Atleta piauiense coleciona títulos e inspira mulheres nas artes marciais

Atleta começou a treinar aos 14 anos, concilia trabalho e faculdade de Educação Física e já conquistou medalhas em campeonatos de jiu-jítsu, sanda e outras modalidades de luta

Aos 19 anos, a atleta piauiense Pâmella Lorrany já carrega uma história de dedicação, disciplina e superação nas artes marciais. Natural de Teresina, a jovem começou a treinar aos 14 anos e, desde então, transformou o esporte em um dos principais pilares da sua vida.

Em entrevista ao podcast Mulher Mais, apresentado pela jornalista Natália Costa, do Portal Piauí Hoje, a atleta contou como surgiu a paixão pelas lutas, os desafios enfrentados no início da trajetória e como o esporte ajudou na construção da sua personalidade.

Hoje, além de atleta, ela trabalha em um emprego formal, cursa Educação Física e busca unir a formação acadêmica com a experiência adquirida nos tatames.

“Eu concilio a vida de atleta com a vida pessoal e profissional, buscando melhoria sempre. Atualmente faço Educação Física, estou no segundo período, e acredito que é uma boa formação, que só vem acrescentar cada vez mais na minha carreira”, explicou.

Da curiosidade na academia aos primeiros campeonatos

A história de Pâmella nas artes marciais começou de forma inesperada. Enquanto acompanhava a mãe na academia, ela passou a observar os treinos de luta e se interessou pela modalidade.

Atleta piauiense Pâmella Lorrany e jornalista Natalia Costa | foto: Piauí Hoje

Aos 14 anos, recebeu uma oportunidade para iniciar os treinamentos na Academia Mutante, com o mestre Rivaldo. No começo, a estrutura era simples e ela precisou improvisar para conseguir treinar.

“Eu comecei novinha, nem tinha quimono. Meus coleguinhas tinham dois quimonos, aí um me emprestava uma parte de cima e eu usava uma parte de baixo, improvisava”, relembrou.

Com dedicação e frequência nos treinos, a atleta chamou atenção dos professores e passou a evoluir dentro do esporte. O que começou como uma curiosidade se transformou em uma trajetória de competição e conquistas.

A atleta iniciou no jiu-jítsu ainda na faixa branca e, com o passar dos anos, avançou nas graduações. Aos 18 anos, chegou à faixa azul e atualmente busca novas conquistas dentro da modalidade.

Uma atleta de várias modalidades

O diferencial da trajetória de Pâmella está justamente na diversidade. A jovem pratica diferentes modalidades de artes marciais, incluindo jiu-jítsu, sanda, muay thai e natação.

O sanda, uma modalidade menos conhecida pelo público, chamou atenção durante a entrevista. Segundo a atleta, trata-se de uma vertente do kung fu que reúne golpes, chutes, socos e quedas.

“É a parte bruta do kung fu, que engloba chute, soco e as quedas. É uma luta com três rounds, dependendo da categoria”, explicou.

Recentemente, Pâmella conquistou o título no campeonato piauiense de sanda e se prepara para representar o estado no campeonato brasileiro da modalidade.

Atleta piauiense Pâmella Lorrany e jornalista Natalia Costa | foto: Piauí Hoje

Medalhas e conquistas no esporte

Mesmo com poucos anos de carreira, Pâmella já acumula importantes resultados em competições.

Entre as medalhas apresentadas durante o podcast Mulher Mais estão conquistas como:

Para ela, cada conquista representa uma etapa de uma caminhada que ainda está no começo.

O grande sonho da atleta é conquistar o título de campeã brasileira.

Mulheres ocupando espaço nas artes marciais

Apesar dos avanços, a atleta destaca que a presença feminina nas lutas ainda enfrenta barreiras, principalmente pelo preconceito e pela ideia de que artes marciais seriam esportes exclusivamente masculinos.

Segundo ela, o esporte também pode ser uma ferramenta de defesa pessoal e proteção para mulheres.

“Hoje em dia, uma mulher saber o básico para se defender pode salvar uma vida. Pode salvar a sua vida se defendendo, como também a de uma colega, uma amiga ou uma irmã que pode estar na mesma situação”, afirmou.

A atleta também defende que as famílias deem liberdade para que meninas escolham as modalidades esportivas que desejam praticar.

“É importante dar à criança a liberdade da escolha. Eu, com 14 anos, decidi estar no jiu-jítsu. Poderia ser que eu gostasse de estar em outra modalidade, mas é muito importante buscar aquilo que você gosta”, destacou.

Esporte como transformação pessoal

Mais do que medalhas, Pâmella afirma que as artes marciais mudaram sua forma de enxergar a vida. Para ela, a maior transformação foi o desenvolvimento da disciplina, do controle emocional e da vontade de superar desafios.

“Minha luta é contra mim mesma. É melhorar cada dia mais, me alimentar bem, buscar alternativas e ter controle emocional”, afirmou.

A atleta explica que o esporte ensinou que a evolução acontece diariamente, independentemente das vitórias ou derrotas.

“Todos nós temos uma luta. A gente precisa saber como lidar com essa luta. A minha luta marcada pode ser em um campeonato, mas a luta que eu tenho comigo é todo dia”, declarou.

Com uma rotina dividida entre trabalho, estudos e treinamentos, Pâmella representa uma nova geração de mulheres que ocupam espaços antes considerados masculinos e mostram que disciplina e determinação podem abrir caminhos.

“Enquanto tem 50 coisas que podem me fazer desistir, tem cinco que são meus princípios e que eu não largo de jeito nenhum”, afirmou.

A jovem encerrou a participação no Mulher Mais com uma definição simples sobre o significado do esporte em sua vida: “Tudo”.

Confira o podcast completo: