Política

NOVA POLÍTICA

Projeto que garante mais vagas para mulheres nas polícias vai a Plenário da Câmara

Proposta torna obrigatória a reserva de ao menos 20% das vagas disponíveis para mulheres nos concursos públicos do Sistema Único de Segurança Pública

Da Redação

28 de abril de 2026 às 17:34 ▪ Atualizado há 1 hora

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  • A Comissão de Segurança Pública do Senado aprovou um projeto que proíbe a limitação de vagas para mulheres em concursos da área de segurança pública.
  • O projeto exige a reserva de pelo menos 20% das vagas para mulheres em concursos do Sistema Único de Segurança Pública (Susp).
  • A proposta criou a Política Nacional de Valorização das Mulheres na Área de Segurança Pública.
  • O projeto foi aprovado com voto favorável da senadora Damares Alves, que alterou o texto para garantir que a reserva de 20% não seja interpretada como um limite máximo.
  • As mudanças afetam as leis das carreiras de policial federal, policial rodoviário federal e policial civil do Distrito Federal.
  • A política estabelecida pelo projeto inclui igualdade de oportunidades e preparação de mulheres para áreas tradicionalmente masculinas.
  • Diretrizes incluem pesquisas sobre o perfil das servidoras, combate ao assédio, e a publicação de documentos promocionais.
  • A transferência de recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública ficará condicionada à adoção do plano de valorização das mulheres.
  • Inclui metas para reduzir assédio e promove cotas de 20% para mulheres em concursos de corporações militares estaduais.

Texto diz que nenhuma atividade de segurança pública deva ser desempenhada exclusiva ou preferencialmente por homens
Texto diz que nenhuma atividade de segurança pública deva ser desempenhada exclusiva ou preferencialmente por homens

A Comissão de Segurança Pública do Senado aprovou nesta terça-feira (28) projeto que proíbe a limitação de vagas para mulheres em concursos da área de segurança pública. A proposta torna obrigatória a reserva de ao menos 20% das vagas disponíveis para mulheres nos concursos públicos das carreiras pertencentes ao Sistema Único de Segurança Pública (Susp) e cria a Política Nacional de Valorização das Mulheres na Área de Segurança Pública. A matéria segue para análise do Plenário. 

O PL 1.722/2022, da senadora Daniella Ribeiro (PP-PB), recebeu voto favorável da relatora, senadora Damares Alves (Republicanos-DF). Ela apresentou, com algumas alterações, o mesmo texto substitutivo aprovado na Comissão de Direitos Humanos (CDH) e recomendou o a rejeição do PL 1.529/2021, da Câmara dos Deputados, que tramitava em conjunto. 

O projeto é de autoria da senadora Daniella Ribeiro (PP-PB)
O texto aprovado contém os principais pontos das duas propostas. Damares disse ter procurado preservar a garantia de que a reserva de 20% de vagas não fosse interpretada como um limite máximo para o percentual de mulheres nas corporações, o que seria inconstitucional. Esse limite era sugerido pelo PL 1.529/2021.  

Carreiras

Além de proibir a limitação de vagas, a proposta determina a reserva de ao menos 20% das vagas disponíveis para mulheres nos concursos públicos das carreiras pertencentes ao Sistema Único de Segurança Pública (Susp), que incluem polícia federal, polícia rodoviária federal, polícias civis, polícias e corpos de bombeiros militares, guardas municipais, agentes de trânsito, polícia legislativa, entre outros. O texto também insere explicitamente essas exigências nas leis que regulam as carreiras de policial federal (Lei 9.266, de 1996), de policial rodoviário federal (Lei 9.654, de 1998) e de policial civil do Distrito Federal.

Política Nacional de Valorização 

Pelo projeto, a Política Nacional de Valorização das Mulheres na Área de Segurança Pública, a ser criada, deverá ser regulamentada pelo Poder Executivo. Entre os princípios a regerem a nova política, estão a igualdade de oportunidades entre mulheres e homens nas carreiras da segurança pública; o princípio de que nenhuma atividade de segurança pública deva ser desempenhada exclusiva ou preferencialmente por homens; a preparação das mulheres para sua atuação em áreas tradicionalmente afeitas a homens e a rejeição de práticas, atitudes e crenças discriminatórias nas normas e nas práticas de segurança pública.

Nova política prevê criação do plano de valorização das mulheres na segurança pública (Foto: Ascom SSP-PI)
As diretrizes da política, por sua vez, incluem a realização de pesquisas sobre o perfil das servidoras mulheres e a ocupação de cargos, o enfrentamento do assédio e da violência contra mulheres no ambiente de trabalho, a inclusão obrigatória de conteúdos relacionados à igualdade entre homens e mulheres nos cursos de formação e a publicação de todos os documentos relativos aos processos de promoção e de acesso a cargos de comando em até sete dias úteis contados a partir da data de sua edição.

A proposta altera a Lei 13.756, de 2018, que trata do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP), condicionando a transferência de recursos do fundo, destinado aos estados, municípios e ao Distrito Federal, à adoção de um plano de valorização das mulheres na segurança pública.

Alterações 

Outras alterações na lei são: metas institucionais para a redução de assédio e violência contra mulheres no ambiente de trabalho; inclusão de cotas de 20% para mulheres em concurso para corporações militares estaduais (assim como já ocorre nas carreiras policiais); e ampliação do escopo do projeto, para vedar a limitação de vagas para mulheres também nos concursos de polícias institucionais do Poder Judiciário da União e dos estados e de polícias institucionais do Ministério Público da União e dos estados. 

Fonte: Agência Senado