PODCAST MULHER MAIS
Natalia Costa
13 de maio de 2026 às 11:02 ▪ Atualizado há 22 minutos
A conselheira do Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI), Flora Izabel Rodrigues, participou do podcast Mulher Mais e relembrou momentos marcantes da sua trajetória política e social no Piauí. Durante a entrevista, ela destacou a atuação na defesa dos direitos humanos, da inclusão social e do fortalecimento da presença feminina nos espaços de poder.
A conselheira relembrou que iniciou sua militância ainda jovem, durante o período da ditadura militar, quando ingressou na Universidade Federal do Piauí (UFPI). Segundo ela, foi nesse ambiente que começou a participar dos movimentos estudantis e das lutas por direitos dentro da universidade.
Eu me considero uma mulher muito comprometida com as causas sociais e isso foi fruto de toda uma construção, de toda uma luta. Eu comecei novinha, com 18 anos. Eu entrei na Universidade Federal do Piauí e naquele momento, ainda na ditadura e com muita repressão. E lá comecei a conviver com movimentos estudantis, a luta pelo bandejão, a luta pela liberdade, a luta por nós termos direito a todos os espaços no campus, a luta por fazer greve, manifestação.
A conselheira também destacou sua atuação no movimento sindical e a participação na luta pelo direito à sindicalização dos servidores públicos durante a Constituição de 1988. Posteriormente, ingressou na política partidária, sendo vereadora de Teresina e deputada estadual por cinco mandatos consecutivos.
Leis voltadas para mulheres e minorias
Flora Izabel destacou projetos de lei criados ao longo da carreira parlamentar, especialmente os voltados para o combate à violência contra a mulher e a inclusão social.
A maiorias das leis para a proteção das mulheres são minhas, proteção ao movimento LGBT+, movimento gay, lésbica, travesti são minhas também. Entre as leis iniciais da acessibilidade também são minhas, a Lei da Saúde Mental. Eu sou autora juntamente com o vereador Anselmo Dias da lei de criação dos CAPS, que são o centro da atenção psicossocial que atende as pessoas pobres que não tem um psiquiatra, não tem como comprar um remédio.
Entre as iniciativas citadas por ela estão a criação da Casa Abrigo para mulheres vítimas de violência, a Patrulha Maria da Penha, leis de acessibilidade e o reconhecimento do nome social para pessoas trans no Piauí.

“Piauí foi pioneiro na carteirinha com nome social para pessoas trans. E foi fruto de uma lei da minha autoria”, destacou.
A conselheira também relembrou experiências pessoais que fortaleceram seu compromisso com a pauta feminina. Ela contou que presenciou casos de violência doméstica dentro da própria família e afirmou que isso influenciou diretamente sua atuação política.
A violência doméstica traz uma dor física muito grande, mas a psicológica, da alma, é muito maior. Eu vi o sofrimento da minha prima, eu fui essa menina que via a minha prima sofrendo, a minha tia espancada. Só não teve feminicídio porque minha mãe e as outras irmãs se juntaram, pegaram, fizeram uma vaquinha e tiraram ela daqui e mandaram pra Brasília. Mas eu vivi isso desde criança.
Participação feminina na política
Ao falar sobre a presença das mulheres na política, a conselheira Flora Izabel avaliou que houve avanços ao longo dos anos, mas afirmou que ainda existem desafios para ampliar a representatividade feminina nos cargos públicos.
Ela também ressaltou que o Piauí possui atualmente o maior número de mulheres em uma corte de Tribunal de Contas no Brasil. Dos sete membros do TCE-PI, quatro são mulheres.
Segundo Flora Izabel, a participação feminina nos espaços de poder é fundamental para ampliar debates sobre violência de gênero, acessibilidade, saúde mental e inclusão social.
Eu fui candidata a primeira vez em 1994 para deputada federal. E eu sabia que eu não ia ser eleita, mas eu precisava passar a minha mensagem sobre a importância das mulheres na política. Eu era a única candidata mulher a deputada federal. Então eu digo para vocês que eu considero que houve uma melhoria. Agora nós precisamos construir muito mais.
Transparência e fiscalização no TCE-PI
A conselheira explicou ainda como funciona o trabalho de fiscalização realizado pelo Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI). Ela afirmou que grande parte das denúncias analisadas pelo órgão parte da própria população, inclusive de forma anônima.
“A maioria dos processos que nós analisamos vem de denúncias populares”, afirmou.
Flora Izabel também comentou sobre ações desenvolvidas dentro do TCE-PI relacionadas à saúde mental e destacou que o tribunal passou a incluir o tema nas fiscalizações realizadas nos municípios piauienses.
Confira a entrevista completa: