SESSÃO SOLENE
Da Redação
24 de agosto de 2026 às 12:34 ▪ Atualizado há 1 hora
Trabalhadores do setor de telecomunicações sofrem, em média, dois a três acidentes por mês no Piauí, segundo informações recebidas pelo Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações do Estado do Piauí (Sinttel-PI). O alerta foi feito nesta segunda-feira (24), durante sessão solene na Assembleia Legislativa do Piauí (Alepi) pelos 60 anos da entidade.
O sindicato também aponta que oito trabalhadores morreram em acidentes relacionados à atividade entre 2018 e 2020. Embora não tenha registrado novas mortes nos últimos seis anos, o Sinttel-PI afirma que continua recebendo relatos de acidentes e ressalta que nem todas as ocorrências chegam ao conhecimento da entidade.
O deputado estadual Francisco Limma (PT), que propôs a sessão solene, defendeu que os acidentes não sejam tratados como um risco natural da profissão, especialmente diante da expansão das redes de internet e dos pequenos provedores no interior do estado.
“Não podemos tratar esses acidentes como algo normal da profissão. Quando a internet chega a uma comunidade, quase nunca enxergamos o trabalhador que subiu no poste, instalou a fibra e mantém aquela rede funcionando. Nenhuma conexão vale uma vida”, afirmou.

Para o presidente do Sinttel-PI, Cochise Ferreira da Silva, o crescimento do setor precisa ser acompanhado de investimentos na formação dos profissionais e na adoção de medidas de segurança.
Levantamento apresentado pelo sindicato identificou mais de 5 mil CNPJs no Piauí relacionados a atividades do segmento, incluindo empresas de diferentes portes e microempreendedores. Segundo Cochise, os pequenos provedores tiveram papel importante na expansão da internet para regiões onde grandes operadoras não chegavam.
“Os pequenos provedores tiveram um papel importante ao levar internet para lugares onde muitas vezes as grandes empresas não chegavam. Agora precisamos garantir que esse crescimento venha acompanhado de qualificação e segurança para quem trabalha”, afirmou.
Tecnologia exige qualificação
Além dos riscos de acidentes durante a instalação e manutenção das redes, o setor de telecomunicações também passa por mudanças provocadas pelo avanço da digitalização e da inteligência artificial.
Para Limma, a transformação tecnológica exige políticas de qualificação e requalificação profissional para que os trabalhadores possam acompanhar as novas demandas do mercado.
“A tecnologia vai continuar avançando. O desafio é fazer com que o trabalhador avance junto com ela. Não podemos permitir que a transformação digital deixe pessoas para trás”, disse.

Sindicato completa 60 anos
Criado em 1966, a partir de uma associação de trabalhadores da antiga Telepisa, o Sinttel-PI completa seis décadas acompanhando as transformações do setor, que passou da telefonia convencional à fibra óptica, ao 5G e, mais recentemente, às tecnologias baseadas em inteligência artificial.
Atualmente, o sindicato tem cerca de 1.958 integrantes e representa trabalhadores de operadoras, prestadoras de serviços, empresas terceirizadas e outras atividades ligadas às telecomunicações.
Durante a sessão, Limma também destacou que a internet deixou de ser apenas um serviço de comunicação e passou a ser uma infraestrutura essencial para educação, trabalho, geração de renda e acesso a serviços.
“Internet hoje é infraestrutura para educação, trabalho, renda e acesso a serviços. O desafio é levar essa conectividade a todo o Piauí e, ao mesmo tempo, proteger quem torna essa conexão possível”, concluiu.
Fonte: Ascom
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