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“Porra da árvore”, atacou o Inominável

região amazônica e todas as áreas de floresta com algum tipo de proteção legal estão na mira da onda ecocida


Papa recebe indígenas na abertura do Sínodo da Amazônia no domingo (6), no Vaticano

Papa recebe indígenas na abertura do Sínodo da Amazônia no domingo (6), no Vaticano Foto: Remo Casilli/Reuters

A Inominável figura ditou esse libelo acusatório na véspera da abertura do Sínodo dos Bispos para a Região Pan-Amazônica, em Roma. E vejam que esse ataque às árvores, estendida aos indígenas, equivalente a uma condenação à morte, ocorre no país cujo hino nacional o enaltece como “florão da América”. E sobre sua bandeira se diz que tem verde para evocar “nossas matas”, o dito florão. E lembre-se logo que o verde do pavilhão não é por motivo de mata e que as matas – ou o que restou delas – não são nossas, dos brasileiros.

Árvore, uma “porra”? Ele atacou assim as árvores perante garimpeiros que querem continuar invadindo aquelas que, ao custo de muitas lutas, permanecem como áreas de terra reservadas ao viver de herdeiros de populações ancestrais do vale Amazônico e outras reservas com amostras de fauna e flora do Pindorama.

O Inominável coloca de pé o plano de entregar tudo à exploração do sistema do Capital, dando fim e transformando as terras das atuais reservas indígenas em zonas de extração de madeiras, da diversidade biológica e que sejam as áreas despojadas de sua natureza, aproveitados depois para pastagens e criação de gado para exportação.

A região amazônica e todas as áreas de floresta com algum tipo de proteção legal estão na mira da onda ecocida que vai devastando a natureza ecossistêmica no Brasil. O que sobrou da pilhagem colonial organizada, em bases mercantis, tem pouca chance de sobrevida... Até porque o comando entreguista que assaltou o poder no golpe em curso, está apressando o ataque que devasta e pilha o quanto pode enquanto eventualmente não se forme uma contraposição efetiva ao desastre.

No contexto dessa agressão criminosa a todas as formas de vida, liderada pela camarilha golpista que assaltou o poder no Brasil, tem imensa importância a iniciativa do papa Francisco de chamar um consistente encontro sinodal para examinar a situação amazônica, que, aliás, não está submetida apenas à geopolítica brasileira.

Sabe a Igreja cristã católica da dimensão desastrosa que implica a depredação insustentável da imensa mas finita natureza amazônica para, apenas, irrigar a voracidade da economia capitalista e de sua acumulação financeira mortífera. Acumulação, relembre-se, deflagrada com a implantação colonial decorrente da invasão intercontinental de 1500.

Um certo dizer afirma que, quando “Roma locuta, causa finita est”. Essa referência serve para lembrar que o Sínodo busca atualizar o necessário debate de rumos sobre a questão amazônica e do próprio meio-ambiente, referencial grandioso da vida na terra; por outro lado, objeto das propensões do sistema do Capital depredador. Sínodo que veio na esteira da grande encíclica Laudato Si, de 2015, documento fundamental na orientação das questões que se busca encaminhar pensando o futuro, o cuidado com a casa comum, a face da terra, inclusive o espetáculo vital que forra o fundos dos rios e mares.    

A Igreja desembarcou no vale amazônico no bojo e como associada do gigantesco esforço da expansão mercantil-marítima encetado pela Europa norte-atlântica, desde os anos do 1400, Quinhentos a dentro. A expansão objetivava fazer negócios vantajosos, muito vantajosos. À Igreja, em particular, animava a conversão dos grupos humanos naturais da terra ao espectro do viver cristão, numa forma de abordagem muito diversa do que pratica no tempo presente. A Igreja católica já não aceita a eliminação física desses grupos humanos, também já não os evangeliza para reduzi-los a meros espoliados eco culturais em meio a branquidade.

Diga-se por fim que mudou muito nesse campo a Católica, enquanto outras organizações de caráter religioso ganharam terreno com a prática de reduzir tais grupos ao modo de vida comum dos demais brasileiros, inclusive despojando-os do chão em que possam elaborar seus modos de sobreviver. E que sejam doadas as chamadas “reservas” indígenas ao chamado agronegócio, míneronegócio.

Esse é, por exemplo, o mortífero e anticristão projeto que a ridiculamente dita bancada “evangélica” “da Bíblia”, no consórcio golpista, leva a efeito, unida à suspeita “bancada do boi”.

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Sobre a coluna

Fonseca Neto

Fonseca Neto

FONSECA NETO, professor, articulista, advogado. Maranhense por natural e piauiense por querer de legítima lei. Formação acadêmica em História, Direito e Ciências Sociais. Doutorado em Políticas Públicas. Da Academia Piauiense de Letras, na Cadeira 1. Das Academias de Passagem Franca e Pastos Bons. Do Instituto Histórico e Geográfico do Piauí.

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