Brincar de Brasil


A pessoa humana nasce, cresce e chega à maturidade e quando olha para trás, quantas verdades ditas estabelecidas não passaram de embustes, engodos, ilusões, decepções, que muitas vezes vêm o sentimento de que realmente foi terrivelmente enganado. 

Eu citaria dois motivos que me fizeram sentir extremamente frustrado, e desaguaram no que acontece atualmente e que eu chamo de brincar com o Brasil. 

O primeiro motivo, foi a partir dos seis anos de idade eu me deparar com o Golpe Militar de 1964, que me ocasionou viver todo o meu tempo de estudante no Regime de Exceção, e que me fez saber das barbaridades cometidas contra parte da estudantada indefesa. 

Daí a crença daquela geração de que a democracia seria remédio, a panacéia para todos os males nacionais e o Estado Democrático de Direito o sistema capaz de recuperar os danos causados pela tradicional oligarquia na Nação. 

O segundo motivo, foi que o Direito Brasileiro era defeituoso, capenga, esdrúxulo, em razão da Constituição de 1967 e da Emenda Constitucional de 1969, que davam sustentação jurídica à Ditadura Militar, que, com o fim do ciclo, criar-se-ia ordenamento positivo nacional moderno, adequado.

Tudo isso me incentivou na minha trajetória estudantil a descortinar o novo: a democracia e o Direito. E em 1985 eu já estava diplomado em Direito e o Brasil conquistou a Nova República, que foi a pá de cal no obscurantismo autoritário. 

Em 1988 o apogeu institucional, o Brasil pela primeira vez adotou a plenitude do Estado Democrático de Direito, com a Constituição da República, que elevou o País ao concerto das nações civilizadas. 

Com a consagração democrática brasileira, o povo pátrio participa com Luiz Inácio Lula da Silva no poder da riqueza nacional e Lula elevará o País à sexta potência econômica do globo e se torna o melhor presidente do Brasil. 

Mas a grande maioria da classe dirigente tupiniquim sobrevive, arraigada e historicamente, das benesses do Estado. E afastada do poder devido o povo ser agraciado com a divisão do bolo da União, desferiu o golpe parlamentar-constitucional-judicial contra o País em 31 de agosto de 2016. 

Com a ruptura institucional veio a desilusão, pois o Brasil, com os vitoriosos das eleições de 2018, voltou ao discurso tenebroso dos idos do Golpe Militar de 1964. 

A oligarquia do Brasil mandou novamente para as cucuias o Direito, com a traição da Carta Magna de 1988, e por via de consequência o Estado Democrático de Direito, com o impeachment da presidente Dilma Rousseff sem crime de responsabilidade e a prisão do Lula inocente em seis meses de processo criminal e o motorista do filho do atual presidente sem sequer depor no Ministério Público em quase seis meses de acusação. 

Assim, o brasileiro, outrora tão esperançoso do futuro da Pátria, foi levado pela sede de poder da elite nacional e do baronato midiático ao fundo do poço, no que se pode concluir diante de tantas mediocridades, e sem sombra dúvidas, que estão de brincandeira com o Brasil.

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Sobre a coluna

Deusval Lacerda

Deusval Lacerda

Deusval Lacerda é natural de São João do Piauí. É economista e advogado.

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