Blog do Brandão

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SANGUE NOVO EM BRASÍLIA

Venâncio Cardoso disputará vaga de deputado federal com foco no bem-estar da população

Venâncio está no 3⁰ mandato de vereador, tem herança política e entra no plano do governo para turbinar a bancada aliada no Congresso em 2026

Por Luiz Brandão

Quinta - 09/04/2026 às 18:47



Foto: Pedro Sávio Venâncio Cardoso vai disputar uma vaga de deputado federal pelo MDB
Venâncio Cardoso vai disputar uma vaga de deputado federal pelo MDB

Teresina – PI — O tabuleiro político piauiense para as eleições de 2026 acaba de ganhar um movimento estratégico de peso. O vereador de Teresina, Venâncio Cardoso, atualmente em seu terceiro mandato na Câmara Municipal, anunciou sua saída do Partido dos Trabalhadores (PT) e filiação ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Mais do que uma simples troca de legenda, a mudança o lança como pré-candidato a deputado federal, uma peça-chave nos planos do governador Rafael Fonteles (PT) para ampliar a força da base aliada no Congresso Nacional.

A decisão, revelada em primeira mão ao Portal Piauí Hoje, não pegou os bastidores da política de surpresa. Ela reflete um movimento calculado nos últimos dias de negociação, motivado pelo cenário eleitoral que se desenha para 2026 e a necessidade de consolidar uma bancada federal robusta que dê sustentação ao projeto petista no Piauí e no Brasil.

O estopim para a mudança, conforme detalhou Venâncio durante a entrevista ao Podcast do Portal Piauí Hoje, comandado pelo jornalista Luíz Brandão, foi uma combinação de fatores: a janela partidária, o fim das coligações proporcionais e uma reengenharia política orquestrada pelo Palácio de Karnak.

“A Justiça Eleitoral está propondo a diminuição do número de partidos através das cláusulas de barreira e do fim das coligações. A base do governo hoje tem oito deputados federais. Havia um relacionamento entre MDB e PSD, mas houve um rompimento. No cálculo da última semana, viu-se que o governo poderia perder uma vaga de deputado federal”, explicou o vereador.

A matemática eleitoral, segundo ele, era clara e o alerta foi acionado. Com o governador Rafael Fonteles liderando todas as pesquisas de intenção de voto para a reeleição, a prioridade do grupo agora é garantir um Congresso Nacional favorável o projeto do presidente Lula.

Não por acaso, o próprio Rafael Fonteles já definiu publicamente as prioridades da base para 2026: em primeiro lugar, a reeleição do presidente Lula; em segundo, a eleição de uma bancada federal que dê “sustentação” ao governo. É neste segundo ponto que Venâncio Cardoso entra em campo.

“No momento em que o Brasil foca em eleger mais deputados para dar sustentação ao governo, não poderíamos perder espaço. Rafael Fonteles e Lula têm condições de serem reeleitos, então fui convocado para que a base, em vez de diminuir, possa crescer ou se consolidar com nove deputados”, afirmou o vereador.

A filiação ao MDB também não é aleatória. A sigla é um dos pilares da base governista no estado e, para 2026, o PT já definiu que vai compor chapa com o partido, indicando o nome do senador Marcelo Castro (MDB) como um dos postulantes às duas vagas do Piauí no Senado . Venâncio chega, portanto, para ocupar um espaço já desenhado na estratégia majoritária.

Venâncio Cardoso no estúdio do portal Piauí Hoje com o jornalista Luiz Brandão Uma trajetória em três atos

Longe de ser um novato, Venâncio Cardoso, de 39 anos, construiu uma trajetória política marcada por idas e vindas partidárias, mas com uma constante: a votação ascendente. Eleito pela primeira vez em 2016 pelo PT, com 5.808 votos, foi um dos mais jovens a ocupar uma cadeira no Legislativo da capital. Naquele momento, sua imagem ainda estava muito atrelada ao sobrenome da mãe, a então deputada petista Flora Izabel.

O segundo mandato, porém, trouxe uma lição dura. Após uma passagem pelo PP, partido da base do governo na época, mas que lhe rendeu críticas ferrenhas do PT, Venâncio viu seus votos diminuírem. “Achei que conhecia Teresina e que o trabalho bastava, mas não fiz o dever de casa: eleição de vereador é de casa em casa, conversando e criando relacionamento. Levei um baque”, admitiu.

A recuperação veio no terceiro mandato. Já de volta ao PT, ele aplicou a lição aprendida e intensificou o corpo a corpo com o eleitor. O resultado foi sua melhor votação: 6.318 votos, consolidando uma curva ascendente que agora o credencia a dar o salto para Brasília.

Na Câmara Municipal de Teresina, sua atuação tem se concentrado em comissões estratégicas. Atualmente, ele é presidente da Comissão de Legislação, Justiça e Redação Final, além de comandar a Comissão de Direito dos Idosos e ser suplente na Comissão da Pessoa com Deficiência e Acessibilidade. Esta última, em especial, tem sido um laboratório para suas bandeiras de campanha.

“Precisamos discutir saúde para a população idosa, bem-estar, apoio para mães de crianças autistas que não conseguem diagnóstico. Por que uma mãe exausta, que muitas vezes é abandonada pelo marido após o diagnóstico do filho — e isso é uma verdade estatística — não pode ter um político que lute por ela?”, questionou o vereador.

Herança política de três gerações

A política corre nas veias da família Cardoso. Para além da atuação parlamentar, a trajetória de Venâncio é indissociável da história de sua mãe, Flora Izabel, uma das figuras mais emblemáticas da esquerda piauiense.

Formada em economia e letras pela Universidade Federal do Piauí (UFPI), Flora foi fundadora e primeira presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Federais do Piauí (Sinsep). Começou no movimento estudantil, foi eleita vereadora de Teresina por dois mandatos (1996 e 2000), deputada estadual e, em 2021, deu um salto na carreira ao ser eleita conselheira do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PI) com 17 votos — um cargo vitalício .

A eleição de Flora para o TCE, aliás, foi um marco do poder de articulação do então governador Wellington Dias (PT), que conseguiu eleger sua aliada contra o candidato apoiado pelo ministro Ciro Nogueira (PP). Essa tradição de articulação política parece ter sido transmitida ao filho.

O contraste familiar, no entanto, é um dos pontos mais curiosos da trajetória de Venâncio. Se a mãe vinha do movimento estudantil combativo, seu avô materno, o Coronel José Rodrigues Alves, era uma figura do establishment: comandante da Polícia Militar do Piauí nos governos Hugo Napoleão e Bona Medeiros.

“Imagine só: minha mãe líder estudantil contra o sistema e meu avô, o Coronel, do outro lado. Acontecia o embate”, recordou Venâncio, aos risos. O jornalista Luiz Brandão, que conheceu a época, fez questão de corrigir qualquer visão negativa: “O Coronel José Rodrigues Alves foi um dos comandantes da PM com a maior tranquilidade, um diplomata para resolver problemas”.

Do lado paterno, a influência veio do sindicalismo acadêmico. Seu pai, o professor Francisco Cardoso, paraense de origem, fez mestrado no Rio Grande do Sul antes de desembarcar no Piauí. Na UFPI, tornou-se uma referência no curso de Engenharia Civil, sendo o professor que mais formou profissionais na área no estado, e chegou à presidência da ADUFPI (Associação dos Docentes da UFPI) por duas vezes.

A família ainda se estende na política por outros ramos. Venâncio é primo de segundo grau do ex-deputado federal Jesus Rodrigues e sobrinho-neto de Jerônimo Rodrigues, que foi vereador de Teresina e cujo irmão também comandou o município de Hugo Napoleão .

“Você não está na política de agora, faz muito tempo”, resumiu o apresentador.

O desafio de deixar o ninho petista

A saída do PT, desta vez, tem um sabor diferente para Venâncio. Em suas duas primeiras passagens pela legenda, as rupturas foram traumáticas. A ida para o PP, em especial, rendeu críticas pesadas de companheiros de partido. Agora, a situação parece mais amena, mas nem por isso menos estratégica.

“Eu estava muito bem no governo do Rafael e no PT, muito bem acolhido. Você é testemunha de como as pessoas me tratam bem no partido. Mas surgiu, na última hora, essa possibilidade no MDB”, justificou.

A movimentação de Venâncio se insere em um contexto mais amplo de rearranjo partidário no Piauí. Dados da Assembleia Legislativa mostram que, durante a janela partidária que se encerrou recentemente, sete deputados estaduais trocaram de legenda, com o PT ampliando sua bancada para 14 deputados, a maior da Casa .

No entanto, para o cargo de deputado federal, a lógica é outra. O MDB, que na Assembleia manteve nove parlamentares, é visto como uma legenda com capilaridade no interior e tradição eleitoral para a Câmara dos Deputados. A sigla também faz parte da pré-chapa majoritária do governo para 2026, ao lado do PT e do PSD.

Venâncio, portanto, não está pulando do barco, mas trocando de barco dentro da mesma frota. Ele deixa de ser um “coadjuvante que estaria apenas torcendo pelo time para entrar em campo”, como ele mesmo define.

“Eu sempre digo que não se perde, se aprende. Eu sempre sonhei em ser político, eu gosto disso. Não quero sair da política enquanto o povo me quiser nela”, concluiu.

Entrevista 

Veja entrevista completa de Venâncio Cardoso no portal Piauí Hoje 


Luiz Brandão

Luiz Brandão

Luiz Brandão é jornalista formado pela Universidade Federal do Piauí. Está na profissão há 40 anos. Já trabalhou em rádios, TVs e jornais. Foi repórter das rádios Difusora, Poty e das TVs Timon, Antares e Meio Norte. Também foi repórter dos jornais O Dia, Jornal da Manhã, O Estado, Diário do Povo e Correio do Piauí. Foi editor chefe dos jornais Correio do Piauí, O Estado e Diário do Povo. Também foi colunista do Jornal Meio Norte. Atualmente é diretor de jornalismo e colunista do portal www.piauihoje.com.
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