Saúde

ESCLEROSE MULTIPLA

Diagnóstico tardio agrava esclerose múltipla, aponta pesquisa

Um em cada quatro pacientes espera mais de cinco anos para diagnosticar a doença, dificultando o tratamento.

Teresinha Ferreira

28 de agosto de 2026 às 10:02 ▪ Atualizado há 1 hora

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  • Cerca de 25% dos pacientes com esclerose múltipla no Brasil levam mais de cinco anos para serem diagnosticados.
  • O diagnóstico tardio contribui para a progressão e agravamento da doença.
  • Estudo com 368 pacientes revelou que 56,8% receberam diagnósticos errados inicialmente.
  • Diagnóstico rápido é essencial para prevenir danos permanentes, segundo neurologista Rodrigo Kleinpaul.
  • Obstáculos incluem médicos pouco informados (36%), dificuldades com ressonância magnética (23%) e altos custos (12%).
  • 40 mil brasileiros têm esclerose múltipla, que afeta principalmente mulheres jovens.
  • A doença compromete a mobilidade e a saúde mental devido ao dano à mielina.
  • Muitos pacientes enfrentam dificuldades no acesso ao tratamento, incluindo falta de medicamentos.
  • O impacto emocional é significativo, com 73,4% dos pacientes desistindo de atividades por razões emocionais.

Agência Brasil Esclerose múltipla
Esclerose múltipla

Cerca de um quarto dos pacientes com esclerose múltipla no Brasil demora mais de cinco anos para obter um diagnóstico, segundo estudo da HSR Health e Roche Farma, divulgado pela Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM). A demora intensifica a progressão da doença.

O estudo, lançado durante o Agosto Laranja, mês de conscientização sobre a esclerose múltipla, entrevistou 368 pacientes em tratamento. Mais da metade (56,8%) recebeu diagnósticos incorretos inicialmente, enquanto 26,6% esperaram mais de cinco anos para a confirmação e 14,1% enfrentaram uma espera de uma década.

Para o neurologista Rodrigo Kleinpaul, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a rapidez no diagnóstico é crucial para evitar danos permanentes. “A progressão acentua a incapacidade, levando a danos irreversíveis”, afirmou. Muitos pacientes passam por até quatro médicos ao longo de três anos para um diagnóstico correto.

Os principais obstáculos ao diagnóstico incluem médicos pouco informados (36%), dificuldades com ressonância magnética (23%) e custos elevados (12%).

Segundo a ABEM, cerca de 40 mil brasileiros vivem com essa doença inflamatória crônica e autoimune, que afeta mulheres jovens entre 20 e 40 anos. A esclerose múltipla danifica a mielina, comprometendo a comunicação entre cérebro e corpo, impactando mobilidade e saúde mental.

Casos como o de Lucimara de Lima Santana ilustram a realidade enfrentada por muitos. Após quatro anos de consultas em São Paulo, foi diagnosticada após exames de imagem revelarem a doença. A docente adaptou-se à nova realidade, oferecendo aulas de Pilates online e participando de projetos de conscientização.

O estudo também indica que, apesar de a maioria estar com a doença sob controle, desafios no tratamento persistem. Relatos de dificuldades de acesso, como falta de medicamentos e burocracia dos planos de saúde, são frequentes (41,2%). O impacto emocional é significativo, com 73,4% dos pacientes renunciando a atividades desejadas por razões emocionais.

Fonte: Agência Brasil