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PLANO DOS ESTADOS

EUA usam plano Escudo das Américas para conter China, avaliam analistas

Coalizão de 15 países busca influenciar na América Latina, segundo especialistas.

Teresinha Ferreira

24 de setembro de 2026 às 17:20 ▪ Atualizado há 40 minutos

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  • A coalizão Escudo das Américas, liderada pelos EUA, envolve 15 países da América Latina para combater o narcotráfico e conter a influência econômica da China.
  • Especialistas veem a coalizão como uma tentativa de anexação imperial dos países latino-americanos pelos EUA.
  • Durante a Assembleia-Geral da ONU, a coalizão propôs levar seu projeto à Organização dos Estados Americanos (OEA).
  • Grupos narcotraficantes, incluindo PCC e CV, foram classificados como "terroristas" pelo grupo.
  • Críticas apontam contradições na política antidrogas dos EUA, como o indulto a Juan Orlando Hernández por Trump.
  • A coalizão visa legitimar intervenções e sinalizar para a China sobre a política externa dos EUA.
  • A proposta inclui fortalecer cadeias de minérios críticos e promover fontes de suprimento confiáveis.
  • O Brasil, fora da coalizão, avalia com cautela os efeitos em suas relações com a China.
  • O objetivo da apresentação à OEA é pressionar países não aderentes, buscando legitimidade institucional.

Agência Brasil Plano Escudo das Américas para conter China
Plano Escudo das Américas para conter China

A coalizão Escudo das Américas, liderada pelos Estados Unidos, envolve 15 países latino-americanos e usa o combate ao narcotráfico para conter a influência econômica da China na região, conforme especialistas.

Segundo Danilo Enrico Martuscelli, professor de ciência política da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), "o Escudo das Américas é uma tentativa de anexação imperial dos países latino-americanos, dentro de uma disputa comercial e tecnológica com a China".

Durante a 81ª Assembleia-Geral da ONU, os países da coalizão manifestaram a intenção de levar a proposta à Organização dos Estados Americanos (OEA). O grupo também classificou como "terroristas" 24 grupos narcotraficantes, incluindo os brasileiros Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV).

Martuscelli criticou a política da Casa Branca, lembrando que o ex-presidente Donald Trump indultou o ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández, condenado por narcotráfico. "Combatem o narcotráfico no quintal dos outros, mas internamente o que fazem?", questionou Martuscelli.

O professor Robson Valdez, do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), alertou que a coalizão busca legitimizar intervenções na América Latina. "Isso sinaliza para a China que deve rever suas relações com a região sob a perspectiva da política externa norte-americana", disse Valdez.

Sob a liderança dos EUA, o Escudo das Américas propõe fortalecer as cadeias de minérios críticos, elemento central na disputa com Pequim. O documento também aborda cooperação econômica, promovendo fontes de "suprimento confiáveis".

O governo brasileiro, que não integra a coalizão, analisa a iniciativa com cautela, considerando possíveis impactos no relacionamento econômico com a China.

A apresentação da proposta à OEA visa pressionar países não aderentes, como Brasil e México, conforme Martuscelli. "Buscam legitimidade institucional para uma política de pressão aberta", concluiu.

Fonte: Agência Brasil