Política

VIOLÊNCIA POLÍTICA NA CÂMARA

Vereadoras enfrentam violência principalmente nas câmaras municipais

Pesquisa aponta que agressões políticas são comuns a oito em cada dez vereadoras negras.

Teresinha Ferreira

11 de agosto de 2026 às 18:33 ▪ Atualizado há 1 hora

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  • Pesquisa revela que 60% das vereadoras brancas e 80% das negras enfrentam violência política.
  • Câmara Municipal é onde ocorrem 77% das agressões.
  • Homens brancos cisgêneros são responsáveis por 80% das agressões.
  • A violência ocorre mais durante os mandatos, com 64% relatando agressões nesse período.
  • "Fogo amigo": 34% das agressões vêm de colegas de partido.
  • Violência psicológica afeta 89% das parlamentares; simbólica, 82%; moral, 59%.
  • Estudo cita também agressões econômicas e físicas, incluindo tentativa de feminicídio.
  • 64% das denúncias não avançam juridicamente nem partidariamente.
  • Representatividade feminina no legislativo é baixa: 18,2% ocupam cadeiras, 7,5% por negras.
  • Lei 14.192/2021 pouco eficaz na proteção das mulheres na política.

Agência Brasil Violência contra mulher
Violência contra mulher

Uma pesquisa divulgada pela Rede A Ponte evidencia que seis em cada dez vereadoras brancas e oito em cada dez negras já sofreram violência política. O estudo, que envolveu mais de 70 parlamentares, destaca a Câmara Municipal como o local mais recorrente para esses atos, correspondendo a 77% dos casos.

O relatório Raio X da Violência Política de Gênero e Raça no Legislativo Municipal revela que, mesmo após a criação da Lei 14.192/2021, que visa proteger os direitos políticos das mulheres, homens brancos cisgêneros são responsáveis por 80% das agressões registradas.

As violências ocorrem em sua maioria durante o mandato, sendo que 64% das vítimas relataram sofrer agressões neste período. Chama atenção que 34% dos casos envolvem colegas de partido, caracterizando um "fogo amigo".

O tipo mais reportado de violência é a psicológica, que afeta 89% das parlamentares, seguida pela simbólica, afetando 82%moral, com calúnias e difamação, atinge 59% das participantes.

Além dos tipos já citados, o estudo também aborda agressões em esferas como a econômica, com corte de recursos, e física, com ameaças e até tentativa de feminicídio. A diretora-executiva da Rede A Ponte, Amanda de Albuquerque, destacou o abandono das mulheres por seus partidos logo após ingressarem na política.

As denúncias de 64% das violências não têm desdobramentos jurídicos nem partidários, apesar de algumas terem entrado formalmente na Justiça. Isso reflete a limitada resposta estatal e contribui para reduzir a representatividade feminina e democrática no legislativo municipal.

Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam que apenas 18,2% das cadeiras são ocupadas por mulheres, sendo 7,5% por negras, demonstrando as desigualdades persistentes, principalmente para mulheres negras e indígenas.

Fonte: Agência Brasil