Polícia

Laudo do IML revela detalhes da morte de Camila

Estudante lutou com o assassino antes de ser executada com um tiro no rosto
Fonte: IML/PC-PI | Editor: Paulo Pincel 18/11/2017 08:00
Camila Abreu Camila AbreuFoto: Arquivo pessoal

O laudo do exame cadavérico realizado no corpo da estudante Camilla Pereira de Abreu pelo Instituto de Medicina Legal, em Teresina, é revelador. A cada nova informação divulgada, seja dos exames realizados no IML ou da investigação da Delegacia de Homicídio, maior a certeza de crime de feminicídio, praticado de maneira covarde e revoltante. A necropsia realizada no corpo de Camila Abreu mostra não só que a vítima foi agredida, mas que lutou pela vida, antes de ser executada com um tiro de pistola.40 no rosto.

Assinado pelo legista Joaquim José Marques da Silva, o laudo desmonta a tese da defesa de “disparo acidental”, ocorrido durante uma discussão do casal, no interior do veículo - o Toyota Corrolla azul, de placas NIF 8022. Mais ainda: comprova que a vítima foi brutalmente agredida pelo namorado, Allisson Wattson da Silva Nascimento, 37 anos, capitão da Polícia Miulitar do Piauí, que é réu confesso e está preso.

O delegado de Polícia Civil Emerson Almeida, que preside o inquérito de homicídio, ocultação de cadáver e tentativa de destruição de provas, deverá divulgar a conclusão dos exames periciais no corpo de Camila, embora parte do conteúdo do laudo já seja do conhecimento da imprensa.

Um disparo

O capitão fez um único disparo com a pistola .40 – de alto poder de destruição e de propriedade da Polícia Militar - que o oficial tentou substituir por outra junto ao armeiro da PM depois de cometer o homicídio. Como não conseguiu, decidiu entregar a arma, alegando estar com “intenções suicidas".

Trajetória

O laudo contesta a versão anterior da perícia de que o tiro teria sido dado de fora do veículo, da direita para a esquierda , de cima para baixo. “O disparo foi efetuado da esquerda para a direita, ligeiramente de trás pra frente e de baixo para cima tendo iniciado em porção retroauricular esquerda. Foi constatado ainda que o tiro foi dado a uma distância entre 75 cm e 150 cm”, aponta o laudo, que constatou haver “vestígio de extravasamento hemático [sangue]”

Ocultação

Havia lesões na tíbia e na coxa esquerda da estudante - “sinais de escoriações no terço inferior da coxa esquerda”, segundo o legista – provocadas por pancadas, quando Camila ainda estava viva. "Foram encontrados também sinais de arrastamento na porção dorsal [costas]” da vitima". Ou seja, Camila foi arrastada pelas pernas da calça jeans, que a vítima usava na madrugada em que foi executada. As fotos do local onde o corpo foi "desovado" pelo capitão comprovam o que o laudo atestou.

Unhas

Fragmentos de tecidos nas unhas de Camila indicam que houve luta corporal, embora o resultado desse exame ainda não seja conhecido.

Conclusão

A morte de Camila foi provocada por meio cruel, após luta corporal. O laudo indica que a vítima tentou se defender antes de receber o tiro de pistola no rosto, disparo a uma curta distância entre 75cm e 150 cm de distância entre o cano e a cabeça de Camila

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