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COMUNICAÇÃO

A máquina de votos das redes sociais testará força da democracia brasileira em outubro

Especialistas apontam que o sucesso eleitoral dependerá do domínio da Inteligência Artificial, do combate às fakes e da criação de narrativas em vídeo

Por Luiz Brandão

Segunda - 09/02/2026 às 06:04



Foto: Redes sociais As redes sociais são o novo palanque político
As redes sociais são o novo palanque político

Como já ocorreu em pleitos anteriores, a próxima eleição, em outubro de 2026, não será decidida apenas no contato direto com eleitor ou em comícios e programas de rádio e TV. O campo de batalha principal está, cada vez mais, no ambiente digital. As redes sociais consolidaram-se como o no fator de influência direta mais poderoso na formação de comunidades políticas e no debate público, exigindo uma reinvenção completa das estratégias de campanha.

Dados do Tribunal Superior Eleitoral - TSE, e de relatórios de consultorias como a Quintessa indicam que o investimento em marketing digital político cresce a taxas superiores a 30% ao ano, enquanto os formatos tradicionais perdem espaço. Para políticos e profissionais de comunicação, entender essa nova dinâmica não é mais uma opção, mas uma condição para sobreviver no jogo eleitoral.

A influência das redes sociais

A transformação começa pela relação direta e sem mediadores. Políticos agora "conversam" diariamente com os eleitores, criando uma sensação de democracia digital direta e acesso em tempo real. No entanto, essa conexão vem acompanhada de um mecanismo complexo de influência. Algoritmos de plataformas como Instagram e TikTok moldam o que o eleitor vê, criando bolhas que podem definir escolhas eleitorais, especialmente entre os jovens.

A hipersegmentação digital é outro pilar. Com base em dados de comportamento, as campanhas direcionam mensagens específicas para perfis ultra-específicos de eleitores, tornando a comunicação extremamente personalizada e eficiente. Este modelo se destaca pelo custo-benefício, permitindo campanhas de alto impacto a um custo muito menor que o das estruturas tradicionais de rua e materiais impressos.

Além da conquista de votos, as redes funcionam como ferramenta de prestação de contas e mobilização, permitindo a transparência cívica e a rápida ativação de apoiadores em grupos como o WhatsApp. O grande desafio paralelo, no entanto, é manter a credibilidade em um ecossistema propenso à disseminação veloz de informações imprecisas.

O que fazer para vencer

Especialistas em comunicação política e marketing digital são unânimes em apontar os focos estratégicos para as eleições de 2026. Ignorá-los significa ficar para trás.

1. Uso ético da Inteligência Artificial (IA): A IA será a espinha dorsal da campanha, usada para análise massiva de dados, produção otimizada de conteúdo, monitoramento de sentimentos e combate à desinformação. A chave, no entanto, será a transparência. Partidos e candidatos que comunicarem claramente como e por que usam a IA ganharão credibilidade. O uso antiético para criar deepfakes ou bots de disseminação de fake news será um risco reputacional enorme.

2. Monitoramento e resposta rápida: O ambiente digital não dorme. Campanhas precisarão de centros de comando (war rooms) capazes de monitorar tendências e o humor do eleitorado 24 horas por dia, 7 dias por semana. A capacidade de reagir a crises, comentários negativos virais ou ataques coordenados em tempo real será decisiva. A lentidão pode significar a perda do controle da narrativa em poucas horas.

3. Narrativa e gestão de reputação: Mais importante do que simplesmente estar nas redes é construir uma narrativa coesa e uma imagem forte. Em 2026, o foco estará na defesa proativa da reputação contra ataques coordenados e conteúdos maliciosos tirados de contexto. A construção da biografia e dos valores do candidato de forma fragmentada e envolvente será constante.

4. Domínio das plataformas de vídeo curto: O formato rei será o vídeo de curta duração. Instagram Reels, TikTok e YouTube Shorts serão os principais canais para disseminar narrativas de forma rápida, emocional e fragmentada. A habilidade de criar conteúdos criativos, autênticos e que "prendam" o usuário nos primeiros segundos será uma competência obrigatória para qualquer assessoria.

Em resumo, 2026 marcará a era da comunicação política em tempo real, onde a Inteligência Artificial atua como um potente acelerador e ferramenta de apoio, mas não substitui a criatividade e a autenticidade humanas. O candidato que souber equilibrar tecnologia avançada, ética e uma comunicação humana e direta terá a chave para conquistar o eleitorado hiperconectado.

A democracia brasileira seguirá seu curso, mas o caminho até as urnas estará, sem dúvidas, pavimentado por likes, shares, fake news, algoritmos e uma infinidade de telas.

Luiz Brandão

Luiz Brandão

Luiz Brandão é jornalista formado pela Universidade Federal do Piauí. Está na profissão há 40 anos. Já trabalhou em rádios, TVs e jornais. Foi repórter das rádios Difusora, Poty e das TVs Timon, Antares e Meio Norte. Também foi repórter dos jornais O Dia, Jornal da Manhã, O Estado, Diário do Povo e Correio do Piauí. Foi editor chefe dos jornais Correio do Piauí, O Estado e Diário do Povo. Também foi colunista do Jornal Meio Norte. Atualmente é diretor de jornalismo e colunista do portal www.piauihoje.com.
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