eleitores que votaram em candidatos derrotados no primeiro turno e o comportamento de quem não compareceu às urnas em 4 de outubro.

Entre os entrevistados, 49% afirmam que votariam com certeza em Flávio Bolsonaro, enquanto 48% demonstram a mesma convicção em relação a Lula.

A rejeição também apresenta números próximos. O presidente é rejeitado por 50% dos participantes, que afirmam não votar nele em nenhuma circunstância. No caso do senador, o percentual é de 48%.

Lula tem vantagem entre eleitores que não votaram no primeiro turno

Um dos principais dados do levantamento aparece entre os eleitores que não participaram da votação de 4 de outubro. Nesse grupo, Lula registra 59% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro soma 28%.

A diferença de 31 pontos percentuais indica que os eleitores ausentes na primeira etapa podem representar um segmento importante para a campanha do presidente na tentativa de ampliar sua votação no segundo turno.

Entretanto, transformar essa preferência em votos efetivos é um desafio. Entre os entrevistados que não compareceram às urnas, 37% disseram que estavam viajando e 21% afirmaram ter título eleitoral registrado em outra cidade.

Os dados sugerem que parte das ausências está relacionada a dificuldades de deslocamento. A mobilização desses eleitores, portanto, pode influenciar a disputa, embora a intenção declarada de voto não garanta o comparecimento no dia da eleição.

Eleitores de Augusto Cury preferem Lula; apoiadores de Caiado indicam Flávio

A pesquisa também analisou a preferência dos eleitores que votaram nos candidatos derrotados no primeiro turno.

Entre aqueles que escolheram Augusto Cury (Avante), 64% afirmam que pretendem votar em Lula, enquanto 32% declaram preferência por Flávio Bolsonaro.

Já entre os eleitores de Ronaldo Caiado (PSD), o cenário é favorável ao candidato do PL: 61% pretendem votar em Flávio, contra 35% que optam pelo presidente.

Os eleitores de Renan Santos (Missão) aparecem divididos. Nesse grupo, 41% declaram intenção de votar em Lula e outros 41% em Flávio Bolsonaro. Os 18% restantes afirmam que pretendem votar em branco ou anular o voto.

Esses percentuais devem ser interpretados com cautela, pois os grupos de eleitores dos candidatos derrotados têm amostras menores, o que reduz a precisão das estimativas.

Defesa da democracia e rejeição ao PT influenciam escolhas

As motivações declaradas pelos eleitores também revelam diferenças entre as bases de apoio dos dois candidatos.

Entre os apoiadores de Lula, 37% apontam a defesa da democracia como principal razão para votar no presidente. Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, 34% afirmam que a rejeição ao PT é o principal fator de sua escolha.

O receio em relação ao resultado da eleição também divide os entrevistados. Segundo a pesquisa, 48% demonstram maior preocupação com uma eventual reeleição de Lula, enquanto 47% temem mais uma vitória de Flávio Bolsonaro.

O levantamento identifica diferenças regionais e sociais no comportamento eleitoral. Lula apresenta maior força no Nordeste e entre beneficiários do Bolsa Família. Flávio, por sua vez, tem desempenho mais favorável no Sul, no Centro-Oeste e entre os evangélicos.

A pesquisa também aponta uma diferença próxima de 20 pontos percentuais no comportamento eleitoral de homens e mulheres, embora os dados apresentados não detalhem, neste recorte, os percentuais de cada candidato por gênero.

Custo de vida pesa na avaliação do governo Lula

A avaliação da gestão federal aparece como outro fator relevante para a disputa. De acordo com a Palver, 51% dos entrevistados desaprovam o governo Lula, enquanto 48% aprovam a administração. Quase metade também considera que a situação do país piorou nos últimos 12 meses.

O custo de vida é apontado como a principal preocupação das famílias por 34% dos participantes.

O tema tem pesos diferentes entre os grupos eleitorais. Entre os apoiadores de Flávio Bolsonaro, 51% identificam o custo de vida como a questão mais preocupante. Entre os eleitores de Lula, o percentual é de 15%.

Na avaliação sobre a capacidade de enfrentar problemas nacionais, Flávio aparece à frente em segurança pública, controle da dívida, combate à inflação e enfrentamento da corrupção. Lula tem vantagem no combate à pobreza, enquanto os dois candidatos aparecem empatados nas áreas de saúde e educação.

Apesar das avaliações sobre a economia, 70% dos entrevistados acreditam que a situação econômica brasileira vai melhorar nos próximos 12 meses.

Maioria manteve o voto na reta final do primeiro turno

O levantamento também investigou a estabilidade das escolhas eleitorais antes da primeira votação. Segundo a Palver, 95% dos entrevistados mantiveram a decisão tomada antes da última semana de campanha. Outros 4% mudaram ou definiram a preferência nesse período.

Entre os eleitores que alteraram o voto, 51% disseram ter tomado a decisão entre 27 de setembro e 2 de outubro. Outros 8% decidiram no sábado anterior à votação, enquanto 20% fizeram a escolha no próprio domingo, 4 de outubro.

Entre os motivos para a mudança, 23% afirmaram que perceberam que o candidato escolhido inicialmente não tinha chances de chegar ao segundo turno. Outros 9% disseram que pretendiam contribuir para uma definição da eleição ainda na primeira etapa, e outros 9% queriam impedir a vitória de um candidato que rejeitavam.

A influência direta da campanha foi menor: 7% atribuíram a mudança a debates ou à propaganda eleitoral, e outros 7% citaram notícias ou denúncias.

Como o grupo de entrevistados que mudou de voto é reduzido, esses resultados também exigem cautela na interpretação.

Pesquisa ouviu 5 mil pessoas

A pesquisa Palver entrevistou 5 mil pessoas entre os dias 10 e 13 de outubro. Segundo as informações divulgadas, o levantamento tem tamanho efetivo de amostra de 1.783 entrevistados e margem de erro máxima de 2,3 pontos percentuais.

O estudo está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-08028/2026.

A metodologia utiliza uma amostra online não probabilística, formada por participantes recrutados por meio de anúncios em redes sociais. Os resultados são posteriormente calibrados considerando a votação registrada no primeiro turno.

Fonte: Pesquisa Palver