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ARTIGO

Lula, cidadão de Paris

"Mais um fato que faz a elite "branca", ababacada ante a França em quase tudo mais na vida, arder de inveja e ódio desse Luís de Caetés, espécie de arqueiro dos roçados sonegados e flecheiro dos operários."


Montagem

Montagem Foto: Reprodução

Enquanto o STF atraiçoa uma geração que lutou por garantias constitucionais, acatando interpretações “mutantes”, ditadas por reles generais e por sua vez mandados pela potência militar-financeira do norte continental, o presidente Lula da Silva é oficialmente adotado pela cidade de Paris como seu filho de honra e cidadão da capital francesa. Por que a honraria a Lula? Por sua condição de lutador em prol dos Direitos Humanos e contra a fome e outras formas de miséria; liderança em prol da Liberdade.

E por que a associação do desastre do STF com a mais que simbólica homenagem que Paris presta a Lula?

Muita relação: para começar, Lula está politicamente preso e condenado para não concorrer à eleição de 2018, com a chancela do STF, jogando este no lixão da história sua atribuição constitucional precípua, a segurança das instituições de Direito e de Justiça, fraturadas pelo próprio ente Judiciário. Ora, a França orgulha-se de ser paladina das liberdades. Gosta de olhar para o outro lado do Atlântico, p. exemplo, e enxergar a si como a inspiradora da democracia na América, do Norte. Daí que denunciar ao mundo a prisão política de Lula é, para a chamada Cidade-Luz, um imperativo de sua estatura libertária historicamente apreciada e seguida por sociedades traquejadas nas franquias do acatamento a leis legitimamente estabelecidas.

A elite impiedosa, do atraso, baseada no Brasil e que o tem apenas como seu lugar de pasto e pilhagem de toda ordem, acaba de oferecer mais uma prova do quanto tem desprezo por este país. Prova novamente sua pequenez e vocação para o crime contra a liberdade, a democracia, enfim, contra os valores relacionados aos pilares do edifício por muitos tido como virtuoso na ordem civilizatória.

O Brasil até parece um demente político, deformado pela sanha das ditaduras, por despotismos obscurantistas, tal é a emergência e força proto-fascista e imenso poder corrosivo, do grupo que agora assaltou a direção formal da República, este objeto de tentativas de erguimento e prevalência na engenharia social e política do Brasil, mas tantas vezes derrubada.

Deve espantar a França e sobretudo os franceses de sua capital, e deveria cobrir de vergonha o Brasil, um Tribunal solapar princípios universalizantes, tais os da legítima defesa, presunção de inocência e igualdade em face da lei, e, no mesmo diapasão decisório,  distinguir politica e partidariamente, entre os do povo, a quem alcançará.  

Liquidando-se ante a sociedade brasileira, numa – aparentemente? – insana auto defenestração do pódio legal-constitucional, isso é o que faz o STF, ao submeter-se à vontade do coturno entreguista da soberania nacional, em detrimento da urna e seu potencial instituinte da soberania popular. Quando se associa na perpetração de golpes e afunda a institucionalidade na desestabilização. Repita-se, instituições já sôfregas, já tão tuteladas por bandoleiros incorrigíveis, já tão marcadas pela corrupção de agentes reais e pela imbecilidade da “corrupção dos tolos” (JS).

Lula, cidadão de honra de Paris: cobriria também de “vergonha” os brasileiros – fosse isso algo do campo moral – a sonegação dessa relevante notícia por parte da mídia monopólica e venal, que avilta o processo de comunicação social no Brasil, degradando a construção do eu coletivo brasílico na pegada incorrigível que Nelson Rodrigues chamou de viralatismo. Mais um fato que faz a elite “branca”, ababacada ante a França em quase tudo mais na vida, arder de inveja e ódio desse Luís de Caetés, espécie de arqueiro dos roçados sonegados e flecheiro dos operários. Não é sujeito de errâncias esse cara? Não cabe aqui falar de santidade.

Alçado à magistratura máxima do Brasil pelas leis modeladas pelo ciclo de fogo da branquidade escravista, ele acreditou, pueril, que o que vem escrito nas leis não-penais valeria para os viajantes dos paus de arara... 

Lembro o mestre Suassuna e digo que sou um realista esperançoso: mais à frente, sejam passados uns dias, seja um século, há derrubada a bastilha da estupidez e infâmia cívica que mantem o Brasil sob servidões. 

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Sobre a coluna

Fonseca Neto

Fonseca Neto

FONSECA NETO, professor, articulista, advogado. Maranhense por natural e piauiense por querer de legítima lei. Formação acadêmica em História, Direito e Ciências Sociais. Doutorado em Políticas Públicas. Da Academia Piauiense de Letras, na Cadeira 1. Das Academias de Passagem Franca e Pastos Bons. Do Instituto Histórico e Geográfico do Piauí.

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