SEGUNDO TURNO
Da Redação
15 de outubro de 2026 às 08:28
A disputa pela Presidência da República segue acirrada a 10 dias do segundo turno das eleições de 2026. Pesquisa Palver, realizada entre os dias 10 e 13 de outubro, mostra o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 50% das intenções de voto, contra 49% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A diferença de um ponto percentual configura empate técnico, considerando a margem de erro máxima de 2,3 pontos percentuais.
O levantamento indica uma disputa apertada entre os dois candidatos na reta final da campanha. Além das intenções de voto, a pesquisa investigou a rejeição aos presidenciáveis, a preferência de eleitores que votaram em candidatos derrotados no primeiro turno e o comportamento de quem não compareceu às urnas em 4 de outubro.
Entre os entrevistados, 49% afirmam que votariam com certeza em Flávio Bolsonaro, enquanto 48% demonstram a mesma convicção em relação a Lula.
A rejeição também apresenta números próximos. O presidente é rejeitado por 50% dos participantes, que afirmam não votar nele em nenhuma circunstância. No caso do senador, o percentual é de 48%.
Lula tem vantagem entre eleitores que não votaram no primeiro turno
Um dos principais dados do levantamento aparece entre os eleitores que não participaram da votação de 4 de outubro. Nesse grupo, Lula registra 59% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro soma 28%.
A diferença de 31 pontos percentuais indica que os eleitores ausentes na primeira etapa podem representar um segmento importante para a campanha do presidente na tentativa de ampliar sua votação no segundo turno.
Entretanto, transformar essa preferência em votos efetivos é um desafio. Entre os entrevistados que não compareceram às urnas, 37% disseram que estavam viajando e 21% afirmaram ter título eleitoral registrado em outra cidade.
Os dados sugerem que parte das ausências está relacionada a dificuldades de deslocamento. A mobilização desses eleitores, portanto, pode influenciar a disputa, embora a intenção declarada de voto não garanta o comparecimento no dia da eleição.
Eleitores de Augusto Cury preferem Lula; apoiadores de Caiado indicam Flávio
A pesquisa também analisou a preferência dos eleitores que votaram nos candidatos derrotados no primeiro turno.
Entre aqueles que escolheram Augusto Cury (Avante), 64% afirmam que pretendem votar em Lula, enquanto 32% declaram preferência por Flávio Bolsonaro.
Já entre os eleitores de Ronaldo Caiado (PSD), o cenário é favorável ao candidato do PL: 61% pretendem votar em Flávio, contra 35% que optam pelo presidente.
Os eleitores de Renan Santos (Missão) aparecem divididos. Nesse grupo, 41% declaram intenção de votar em Lula e outros 41% em Flávio Bolsonaro. Os 18% restantes afirmam que pretendem votar em branco ou anular o voto.
Esses percentuais devem ser interpretados com cautela, pois os grupos de eleitores dos candidatos derrotados têm amostras menores, o que reduz a precisão das estimativas.
Defesa da democracia e rejeição ao PT influenciam escolhas
As motivações declaradas pelos eleitores também revelam diferenças entre as bases de apoio dos dois candidatos.
Entre os apoiadores de Lula, 37% apontam a defesa da democracia como principal razão para votar no presidente. Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, 34% afirmam que a rejeição ao PT é o principal fator de sua escolha.
O receio em relação ao resultado da eleição também divide os entrevistados. Segundo a pesquisa, 48% demonstram maior preocupação com uma eventual reeleição de Lula, enquanto 47% temem mais uma vitória de Flávio Bolsonaro.
O levantamento identifica diferenças regionais e sociais no comportamento eleitoral. Lula apresenta maior força no Nordeste e entre beneficiários do Bolsa Família. Flávio, por sua vez, tem desempenho mais favorável no Sul, no Centro-Oeste e entre os evangélicos.
A pesquisa também aponta uma diferença próxima de 20 pontos percentuais no comportamento eleitoral de homens e mulheres, embora os dados apresentados não detalhem, neste recorte, os percentuais de cada candidato por gênero.
Custo de vida pesa na avaliação do governo Lula
A avaliação da gestão federal aparece como outro fator relevante para a disputa. De acordo com a Palver, 51% dos entrevistados desaprovam o governo Lula, enquanto 48% aprovam a administração. Quase metade também considera que a situação do país piorou nos últimos 12 meses.
O custo de vida é apontado como a principal preocupação das famílias por 34% dos participantes.
O tema tem pesos diferentes entre os grupos eleitorais. Entre os apoiadores de Flávio Bolsonaro, 51% identificam o custo de vida como a questão mais preocupante. Entre os eleitores de Lula, o percentual é de 15%.
Na avaliação sobre a capacidade de enfrentar problemas nacionais, Flávio aparece à frente em segurança pública, controle da dívida, combate à inflação e enfrentamento da corrupção. Lula tem vantagem no combate à pobreza, enquanto os dois candidatos aparecem empatados nas áreas de saúde e educação.
Apesar das avaliações sobre a economia, 70% dos entrevistados acreditam que a situação econômica brasileira vai melhorar nos próximos 12 meses.
Maioria manteve o voto na reta final do primeiro turno
O levantamento também investigou a estabilidade das escolhas eleitorais antes da primeira votação. Segundo a Palver, 95% dos entrevistados mantiveram a decisão tomada antes da última semana de campanha. Outros 4% mudaram ou definiram a preferência nesse período.
Entre os eleitores que alteraram o voto, 51% disseram ter tomado a decisão entre 27 de setembro e 2 de outubro. Outros 8% decidiram no sábado anterior à votação, enquanto 20% fizeram a escolha no próprio domingo, 4 de outubro.
Entre os motivos para a mudança, 23% afirmaram que perceberam que o candidato escolhido inicialmente não tinha chances de chegar ao segundo turno. Outros 9% disseram que pretendiam contribuir para uma definição da eleição ainda na primeira etapa, e outros 9% queriam impedir a vitória de um candidato que rejeitavam.
A influência direta da campanha foi menor: 7% atribuíram a mudança a debates ou à propaganda eleitoral, e outros 7% citaram notícias ou denúncias.
Como o grupo de entrevistados que mudou de voto é reduzido, esses resultados também exigem cautela na interpretação.
Pesquisa ouviu 5 mil pessoas
A pesquisa Palver entrevistou 5 mil pessoas entre os dias 10 e 13 de outubro. Segundo as informações divulgadas, o levantamento tem tamanho efetivo de amostra de 1.783 entrevistados e margem de erro máxima de 2,3 pontos percentuais.
O estudo está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-08028/2026.
A metodologia utiliza uma amostra online não probabilística, formada por participantes recrutados por meio de anúncios em redes sociais. Os resultados são posteriormente calibrados considerando a votação registrada no primeiro turno.
Fonte: Pesquisa Palver
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