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Ribeiro bananicultor

O vale ribeirinho de Joel, e de seus pais Horácio da Silva Ribeiro, e Maria de Sá, bordeja hoje em dia o lago formado e barrageado da hidrelétrica da Boa Esperança


Porto Alegre do Piauí

Porto Alegre do Piauí Foto: Divulgação

Que é um ribeiro? É aquele que habita a riba do córrego, do riacho, do rio. Quase impensável o existir da póvoa humana distante das ribas, das fontes aflorantes das águas que fazem florescer a vida e o acontecer histórico.

O lugar do humano realizar socialmente seu modo de vida comum os antigos chamavam de eira: lugar da lavra e nele o agri se faz cultivador, cultor da terra, isto é, faz-se agricultor. Daí que, o que lavra a riba, faz a eira, que é ribanceira e seu íncola é o ribeiro.     

Essa prologação é para me reportar a um desses ribeiros aqui no Piauí, que foi para longe, fez e aconteceu, voltou, e faz bonito e acontece em sua ribeira de estimação: um ribeiro tão real que a condição de ser ribeiro nele é sobrenome – Ribeiro!

Joel da Silva Ribeiro, uma figura humana cheia de qualidades destacáveis. Nasceu no ano de 1928 na ribeira do rio Parnaíba sob a jurisdição municipal da secular Jerumenha, já no ano seguinte separada para constituir um novo município denominado Porto Seguro. Este Porto Seguro, nos acachoeirados da Boa Esperança, em 1943 foi rebatizado com a invocação mariana de Guadalupe. 

O vale ribeirinho de Joel, e de seus pais Horácio da Silva Ribeiro, e Maria de Sá, bordeja hoje em dia o lago formado e barrageado da hidrelétrica da Boa Esperança. Um vale repleto de ribeiros nas duas acepções congruentes acima ditas. 

O outro lado do rio-lago, esquerdo, do Maranhão, idem, ainda tem mais ribeirinhos-Ribeiro que a própria margem piauiense. E esse lado esquerdo é o grande município de Pastos Bons dos séculos mais antigos, base humana do enleio genealógico dos Ribeiro, de Horácio, e dos Sá, de Maria. 

Os hoje municípios de Pastos Bons, Passagem Franca, São João dos Patos, Nova Iorque, São Francisco e Barão de Grajaú – antiga Manga - e as duas Sucupira, do Riachão e do Norte, são uma espécie de país dos Ribeiro, assim dos Guimarães, Pereira de Sá, d’Fonseca, além dos Fernandes Lima.   

Joel tem sua herdade e referência de labor no vale do Engano, lado piauiense, agora em nova subdivisão política da ribeira natal, municipalizada com o nome de Porto Alegre. 

Muito jovem Joel ganhou o Brasil do Sul para realizar sua formação graduada e o fez em Engenharia Militar, e Engenharia Civil, integrando carreira na arma respectiva. Pós gradua-se em Engenharia Rodoviária pela Universidade do Brasil, hoje Ufrj. 

Na década de 1970 retorna ao Piauí e é designado prefeito de Teresina, ingressando assim na vida político-partidária. Cumprirá, após, um mandato de deputado federal. Exerce outras funções no Serviço Público, não se tornando, porém, um carreirista político.

Na prefeitura da Capital, seu período – de 1971 a 1975 – acentua o desencalacramento da Teresina mesopotâmica de Isidoro, Saraiva e Mamede, transitando para a metrópole que nos é contemporânea. O relevante acervo de obras públicas estruturantes do tempo, em Teresina, colocadas partidariamente na conta de Alberto Silva, e deste somente, tem a liderança técnica e realizadora do prefeito Joel. 

Ele acompanha a vida teresinense com vivo interesse. É um interlocutor privilegiado de qualquer gestor público da atualidade que o queira. Conhece a cidade, conhece o Piauí. 

Impressiona, porém, o que vem fazendo ultimamente, no auge de sua força e inteligência nonagenárias: movimenta sua ribeira, histórica, nos arredores da nova Porta Alegre, liderando, com um de seus filhos também engenheiro, uma plantação de bananas de quatro mil pés. Lavoura exitosa que lhe dá uma visível alegria de viver e socialmente produzir. Uma forma de servir. 

Joel Ribeiro é um exemplo de dono de terras produtivo. Nega o ócio acabrunhante, modo que caracteriza a aposentadoria formal de muita gente. Recordar sobre o viver naqueles sertões de tantas memórias, a Tróia avoenga, Simplício, o rio esperançoso, faz-lhe um bem imensurável. É seu jeito de alegrar e durar.  

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Sobre a coluna

Fonseca Neto

Fonseca Neto

FONSECA NETO, professor, articulista, advogado. Maranhense por natural e piauiense por querer de legítima lei. Formação acadêmica em História, Direito e Ciências Sociais. Doutorado em Políticas Públicas. Da Academia Piauiense de Letras, na Cadeira 1. Das Academias de Passagem Franca e Pastos Bons. Do Instituto Histórico e Geográfico do Piauí.

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