Saúde

PANDEMIA DA COVID-19

Enfermeiras usavam luvas com água morna para segurar mão de pacientes com Covid

Gesto simples de cuidado em UTIs viralizou durante a pandemia ao simular a presença humana para pacientes intubados e isolados da família

Isabel Fonseca* com supervisão da jornalista Natália Costa

Sexta - 13/03/2026 às 09:23



Foto: Redes sociais Imagem com gesto simples viralizaram durante a pandemia da Covid-19
Imagem com gesto simples viralizaram durante a pandemia da Covid-19

Em 11 de março de 2020, o mundo recebeu um dos anúncios mais marcantes da história recente. Naquele dia, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou oficialmente a Covid-19 como uma pandemia, diante da rápida disseminação do vírus em diversos países. Seis anos depois, em março de 2026, a data ainda carrega lembranças fortes: hospitais lotados, isolamento social e milhões de vidas afetadas. Mas também histórias de solidariedade que marcaram aquele período.

Uma delas aconteceu no mesmo ano mas só foi postado em 2021, em um hospital na Zona Norte do Rio e ganhou repercussão internacional.

Um gesto simples que comoveu o país

A técnica foi apelidada carinhosamente de “mãozinha do amor” surgiu a partir da iniciativa da enfermeira Lidiane Melo, no Rio de Janeiro. Durante um plantão em um hospital na Ilha do Governador, na Zona Norte da capital fluminense, ela percebeu que a mão de um paciente com Covid-19 estava muito fria, o que dificultava até mesmo a medição da saturação de oxigênio.

Inicialmente, Lidiane tentou métodos tradicionais utilizados na enfermagem para aquecer a região. Ela envolveu a mão do paciente com algodão ortopédico e atadura, prática comum para ajudar na circulação, mas não obteve resultado. 

A mão dele estava muito fria. Enrolei em algodão ortopédico e atadura, que é uma prática prevista na enfermagem, mas não funcionou. A circulação não melhorava. Pensei em molhar a mão dele com água morna, mas por causa do risco de contaminação, a ideia não era boa. Pensei mais um pouco e coloquei a água morna dentro das luvas cirúrgicas e envolvi na mão dele.

Diante da situação, a enfermeira pensou em usar água morna diretamente na mão do paciente, mas descartou por causa do risco de contaminação. Foi então que teve a ideia que influenciou países pelo mundo todo: encher duas luvas cirúrgicas com água morna e colocá-las ao redor da mão do paciente, criando uma espécie de “abraço”.

A solução improvisada funcionou rapidamente. Em cerca de três minutos, a perfusão — processo responsável pela circulação do sangue nos tecidos do corpo — melhorou. Com isso, a equipe conseguiu medir a saturação de oxigênio e dar continuidade ao tratamento.

Apesar de a técnica ter sido aplicada naquele momento de emergência, a história só ganhou repercussão algum tempo depois. Em um dia de folga em 2021, Lidiane encontrou a foto registrada no celular e decidiu publicá-la nas redes sociais.

Na legenda, explicou o objetivo do gesto simples e, pouco tempo depois, seu post viralizou.

Fiz essa luva com água quente para melhorar a perfusão da minha paciente e ver melhor a saturação, e espero que ela sinta que tem alguém com ela segurando sua mão.

Lidiane Melo, a enfermeira que viralizou nas redes sociais com a técnica da mãozinha — Foto: Reprodução/Redes sociais

Hospitais começaram a usar esse método

A prática ficou conhecida como "técnica da mãozinha" ou "mão de Deus", e passou a ser adotada por equipes de saúde para diminuir o desconforto e transmitir aos pacientes em estado grave a sensação de presença humana. Além do acolhimento emocional, a técnica também ajudou a aquecer as extremidades do corpo, que costumam ficar frias em pacientes críticos, podendo inclusive facilitar alguns procedimentos médicos.

Durante o pico da pandemia, a profissional de saúde Semei Araújo Cunha conheceu a técnica pelas redes sociais e decidiu aplicá-la para confortar uma paciente com Covid-19 que estava intubada na UTI. A ideia era simples: simular a sensação de alguém segurando a mão da pessoa internada, oferecendo conforto em um momento de isolamento e fragilidade.

Tudo por um carinho, um conforto e cuidado com o paciente. Não basta ser profissional, tem que ser empáticos e humanos. Deixar o coração falar faz bem.

A gerente de enfermagem de uma UTI no Distrito Federal, Thaís Ribeiro, explicou na época que o método vai além de encher duas luvas cirúrgicas com água morna e posicionar a mão do paciente entre elas. 

O paciente passa a ter a sensação de que alguém está segurando sua mão. Essa sensação produz conforto psicológico e ajuda a acalmar. Vi que outros hospitais públicos brasileiros estavam usando essa técnica em pacientes com coronavírus, então decidi adotá-la também no Hospital de Base. O resultado tem sido positivo.

Nesse mês, seis anos após a declaração da pandemia do Covid-19 pela OMS, a ideia voltou a circular nas redes sociais. Imagens do gesto simples, mas carregado de empatia, ganharam repercussão internacional e se tornaram um dos símbolos do cuidado prestado por enfermeiras durante a crise sanitária.

Confira as fotos e locais abaixo; clique aqui para ler mais histórias de famílias nordestinas durante a pandemia do corona vírus.

Jundiaí, em São Paulo. Enfermeiras: Kelly Cristina Alves e Maria Alaíde Ferreira

São Carlos, interior de São Paulo. Enfermeira: Semei Araújo Cunha

No Distrito Federal. Enfermeira: Thaís Ribeiro
Zona Norte do Rio. Enfermeira: Lidiane Melo

Fonte: G1

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