FLEXIBILIZAÇÃO

Novo normal? Modelo de quarentena intermitente pode ser solução sem vacina

Proposta ajudaria economia e diminuiria probabilidade de contágio, garantindo controle da doença até surgimento de um método de imunização


Quarentena intermitente

Quarentena intermitente Foto: Divulgação

* Juliana Contaifer

Até que se encontre uma vacina eficiente contra o coronavírus e a população esteja devidamente imunizada, o esquema de isolamento social será necessário. Países que controlaram bem a epidemia de Covid-19, com lockdown e testagem em massa, mostram que a questão é um pouco mais complicada do que simplesmente abrir as portas do comércio e das escolas e voltar à vida de antes. Alemanha e China, por exemplo, voltaram a registrar casos da doença ao flexibilizar o distanciamento.

Para ajudar a economia a voltar a funcionar, mas mantendo a população em segurança, cientistas do Instituto Weizmann, de Israel, propõem um modelo de flexibilização chamado de 10-4. A cada dez dias de quarentena, seriam quatro dias úteis com comércio e escolas abertos.

A proposta só poderia ser colocada em prática em países que já controlaram o coronavírus, e deve ser combinada com medidas de distanciamento social, mantendo cuidados como o uso de máscaras e a higienização mais frequente de espaços públicos. No Brasil, onde o número de casos e óbitos segue em curva ascendente, não seria o momento de testar esta saída.

A proposta dos cientistas de Israel se aproveita do chamado período de “latência” do vírus. Segundo pesquisadores, nos três primeiros dias da infecção, o paciente não passa a doença. Se for contaminado durante os dias úteis, ele já estaria em casa no período em que poderia transmitir o vírus. Para que o modelo funcione, entretanto, as pessoas com sintomáticas continuam obrigadas a ficar em casa e os pacientes dos grupos de risco também devem permanecer isolados.

A população seria ainda dividida em turnos, para evitar aglomerações nos dias de circulação livre.

De acordo com o estudo, o sistema manteria a taxa de contágio do vírus abaixo de 1: se cada pessoa infectada passa a doença para mais uma, a quantidade de casos aumenta exponencialmente. Se fica abaixo, é possível controlar os pacientes positivos. Um dos problemas é que o esquema não funcionaria para todos os setores da sociedade: restaurantes, bares, hotéis e grandes eventos, por exemplo, podem precisar de medidas extras de segurança sanitária.

Pelo mundo
Por estar algumas semanas atrás da Europa e Ásia na linha do tempo da pandemia, o Brasil tem a chance de acompanhar experiências de outros países no pós-quarentena antes de definir a melhor estratégia de reabertura.

A Áustria, um dos países que conseguiu lidar bem com o coronavírus, vai testar um modelo semelhante ao 10-4 com os estudantes a partir da próxima segunda (18/05). Metade dos alunos irá à escola por cinco dias a cada duas semanas, e a outra metade seguirá o plano nos outros dias. O objetivo é diminuir as chances de contágio.

A Coreia do Sul, um dos exemplos internacionais de controle ao coronavírus, reabriu boa parte do comércio, incluindo bares e boates. Porém, logo surgiram novos casos de contágio. A reação foi rápida: o governo testou 2.450 pessoas que moram ou frequentam o bairro mais boêmio da capital Seul, e acompanhou 1.500 pessoas que estiveram no local nas últimas semanas. Foram fechados todos os estabelecimentos e a crise foi controlada.

Porém, este modelo só funciona porque o governo coreano tem acesso livre ao sistema de geolocalização dos celulares da população, e pode verificar exatamente onde cada um esteve, monitorando e testando o grupo que ficou exposto ao vírus .

Na Alemanha, outro país que conseguiu segurar a epidemia, o plano é abrir lentamente o comércio e as escolas. Os alunos irão voltar às aulas gradativamente, em pequenos grupos, e devem estudar em turnos rotativos, e não diários. No país, só foram autorizadas a funcionar as lojas varejistas com até 800m² e a chanceler Angela Merkel reitera que, apesar de o comércio estar aberto, a população deve evitar sair de casa sem motivo.

Na Itália, um dos países mais atingidos pela Covid-19, a abertura também está sendo gradual. Primeiro, parques, fábricas e repartições voltaram a funcionar, e a população pode visitar familiares, desde que em pequenos grupos. As escolas e igrejas permanecerão fechadas até setembro.

Já a Austrália e a Nova Zelândia, que conseguiram controlar o coronavírus com forte isolamento social, estão liberando o comércio e as aulas aos poucos, e já permitiram que a população volte a ter acesso à pesca, caça e caminhadas, além de praias.

Fonte: Metrópole

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Debora Ghelman

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