Empregos na área de tecnologia têm bons salários, flexibilidade e não exigem diploma

Desenvolvedora de software conta como entrou na área sem formação em Ciência da Computação, destaca oportunidades, bons salários, trabalho remoto e defende mais mulheres na tecnologia

A tecnologia tem aberto novas oportunidades profissionais para pessoas que buscam mudar de carreira e encontrar novos caminhos. Foi assim que aconteceu com a piauiense Luiza de Sousa, desenvolvedora de software que deixou a arquitetura e urbanismo para construir uma trajetória na programação.

Ela participou do podcast Mulher Mais, do Portal Piauí Hoje, na quinta-feira (16) e contou como descobriu a área de tecnologia, mesmo sem ter cursado Ciência da Computação ou um curso técnico de informática. Autodidata, ela iniciou os estudos pela internet e encontrou na programação uma profissão que unia desafio intelectual, boas oportunidades e flexibilidade.

Natural de Teresina, Luiza se define como uma “camaleoa de profissões”. Antes de trabalhar com desenvolvimento de software, ela passou por diferentes áreas, como arquitetura, lettering e fotografia.

“Sou daqui de Teresina, nascida e criada, amo a cidade. Eu sou formada mesmo em arquitetura e urbanismo, mas a minha vida adulta eu passei caminhando por várias carreiras até eu finalmente me encontrar na programação. Então eu já fui arquiteta, já fui artista de lettering, já fiz fotografia por um tempo e decidi que meu lugar mesmo era na programação”, contou.
Mudança de carreira e descoberta da programação

A entrada de Luiza de Sousa na tecnologia aconteceu a partir de um incentivo do marido, que também é programador. Segundo ela, foi ele quem percebeu que suas habilidades poderiam se encaixar na área.

“Foi ideia do meu marido, que também é programador. Ele olhava para mim e falava: ‘eu acho que você dá certo nessa profissão’. É uma coisa que eu nunca tinha pensado. Então comecei a estudar, comecei a fazer cursos pela internet, estudar sozinha."

Após conhecer melhor a área, ela percebeu que a programação oferecia o tipo de desafio que procurava.

“Quando eu descobri que era bom de fazer e me dava o desafio mental que eu tanto gosto e que eu estava precisando naquele momento, aí está. Então é nessa carreira que eu vou investir e é nela que eu estou até hoje. Não pretendo sair”, afirmou.

Antes da programação, ela também construiu uma carreira como artista de lettering e destacou que é possível viver da arte.

“Eu passei cinco anos trabalhando com a arte, então foi uma parte muito importante da minha vida e dá sim para você viver de arte. É bom até quebrar esse preconceito. Dá para viver de arte sim."

Mercado de tecnologia oferece oportunidades e bons salários

Atualmente, a profissional trabalha como desenvolvedora em uma empresa brasileira de consultoria, atuando para um cliente estrangeiro na área de cibersegurança. Ela explicou que sua função é manter uma plataforma utilizada por profissionais que realizam testes de segurança.

A desenvolvedora de software também destacou que a área de tecnologia oferece diferentes modelos de trabalho, como presencial, híbrido e remoto.

“Eu prefiro o home office, porque você tem uma flexibilidade maior de horário. Só o fato de eu acordar de manhã e não precisar pegar trânsito para chegar no trabalho é ótimo. Eu poder almoçar em casa é excelente”, afirmou.

Sobre os salários, Luiza explicou que a área realmente possui boas remunerações, mas alertou que o crescimento profissional exige estudo e dedicação.

“Muita gente acha que vai entrar na área da tecnologia e seis meses depois vai estar ganhando rios de salário. Não é um emprego como outro qualquer."

Segundo ela, um dos grandes diferenciais é a possibilidade de trabalhar para empresas internacionais.

“Eu posso trabalhar daqui de Teresina para uma empresa nos Estados Unidos e ganhar em dólar. Eu posso trabalhar para a Europa e ganhar em euro. Então, especialmente como é o mercado exterior, a nossa mão de obra aqui no Brasil é barata para eles”, explicou.
Mulheres ainda são minoria na tecnologia

Apesar do crescimento da presença feminina no setor, Luiza afirma que a tecnologia ainda é uma área predominantemente masculina e que a falta de incentivo começa muitas vezes ainda na infância.

“A gente não é muito incentivada a olhar para a área da tecnologia e pensar: isso é uma área possível para mim”, afirmou.

Ela destacou que existem mulheres importantes na história da computação, como Ada Lovelace, considerada a primeira programadora da história, e Grace Hopper, criadora da linguagem COBOL.

“Não é por falta de capacidade. Eu acho que a gente tem poucas mulheres justamente por essa questão mais cultural, de achar que não se é incentivada mesmo a parar para tentar”, disse.

Luiza também contou que, na programação, sofreu menos preconceito do que em outras áreas.

“Eu fui arquiteta na minha formação e sofri muito mais preconceito sendo arquiteta do que sendo programadora. Na programação, o mercado está muito preocupado com seu conhecimento técnico. Se você sabe fazer, se você sabe executar aquela tarefa, se você sabe aquela linguagem de programação, é isso que interessa."

Inteligência artificial não deve substituir programadores

Com o avanço da inteligência artificial, muitas pessoas têm questionado o futuro das profissões ligadas à tecnologia. Para a programadora, a IA deve ser vista como uma ferramenta de apoio.

“A inteligência artificial é uma ferramenta e ela veio para auxiliar o nosso trabalho. A inteligência artificial não é capaz de fazer tudo sozinha. Você tem que ter alguém que dirige essa inteligência artificial para que ela produza aquilo que você quer”, explicou.

Segundo ela, a tecnologia mudou a forma como os profissionais trabalham, aumentando a produtividade, mas ainda exige pensamento crítico humano.

“Ela mudou a forma de trabalhar, mas essa questão de que ela vai roubar um emprego, não, não vai”, afirmou.

O principal conselho é investir no inglês.

Para quem deseja começar na programação, a profissional recomenda buscar conhecimento e testar a área antes de tomar uma decisão.

Ela indica plataformas como Udemy, Alura e cursos disponíveis gratuitamente na internet, mas alerta para promessas de formação rápida.

“Você vai ver muita gente vendendo aquela ideia do zero ao profissional em dois meses. Primeiro que não existem promessas que vão dizer que sim, que você vai ter uma formação muito rápida”, disse.

Aprender inglês é uma das melhores estratégias para quem pretende trabalhar com programação e desenvolvimento de software.

“Invista no inglês, porque é o que vai te dar oportunidades em vagas no exterior. Muito mais do que querer trabalhar em uma área específica, você ter capacidade de ter acesso a vagas melhores. Se você tira a barreira da linguagem, você tem acesso a carreiras melhores."

Para Luiza, a programação é uma carreira que reúne realização profissional, desafios e possibilidades de crescimento.

“Você resolver problemas, construir alguma coisa é muito satisfatório. Ela consegue ser muito gratificante”, finalizou.

Assista o episódio completo: