Artigos & Opinião

ARTIGO E OPINIÃO

A derrubada do veto presidencial: espetáculo de democratas hipócritas

Esse precedente é perigoso: se o Congresso pode, por conveniência, derrubar um veto presidencial e reescrever sentenças já transitadas em julgado, a porta da imoralidade fica escancarada.

Teresinha

03 de maio de 2026 às 12:44 ▪ Atualizado há 1 hora

Ver resumo
  • A democracia brasileira necessita de respeito às instituições, incluindo a Suprema Corte.
  • O Congresso, motivado por interesses políticos, pode estar desrespeitando decisões judiciais ao criar regras retroativas.
  • A ação de reverter decisões judiciais pode levar a desordens institucionais e gerar precedentes preocupantes.
  • Declarações de líderes políticos sugerem desrespeito às regras democráticas em favor de condenados, incluindo Jair Bolsonaro.
  • O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, é acusado de agir de maneira revanchista ao conduzir a derrubada de um veto presidencial.
  • A Constituição e a separação dos poderes devem ser respeitadas, e a igualdade de tratamento perante a lei deve ser mantida.
  • Cabe ao STF reafirmar a inconstitucionalidade da medida e proteger os princípios democráticos.
  • O eleitor deve exercer responsabilidade democrática, não reelegendo políticos que desrespeitam a Constituição.

Plenário da Câmara dos Deputados
Plenário da Câmara dos Deputados

A democracia brasileira exige respeito às instituições e às decisões da Suprema Corte. Quando o Congresso, movido por interesses políticos, decide descumprir a dosimetria imposta pelo STF e cria regras retroativas para beneficiar transgressores da pátria — entre eles Jair Bolsonaro —, institucionaliza-se o desrespeito às decisões judiciais, abrindo caminho para um estado de desordem institucional.

Esse precedente é perigoso: se o Congresso pode, por conveniência, derrubar um veto presidencial e reescrever sentenças já transitadas em julgado, a porta da imoralidade fica escancarada. O caos político passa a ser liderado por falsos mandarins que se apresentam como defensores da República, mas agem em flagrante desprezo às regras democráticas.

A fala do presidente da Câmara, Hugo Motta, ao considerar a articulação do deputado Paulinho da Força uma "construção política possível", é sintomática e causa perplexidade pelo tamanho desprezo às regras democráticas. Favorecer condenados pelo 8 de janeiro — entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro e militares de alta patente como Almir Garnier, Paulo Sérgio Nogueira, Walter Braga Netto e Augusto Heleno — não é construção política, mas demolição.

No Senado, o presidente Davi Alcolumbre, demonstrando descompromisso com os valores da República, reforça esse movimento conduzindo a derrubada do veto presidencial com espírito revanchista, como se fosse um sumo potentado. O veto, por sua vez, foi um ato de responsabilidade: o projeto de lei é inconstitucional e viola a separação dos poderes ao desrespeitar decisões definitivas da Suprema Corte.

Se a lógica for descumprir decisões judiciais, que se aplique o mesmo critério a todos os presos do país. Afinal, a Constituição consagra o princípio da igualdade, e não há espaço para privilégios seletivos.

Com a derrubada do veto, caberá ao STF reafirmar a Constituição e declarar a inconstitucionalidade da medida. Não se trata apenas de corrigir um desvio legislativo, mas de preservar o núcleo duro da República: a separação dos poderes e o respeito às decisões judiciais. Democracia não se negocia, não se relativiza e não se curva a conveniências políticas. É o alicerce que sustenta a igualdade e a justiça — e sem ele, o país mergulha no caos institucional. Cabe também ao eleitor exercer sua responsabilidade democrática: banir da reeleição os políticos que votaram pela derrubada do veto presidencial, pois quem despreza a Constituição não pode ser reconduzido para defendê-la.

Júlio César Cardoso

Servidor federal aposentado

Balneário Camboriú-SC

Fonte: Júlio César Cardoso

Artigos & Opinião

Artigos & Opinião

Se você quer escrever e expor suas ideias esse é seu espaço. Mande seu artigo para nosso e-mail (redacao@piauihoje.com) ou pelo nosso WhatsApp (86) 994425011. Este é um espaço especial para leitores, internautas, especialistas, escritores, autoridades, profissionais liberais e cidadãos e cidadãs que gostam de escrever e opinar assinando embaixo. ADVERTÊNCIA - Os artigos aqui publicados são de inteira responsabilidade dos seus autores e não representam o pensamento editorial do Portal Piauí Hoje.